
Guilherme e Katty tiveram o faturamento triplicado após 90 dias de adesão ao marketplace (Divulgação)
Empresários em Juiz de Fora têm aderido ao marketplace como estratégia para aumentar as vendas e sobressair no mercado em tempos de crise. Os resultados têm sido positivos e alcançados em curto prazo – há quem triplicou o faturamento em apenas 90 dias. Este modelo de negócio funciona similar a um shopping center virtual, em que grandes sites oferecem espaço, para que outras empresas possam comercializar seus produtos. Para cada venda realizada, o empresário paga, no entanto, uma comissão de 13% a 16%. Os envolvidos garantem que a relação é vantajosa para ambas as partes.
Criada em 2009, a empresa netDECOR foi uma das pioneiras do país a trabalhar com e-commerce de móveis. A inserção no marketplace aconteceu em 2014. “Somos uma empresa familiar, que iniciou as vendas on-line numa época em que poucas pessoas acreditavam neste tipo de negócio. Sempre estudamos o ramo e tentamos nos manter atualizados, quando veio a oportunidade do marketplace, não tivemos receio em tentar”, relembra a sócia Katty Cuel.
A parceria aconteceu com a empresa Cnova, responsável por operar o e-commerce de grandes companhias de varejo, como Extra, Casas Bahia e Pontofrio, onde a netDECOR passou a vender seus produtos. “Somos uma empresa de pequeno porte, e o marketplace nos deu a possibilidade de sermos vistos por milhares de pessoas em todo o país. A mudança foi muito significativa. Em 90 dias, triplicamos as vendas”, relata Katty.
Atualmente, 30% do faturamento da empresa vem do marketplace. Mesmo com o cenário de crise, a empresa vive um momento de expansão. Na última semana, se mudou para uma sede maior, em Nova Era, e, até o fim do ano, pretende triplicar o número de produtos ofertados e dobrar a quantidade de funcionários. A expectativa é de crescer 35% em 2016.
Apesar de recente, a adesão ao marketplace também já trouxe bom retorno para a loja virtual Royal Magazine, empresa juiz-forana especializada em utilidades domésticas. Em dois meses, as vendas aumentaram 130%. Além de maior visibilidade, o proprietário Augusto Botelho destaca a credibilidade que os grandes sites oferecem. “Ainda há muito medo nas compras pela internet, e estar associado a estas grandes redes dá mais segurança ao consumidor. A transação pelo marketplace é realmente segura, pois nós só recebemos depois que a entrega já foi feita.”
Apesar de destacar que, em dez anos de mercado, este é um dos momentos de maior retração, Augusto vê o sistema como uma grande oportunidade. “Posso dizer que estou vendo uma luz no fim do túnel. O retorno tem sido muito positivo “, garante. “Acredito que o marketplace veio para ficar, e quem não estiver lá, daqui um tempo não estará em lugar nenhum.”
Momento é propício à adesão
O momento se mostra propício ao negócio, conforme analisa o consultor de marketing digital Renan Caixeiro. “O marketplace vem ganhando força no Brasil por causa do cenário econômico. As pequenas empresas enxergam o modelo como uma salvação, pois a venda em escala gera uma renda consistente, e a visibilidade torna mais fácil a prospecção de clientes.” Para a empresa gestora também há vantagens. “É uma chance de redução de custos, pois há oferta de uma grande variedade de produtos, mas não há o gasto com estoque ou logística.”
O especialista alerta que é importante que o lojista, antes de aderir, busque o marketplace de acordo com o seu nicho. “Há todos os tipos, para eletrodomésticos, eletrônicos, roupas, móveis, supermercados.” Entre os desafios, está o de se manter competitivo. “Várias empresas oferecem o mesmo produto. Neste mercado, o diferencial é o preço.”
O gerente comercial de marketplace da Cnova, Alexei Pfeiffer Pimenta, explica que não é necessário já ter um e-commerce para aderir ao sistema. O risco de toda a operação, incluindo SAC e aprovação do pedido, é feita pela empresa gestora, assim como, os custos relacionados ao desenvolvimento de site, hospedagem e divulgação. “É preciso que o negócio esteja consolidado, pois a empresa passará a fazer entregas para todo o país. É necessário ter nota fiscal eletrônica e um estoque para atender a demanda”, orienta.

