
Esdeva aposta em parceria para reutilizar papel descartado
Um dos pontos-chave para o desenvolvimento da sustentabilidade ambiental, a coleta seletiva já é realidade para 73% das empresas do país. O percentual foi identificado em pesquisa realizada pela consultora Delloite com 108 organizações brasileiras, de todos os portes e serviços, que mostrou, também, que 20% das empresas entrevistadas têm planos para implantar a medida. Em Juiz de Fora, a separação do lixo a fim de reaproveitá-lo ou destiná-lo corretamente faz parte da rotina de companhias dos mais variados setores.
Com recolhimento médio de 790 mil quilos de papel por mês, a Esdeva Indústria Gráfica trabalha em parceria com uma empresa recicladora para que o material possa ser reaproveitado. "A coleta seletiva teve início com a implementação do sistema de gestão ambiental", explica o diretor geral da Esdeva, André Neves. Desde então, a prática tem passado por aperfeiçoamento. "São ações que vão desde melhorias na instalação, identificação dos coletores para que a segregação do resíduo ocorra na fonte geradora até o treinamento dos colaboradores e prestadores de serviço visando à conscientização quanto à importância desta prática", afirma a analista do Sistema de Gestão Ambiental, Aparecida Eveling Cabral.
Para o diretor, o investimento em coleta seletiva é válido. "A redução na geração dos resíduos e a possibilidade de destinarmos grande parte para reciclagem, reduzindo o descarte em aterro sanitário, são os maiores benefícios." A analista destaca as vantagens da prática em termos econômicos. "Através da coleta seletiva é possível gerar recurso a partir do resíduo." Segundo ela, as ações em prol da sustentabilidade realizadas pela Esdeva incentivam os colaboradores, que atualmente chegam a 800, a adotarem uma postura socialmente responsável.
Há mais de três anos, a Flórida – indústria de alimentos – também realiza a coleta seletiva. Recentemente, a empresa criou uma estação de tratamento para os resíduos. "Construímos quatro abrigos temporários que recebem plástico, metal, lâmpadas e vidrarias, e produtos perigosos como óleos, graxas e químicos", explica a gestora de qualidade, Luciene Oliveira Franco. Na estação de tratamento, os resíduos líquidos são preparados e ganham aspecto sólido para a reutilização em adubo. Ela conta que a empresa arrecada duas toneladas de lixo por semana – destas 30% correspondem a papel e resíduos líquidos que são 100% reaproveitados. Para trabalhar a conscientização dos 150 funcionários, a Flórida realiza anualmente a "semana do meio ambiente". "Trazemos palestras e medidas práticas que podem ser adotadas no ambiente de trabalho e em casa".
Além da segregação dos materiais orgânicos dos inorgânicos, a ArcelorMittal criou uma usina de compostagem de lixo onde é feita a triagem do material que é encaminhado para empresas especializadas. "A empresa tem uma grande preocupação com o meio ambiente. Além da usina, temos a Casa da Natureza, que é um centro de educação ambiental onde recebemos estudantes da rede pública e privada para trabalharmos o tema", ressalta o gerente de recursos humanos, qualidade e meio ambiente, Ricardo Schmidt Araújo.
Segundo ele, 50 quilos de lixo orgânico são arrecadados diariamente pela ArcelorMittal. Entre os itens inorgânicos, papel, plástico e madeira são os principais materiais coletados. O lucro com a venda destes produtos é destinado à Pró-Voluntário, ong formada por colaboradores da empresa que atua na área de responsabilidade social. "Percebemos que as práticas da organização geram orgulho e sentimento de pertencimento. Cerca de 25% do nosso quadro de colaboradores, que hoje chega a mil, participam destas ações."
Consciência e certificação
De acordo com Anselmo Bonservizzi, sócio da Delloite, a pesquisa revela conscientização por parte dos empresários. "As organizações brasileiras entendem hoje a importância de se discutir as melhores soluções para o desenvolvimento sustentável, especialmente num contexto em que os agentes de negócio se voltam para a construção de uma economia verde."
Para o presidente da Fiemg Regional da Zona da Mata, Francisco Campolina, a situação em Juiz de Fora reflete os dados da pesquisa. Para ele, os empresários da cidade estão informados sobre questões ambientais e motivados a atuarem na área. "Cerca de 180 empresas participam do Seminário de Responsabilidade Social que a nossa entidade realiza." Sobre a adoção do sistema de coleta seletiva, Campolina identifica que a adesão das empresas tem sido cada vez maior. "A prática é um dos requisitos para a obtenção das licenças municipal e estadual. O número de organizações que as possui vem crescendo muito."

