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Motoristas de aplicativo paralisam atividades em JF

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Aderindo à mobilização que ocorre em todo o país, motoristas de transporte por aplicativo paralisaram as atividades em Juiz de Fora nesta quarta-feira (17). Além de se manterem off-line das plataformas no período de 6h às 22h, os trabalhadores realizaram carreata durante a tarde, em parceria com a categoria de motoboys.

Com a adesão de mais de 200 veículos, segundo o vice-presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos de Juiz de Fora (Amoaplic-JF), Sóstenes Josué Ramos de Souza, a ação foi considerada um sucesso. “Uma carreata com esse comparecimento, com o combustível ao preço que está, é muito significativa. Tivemos muitos motoristas que não puderam comparecer em função disso, mas hoje permaneceram em suas casas para aderir ao movimento.” Sóstenes ainda ressalta que a proposta do ato foi democrática, com respeito a quem não quis aderir, embora ele pontue que, nesses casos, a não adesão enfraquece o grupo de trabalhadores.

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A classe protestou contra os aumentos consecutivos da gasolina e o congelamento dos valores repassados pelas plataformas de aplicativo. “Vamos nos manifestar contra essa situação que tem prejudicado o nosso trabalho. Mas vamos respeitar todos os protocolos de segurança e não iremos sair dos carros. Valorizamos a nossa saúde e a das outras pessoas”, afirmou o presidente da Amoaplic-JF, Júlio César Peixe.

 

Motoristas já iniciaram concentração na Rua Coronel Vidal, no Bairro Mariano Procópio (Foto: Fernando Priamo)

Só em Juiz de Fora, as plataformas de transporte por aplicativo reúnem cerca de cinco mil trabalhadores, ainda conforme a entidade. “Também como forma de protesto, os trabalhadores cumprirão 24 horas sem abastecer nos postos”. Conforme mostrado em reportagem da Tribuna de Minas, após o sexto reajuste realizado pela Petrobras este ano, a gasolina ultrapassou a marca de R$ 6 nos postos da cidade.

Além das demandas relacionadas às tarifas do serviço e ao preço do combustível, o movimento também inclui questões relacionadas à segurança dos trabalhadores, como mapeamento de áreas de risco e câmeras de segurança nos carros, direito de defesa ao motorista, fim das punições por taxas de aceitação e cancelamento e a suspensão de algumas promoções promovidas pelas plataformas.

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O ato também é o pontapé para uma série de outras atividades, de acordo com o vice-presidente da associação. “Nas próximas semanas, vamos trabalhar no campo jurídico, entrando com ações na Justiça, contra as empresas. Vamos levar ao Ministério Público de Minas Gerais e ao Procon queixas sobre o preço dos combustíveis.”

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Carros concentrados na Rua Coronel Vidal, no Bairro Mariano Procópio, por volta das 14h15 (Foto: Fernando Priamo)

Mudança de visão

Para o vice-presidente da Amoaplic, Sóstenes Josué, o que os motoristas pedem é uma mudança no olhar para a categoria. “Queremos que as pessoas entendam o quanto estamos sofrendo nas nossas rotinas. Só para que se tenha ciência, quando comecei a trabalhar, conseguíamos abastecer com o etanol a R$2,30 o litro. Ultrapassamos a marca dos R$4,50, estamos falando de R$ 2 de aumento.”

O motorista Deivison Gal de Castro, que aderiu ao movimento, explica que o impacto é muito grande, porque todo ano há uma série de aumentos, mas não há reajustes nas tarifas dos aplicativos, de modo que o valor repassado aos motoristas seja equilibrado. “Estamos há quase 5 anos sem reajuste nenhum. Estão vendendo a gasolina a R$ 6. Tenho muitos amigos que estão trabalhando com carros alugados e não estão aguentando mais. A nossa briga é porque o valor pago por quilômetro ao motorista é muito baixo.”

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Além de se manterem off-line das plataformas no período de 6h às 22h, os trabalhadores realizaram carreata durante a tarde de quarta-feira, em parceria com a categoria de motoboys (Foto: Fernando Priamo)

Ele exemplifica as perdas dizendo que, antes, para obter R$ 100, os motoristas gastavam R$ 30 ou R$ 35 com combustível. Hoje, com o mesmo valor, precisam investir R$ 60. “O custo está alto demais. Quem trabalha com carro alugado paga, em média, R$ 70 na diária. Se recebe R$ 100, paga R$70 e ainda tem que abastecer, ou seja está pagando para trabalhar.”

Sóstenes reforça que os condutores não querem que a tarifa aumente para o passageiro, mas é preciso equilíbrio. “A maioria dos passageiros anda em veículos da plataforma porque o preço é bacana, mas ele não está justo. Queremos achar um meio termo, que o preço seja legal para o passageiro andar barato, mas precisamos que os motoristas ganhe direito.” Nessa conta, não entra só o combustível, mas também a desvalorização dos veículos e a manutenção dos mesmos, que também encareceu, segundo o vice- presidente da associação.

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Empresas

A Tribuna solicitou, por e-mail, um posicionamento das empresas que oferecem o serviço na cidade. Até o fechamento, a 99 não respondeu ao pedido. Por meio de nota, a Uber disse que, em todo início de ano, o comércio é impactado pela sazonalidade. “Uber não é exceção. Em janeiro e fevereiro, há menos passageiros à procura de viagens, em comparação com novembro e dezembro- e isso está ainda mais acentuado neste ano, com o aumento das restrições relacionadas à pandemia da COVID-19.”

Sobre a taxa, a empresa explica que era fixa em 25%. “Em 2018, ela se tornou variável e passou a fazer parte da estratégia da Uber em oferecer descontos para os usuários de modo a incentivar que eles façam viagens.” A Uber pontua haver uma confusão entre os motoristas parceiros sobre o valor da taxa, porque, em algumas viagens, ela pode aumentar, enquanto, em outras, pode diminuir. “É por isso que todos os motoristas parceiros ativos recebem toda semana, por e-mail, um compilado sobre os seus ganhos. Nesse e-mail, é possível conferir quanto ele pagou de taxa Uber naquela semana.”

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