Ícone do site Tribuna de Minas

Salário sobe 1% acima da inflação

PUBLICIDADE

A população empregada, com carteira assinada, em Juiz de Fora cresceu 4,88%, passando de 128.062 para 134.320 trabalhadores em 2010, na comparação com o ano anterior. Já o rendimento médio do trabalhador não foi tão positivo. Segundo balanço municipal da Relatório Anual de Informações Sociais 2010 (Rais), divulgado no final de junho, o salário médio do juiz-forano teve um reajuste de 7% de um ano para o outro, passando de R$ 1.258 para R$ R$ 1.346,96. O valor representa um crescimento de praticamente 1% acima da inflação do período medida pelo IPCA (5,9%). Se comparado às dez maiores economias do estado, o resultado local só não é pior que o registrado em Betim, que ficou abaixo da inflação (ver quadro).

O levantamento mostra ainda que a média salarial na cidade é 8,11% menor que a média paga no estado. Se comparada com os dez municípios mineiros com maior Produto Interno Bruto (PIB) – ranking em que a cidade ocupa a quinta colocação – Juiz de Fora apresenta a terceira pior média de remuneração, ficando à frente apenas de Sete Lagoas e Montes Claros.

PUBLICIDADE

No levantamento por setor, o ramo de serviços – que emprega 45,55% da população com carteira assinada – coloca a Juiz de Fora à frente dos demais municípios em relação à média salarial. O salário desta atividade na cidade (R$ 1.536,47) só é menor que o pago em Uberaba (R$ 1.974,26) e Belo Horizonte (R$ 1.595,02). Já na indústria – que emprega 15% da mão de obra formal em Juiz de Fora – o salário (R$ 1.210,53) é um dos menores entre as cidades avaliadas, ficando acima apenas de Itabira (R$ 949,23).

Para o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Henrique Almeida, a média baixa é consequência da falta de investimentos no município por um longo período. "Há alguns anos, como não havia perspectivas de novas indústrias, grande parte da mão de obra qualificada migrou para grandes centros. Agora, com a chegada de várias empresas, acredito que a situação de baixos salários será revertida e vamos subir nesse ranking."

O presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Francisco Campolina, atribui os salários à escassez de grandes empresas no município com produtos de maior valor agregado. Segundo estudo produzido pela Federação, Juiz de Fora possui 97,42% de suas indústrias formadas por micro e pequenas, volume superior ao dos demais municípios avaliados. Em seguida vem Belo Horizonte, com 86,65%. De acordo com o estudo, a cidade com menor número de micro e pequenas empresas é Betim (72,74%).

Das 1.296 indústrias de Juiz de Fora, apenas 36 são médias ou grandes. "As empresas maiores, de produtos de alto valor agregado, pagam melhores salários. Desde que deixamos de ser uma cidade industrial, nos últimos 20 anos, passamos a focar na prestação de serviços." Segundo o professor da Faculdade de Economia da UFJF e pesquisador na área de economia do trabalho, Diego da Silva Rodrigues, o fato de a variação de salários na cidade ser inferior à dos demais municípios mineiros deve-se a seu perfil econômico. "Juiz de Fora tem um perfil em que os salários não respondem na mesma proporção às variações do produto, pois está focada em alguns setores da área de serviços, além de funcionários públicos." Ele avalia que, "se por um lado, os salários dos trabalhadores deixam de acompanhar o crescimento da economia, por outro as perdas salariais também são menores quando a economia perde o fôlego".

PUBLICIDADE

Valorização

Para o secretário de Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, André Zuchi, a atração de novos investimentos na área industrial e de serviços no município deverá ampliar a média salarial nos próximos dois anos. Em sua avaliação, a oferta de empregos de maior valor irá estimular a competição entre as empresas, que deverão oferecer ganhos maiores para manter seus profissionais qualificados ou atrair os que já atuam na indústria. Ele, no entanto, não se arrisca a estimar um aumento médio. "Chegaremos em um momento em que a definição de rendimento será dada pelos próprios empregados." O secretário também aposta no Parque Tecnológico para a criação de empregos de alto valor agregado.

PUBLICIDADE

 

Ganho na construção civil encolhe 22%

Na construção civil, o salário médio local teve redução de 22% em relação a 2009, passando de R$ 1.274,36 para R$ 987,48. Entre as dez maiores economias do estado, a remuneração do setor só foi maior que a de Montes Claros (R$ 849,86). A pesquisa revela ainda que o número de empregados na construção civil caiu quase 2% na comparação entre dezembro de 2010 e o mesmo mês do ano anterior, totalizando 8.510 trabalhadores.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Márcio Almeida, não sabe avaliar o motivo real da queda tão expressiva dos vencimentos neste ramo de atividade. Porém, considera a possibilidade de que tenha ocorrido o encerramento de grandes obras no ano passado, fazendo com que trabalhadores fossem dispensados e contratados, em seguida, com salários menores por outras empresas. "Não entendemos o motivo, pois o setor está muito aquecido desde 2008, e as construtoras estão inclusive tirando funcionários de outras com a oferta de salários menores", observa. Ainda de acordo com Almeida, uma das possibilidade é a oferta de benefícios não registrados na carteira de trabalho. "O piso hoje é R$ 770, mas os trabalhadores ganham hoje, em Juiz de Fora, entre R$ 900 e R$ 1.400."

PUBLICIDADE

O presidente do Sindicato das Indústrias de Construção Civil (Sinduscon), Leomar Delgado, também não sabe precisar a causa da redução, mas lembra que, no ano anterior, a média paga no setor foi praticamente 60% maior que em 2008, segundo a Rais. "É natural que aconteçam ajustes para se chegar a um equilíbrio." Ele também supõe que a valorização inicial ocorreu devido à contratação de profissionais mais experientes no início, com salários maiores.

Segundo o professor Diego Rodrigues, a queda dos salários na construção civil é uma característica do setor, que é tradicionalmente muito sensível às variações da economia. "Como o ritmo de crescimento está sendo menor, os ganhos no setor também tendem a diminuir mais rapidamente do que o observado em outras áreas."

De janeiro a maio deste ano, os salários já são 12% maiores que os pagos no mesmo período de 2010, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O carpinteiro Marcos Antônio de Almeida não se lembra da última vez que ficou desempregado e diz que os que têm conhecimento e experiência em suas funções conseguem obter salários até duas vezes maiores que o piso. "Os trabalhadores chegam a escolher quanto querem ganhar, pois a demanda está muito alta e faltam pessoas qualificadas no mercado." Ele explica que seu salário em carteira é de R$ 963, mas recebe até R$ 1.300 com benefício extras.

PUBLICIDADE

 

Cai diferença entre homens e mulheres em JF

Os dados da Rais também mostram que as mulheres continuam recebendo menos que os homens, mas a diferença entre os valores teve uma pequena redução. Em 2009, a média dos vencimentos femininos era 11,40% menor que a dos masculinos. No ano passado, essa diferença caiu para 10,21%. Com esse resultado, a cidade é uma das que menos discriminam a mulher no mercado de trabalho. Em alguns setores, contudo, a situação se inverte, e as mulheres ganham mais que os homens, sobretudo naqueles dominados pela mão de obra masculina.

Para o professor Diego Rodrigues, em um local onde o setor de serviços se sobressai, a tendência é que a diferença de salários por gênero seja menor do que em outra onde, por exemplo, a indústria pesada predomine. "Em setores como extrativa mineral, serviços industriais de utilidade pública, construção civil, administração pública e agropecuária, as mulheres têm rendimentos maiores que os homens, pois geralmente elas ocupam os cargos mais elevados, como os de chefia."

Apesar de a população feminina ser 52,7% do total na cidade, conforme o Censo 2010, no mercado de trabalho elas representam 41% da mão de obra empregada – 55.064 contra 79.256 homens, aponta a Rais.

Sair da versão mobile