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Do leite às padarias: pão de queijo movimenta economia de Minas Gerais

dia do pão de queijo

Pão de queijo do Meiuca vale a pena pela diversidade de recheios (Foto: Leonardo Costa)

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Celebrado nesta segunda-feira (17), o Dia Nacional do Pão de Queijo coloca em destaque um produto que, além de fazer parte da identidade gastronômica de Minas Gerais, movimenta uma extensa cadeia econômica no estado. Minas concentra cerca de dois terços da produção brasileira, enquanto, em todo o país, são fabricadas aproximadamente 892,5 mil toneladas por ano, segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip).

A participação mineira começa antes mesmo da fabricação do pão de queijo. Em 2025, o estado produziu cerca de 9,78 bilhões de litros de leite e 48,5% do produto inspecionado em Minas foi destinado à fabricação de queijos, de acordo com o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados no Estado de Minas Gerais (SILEMG).

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A estrutura que abastece esse mercado inclui 775 estabelecimentos de laticínios e aproximadamente 134 mil produtores que fornecem leite para processamento industrial. Minas também liderou, no ano passado, a aquisição de leite cru por estabelecimentos sob inspeção, respondendo por 23,9% de toda a captação nacional, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) citados pela FIEMG.

Cadeia envolve diferentes setores da indústria mineira

Queijo, leite, mandioca e polvilho fazem com que a produção do pão de queijo alcance diferentes atividades econômicas. Na avaliação da Câmara da Indústria de Alimentos e Bebidas da FIEMG, a demanda pelo produto também ajuda a movimentar o mercado de laticínios, especialmente pelo consumo de queijo utilizado na fabricação.

Esse movimento ocorre dentro de um setor de alimentos que registrou R$ 164,5 bilhões em movimentação econômica em Minas Gerais em 2025. O valor correspondeu a 11,9% da produção brasileira de alimentos. O estado reúne quase 7 mil empresas do segmento e cerca de 247 mil empregos diretos, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) apresentados pela FIEMG.

A busca por aumento de produtividade também tem levado a mudanças na forma de produção. Equipamentos passaram a reduzir etapas manuais e a facilitar a fabricação em maior escala, enquanto tecnologias aplicadas ao polvilho diminuem a dependência das condições climáticas durante a secagem. Pesquisas relacionadas ao cultivo da mandioca também vêm permitindo a expansão da produção para diferentes regiões.

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Ao mesmo tempo, o setor enfrenta custos que podem repercutir no preço final. Gastos com energia, transporte e mão de obra atingem diferentes pontos da cadeia, desde a produção de leite e derivados até a fabricação e a comercialização do pão de queijo.

Pães de queijo ganham novas caras em Minas Gerais, sem perder a tradição (Foto: Leonardo Costa)

Pão de queijo mantém espaço entre os mais vendidos nas padarias

Na outra ponta da cadeia estão as padarias. Minas Gerais possui mais de 33 mil empresas ativas no segmento de panificação e confeitaria. Segundo a Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão), o pão de queijo está entre os produtos mais vendidos e, em muitos estabelecimentos do estado, perde em volume de vendas apenas para o pão francês.

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Nos últimos anos, o produto também ganhou novas apresentações. Além das versões tradicionais, as padarias passaram a oferecer opções recheadas, diferentes tamanhos e formatos e preparações como waffles de pão de queijo. A variedade ampliou as ocasiões de consumo sem afastar o produto de sua característica tradicional.

A versão congelada também contribui para a presença constante nos estabelecimentos. Por poder sair diretamente do congelador para o forno, o pão de queijo exige menos etapas de preparação do que outros produtos congelados de panificação, facilitando a operação das empresas. Entre mudanças no processo produtivo e novas formas de consumo, o setor avalia que a ligação do pão de queijo com a tradição mineira continua sendo um dos fatores que sustentam sua presença no mercado.

* Estagiário sob supervisão da editora Cecília Itaborahy

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