
Em acordo assinado com o Sindicato dos Metalúrgicos, Mercedes se compromete a manter os atuais 750 trabalhadores da planta local
A Mercedes-Benz e o Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora assinaram ontem um termo de compromisso que garante a manutenção do número atual de 750 empregos da fábrica mineira, a continuidade da fabricação do caminhão modelo Actros e o investimento de R$ 230 milhões para adequação da planta ao trabalho de produção de cabinas e pintura de todos os veículos da montadora, segundo a entidade. Apesar do acordo, o futuro sobre o Actros ainda gera dúvidas. Em negociação firmada com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a empresa teria estabelecido a transferência da produção do veículo para a planta paulista. O rumo das fornecedoras que atendem a empresa também não está definido. Procurada pela Tribuna, a Mercedes não comentou ambos os assuntos.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora, João César da Silva, na reunião realizada ontem com executivos da empresa foi confirmada apenas a transferência da produção do caminhão Accelo para a fábrica de São Bernardo do Campo (SP), em 2016. “A planta juiz-forana não será desmontada e irá permanecer adequada para produção de caminhões. O modelo Actros continuará sendo produzido aqui.”
Para garantir a manutenção dos empregos, já que o principal produto da empresa deixará de ser fabricado na cidade, a montadora irá investir na capacitação dos colaboradores para que eles atuem na produção de cabinas e pintura de veículos. “Em março e abril, os trabalhadores participarão de cursos de qualificação nessas áreas.”
Também ontem, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC confirmou à Tribuna que, na última segunda-feira, 13 de outubro, foi formalizado acordo com a Mercedes-Benz no qual a empresa garantiu investimento de R$ 3 bilhões na planta paulista, que ficará responsável pela produção dos modelos Actros e Accelo, além dos caminhões e ônibus que já são fabricados pela unidade. “Embora a Mercedes divulgue valor menor de investimento, nós mantemos o nosso posicionamento de que foi esta a negociação realizada. Também foi acordada a produção do Accelo em 2016 e do Actros a partir de 2018”, declarou o Sindicato do ABC por meio de sua assessoria.
Questionada, a montadora declarou apenas que “a decisão de reorganizar as atividades nas áreas produtivas de caminhões em Juiz de Fora, a partir de 2016, não trará reduções ao nível de emprego para a planta mineira”. A assessoria também confirmou o investimento no valor de R$ 230 milhões na fábrica juiz-forana.
Cadeia produtiva
As negociações entre Mercedes e trabalhadores também geram dúvidas sobre o futuro das oito terceirizadas da fábrica juiz-forana. Em entrevista concedida à Tribuna no início de agosto, parte das empresas havia confirmado a redução da produção por conta da crise que se abateu sobre o mercado automotivo. Ontem, as companhias Maxion, fornecedora de longarinas, e Seeber, responsável pela pintura de peças plásticas e metálicas, afirmaram que não receberam posicionamento da montadora sobre a transferência da produção de caminhões e ainda não planejaram ações a respeito.
O diretor operacional da Ceva, empresa de logística, Ruy Nogueira, disse que também não obteve informações sobre o novo escopo, “no entanto, já estamos alinhados com nosso cliente e faremos todos os esforços para atendê-lo em qualquer ambiente fabril”. O executivo declarou, ainda, que a empresa continuará “colocando expertise em toda e qualquer demanda da Mercedes”.
Negociações
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Regional Zona da Mata, Francisco Campolina, afirmou que as negociações sobre a fábrica da Mercedes em Juiz de Fora continuam. “Unimos várias esferas políticas que estão trabalhando para que empresa, trabalhadores e a Zona da Mata não saiam perdendo.” Segundo ele, a transferência da produção de caminhões para São Bernardo do Campo acarreta em uma redução de R$ 3 milhões em arrecadação para Juiz de Fora. Na próxima semana, está prevista uma reunião entre executivos da companhia e o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges, para discutir a situação.

