O juiz-forano esteve mais endividado no último ano. Segundo levantamento realizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/JF) com base nos números da Serasa, o índice de endividamento da população da cidade cresceu 6% em 2011. Em 2010, o índice de pessoas inadimplentes havia registrado uma redução de 16,79% de janeiro a dezembro. A alta ocorreu mesmo após 6.546 terem acertados suas contas, entre novembro e dezembro, por meio da campanha Mutirão de Crédito, realizada pela CDL, quando o comércio local conseguiu recuperar R$ 1 milhão.
Ainda de acordo com a CDL, o volume de inadimplentes em dezembro cresceu 2,04% na comparação com o mesmo período de 2010. O crescimento da inadimplência ocorreu em um ano que o comércio registrou queda nas vendas ao longo de 2011, porém, houve aumento nas vendas natalinas, atingindo as expectativas dos órgãos locais.
Segundo o presidente da entidade, Vandir Domingos, o índice é um dos maiores já registrados pelo comércio local. De acordo com ele, a crise internacional aliada às medidas monetárias tomadas até meados do ano, como a elevação das taxas de juros, geraram incertezas tanto nos empresários quanto nos consumidores. As dívidas de médio e longo prazos, as altas taxas, principalmente as do cartão de crédito e do cheque especial, contribuíram, efetivamente, para a elevação desses índices. Ele também aponta que as facilidades de compra no cartão proporcionadas pelo comércio estão criando uma bola de neve da qual muitos consumidores não estão conseguindo escapar. Uma loja parcela em dez vezes, e a prestação acaba ficando pequena. Mas muitas pessoas não se lembram que já estão com outros parcelamentos e que, no final das contas, a fatura pode ficar acima das possibilidades de pagamento, consumindo uma quantidade muito grande do salário.
Na loja de calçados Di Santinni, os cheques não estão sendo recebidos desde o ano passado para conter a inadimplência. No entanto, segundo o gerente Irlei de Oliveira, a dificuldade de aprovação de crédito para clientes interessados em fazer o cartão da loja é grande. Ele contabiliza que apenas 25% dos clientes que preenchem o cadastro têm o crédito aprovado. O índice é alto na cidade. As pessoas estão muito endividadas, avalia. Na Humanitarian, o crescimento da inadimplência ao longo do ano passado – que chegou a 5%, quando a loja registrava uma média de 3% – levou a empresa a adotar outra medida. Os cheques e crediários foram extintos e todas as compras a prazo, com exceção do cartão de crédito, são feitas por meio de um cartão próprio da loja, administrado por uma financeira. Segundo o gerente João Carlos Corrêa, o cartão está sendo feito desde de dezembro e a expectativa é de que a inadimplência diminua.
Na Tricomania, os cheques ainda são aceitos, mas com uma série de restrições. Segundo a gerente Raphaela Alves, só são aceitos cheques quando a pessoa paga 30% da conta à vista, possui cadastro na loja, tem cheques de Juiz de Fora e possui conta ativa há mais de um ano. Além disso, ainda fazemos consulta antes de aceitar para evitar inadimplência.
Na capital, Belo Horizonte, os números da CDL mostram um crescimento bem inferior ao de Juiz de Fora. No acumulado do ano, o aumento de registros de inadimplência foi de 1,91%. Já na comparação com dezembro de 2010, houve um crescimento de 4,67%.
Índice no país foi de 22,3%
No país os números são ainda mais alarmantes. Segundo a Serasa, o total de consumidores inadimplentes no país aumentou 22,3% em 2011 na comparação com o ano anterior. O mês de dezembro de 2011, em relação ao último mês de 2010, apresentou alta de 15%. Ainda de acordo com o levantamento, o valor médio das dívidas em 2011 ficou em R$ 1.127,06, queda de 6% em relação aos R$ 1.199,52 verificados no ano anterior. Na análise da empresa, o consumidor teve no ano passado sua capacidade de pagamento de dívidas diminuída por causa de medidas de restrição ao crédito e aumento nas taxas de juros.
A previsão do órgão é que esse cenário de alto nível da inadimplência deva continuar neste ano, mesmo com parte das medidas restritivas ao crédito já revogadas e com a economia em processo de redução dos juros básicos. O maior crescimento da inadimplência em 2011 foi verificado na Região Centro-Oeste (26%), seguida pelo Norte (22,4%), Sudeste (22,3%), Sul (21,7%) e Nordeste (20,8%). Os protestos de pessoas físicas recuaram 3,5% em 2011 em relação ao ano anterior. O mesmo ocorreu com a devolução de cheques, que caiu 3,6% no mesmo período.
