
Os juiz-foranos enfrentaram uma série de problemas decorrentes de queda de energia elétrica que atingiu 14 bairros e distritos da Zona Rural da cidade no fim de semana. Além da chuva, panes em equipamentos da Cemig afetaram o abastecimento por várias horas. Na região central, a interrupção foi motivada pela queima de um transformador da rede subterrânea da Cemig, em pleno Calçadão da Rua Halfeld. Em consequência, boa parte das lojas do Centro ficou fechada no primeiro domingo de vigência do horário estendido de comércio. Embora os estabelecimentos tenham iniciado o atendimento ao meio-dia, muitos foram obrigados a suspender as vendas cerca de quinze minutos depois, quando foram ouvidos dois estouros, seguidos por uma nuvem de fumaça preta que assustou consumidores e lojistas. A causa do problema está em apuração pela perícia técnica da Cemig.
O gerente da Humanitarian, Robson Silva, mostra o local da queima e diz que foi obrigado a fechar a loja quinze minutos após a abertura. “Foi um barulho enorme,” afirma, lembrando que, logo após as explosões, foi vista uma fumaça densa. Segundo Robson, a energia foi retomada após as 15h, e a expectativa de vender até R$ 20 mil no dia foi comprometida. A vendedora da Romana, Michele Araújo, relata que os funcionários ficaram assustados com a explosão. “Havia muitas pessoas passando na hora.” Na loja, a opção foi manter as portas abertas, mesmo sem luz. O impacto no faturamento foi considerado inevitável, já que a maioria das operações é realizada com uso de cartão de crédito.
O vendedor da Magnum, Ricardo Almeida, observa que os lojistas estão apreensivos, porque não é a primeira vez que um apagão afeta a região. Há pouco mais de um mês, no dia 6 de novembro, a interrupção no abastecimento também afetou os estabelecimentos comerciais e chegou a durar mais de quatro horas. Na Magnum, a expectativa era vender, pelo menos, R$ 5 mil no domingo. O superintendente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio), Sérgio Costa de Paula, acredita que houve prejuízo, mesmo não sendo possível quantificá-lo. Além do transtorno para os lojistas, destaca o fato de o consumidor ter se preparado para fazer compras no domingo, mas ter encontrado lojas fechadas. “Pegou todo mundo de surpresa.”
Problema recorrente nos bairros
O incidente aconteceu próximo ao número 600 do Calçadão, mas os problemas não ficaram restritos ao Centro. Em vários outros pontos da cidade – e durante todo o final de semana – juiz-foranos reclamaram da falta de energia, verificada em bairros como Morro da Glória, Manoel Honório, Borboleta e Cidade Alta, além de localidades da Zona Rural. No Bairro Retiro, região Sudeste, o problema teve início no domingo à noite e perdurou até ontem pela manhã. Conforme o morador da Rua Walfrido Machado de Mendonça, Rodrigo Batista, o fornecimento está intermitente. “Toda vez que ameaça chover, o transformador estoura, e a gente fica sem luz. Fico com medo de estragar a insulina do tio da minha esposa, que precisa ser mantida refrigerada. Caso a gente a perca, o prejuízo será de R$ 400. Meu vizinho perdeu eletrônicos com os ‘piques’ de energia.”
O problema também acontece na Zona Rural. A contadora Ivanir Duque denuncia que a casa da mãe, localizada na BR-267, na divisa com Lima Duarte, está sem luz desde a última sexta-feira. “Minha mãe tem 94 anos e possui três filhas com necessidades especiais. Elas estão sem condições de viver lá, porque o abastecimento é feito por meio de bomba elétrica.” Segundo Ivanir, o problema é recorrente, mas, desta vez, foi agravado pelo longo período sem energia. “A Cemig não atende, já fizemos muitas reclamações.”
Cemig detalha ocorrências
Problema recorrente nos bairros
A Cemig, por meio de sua assessoria, informou que, considerando o final de semana – do dia 11 ao dia 13 -, os bairros atingidos pelas interrupções de energia elétrica foram: Aeroporto, Novo Horizonte e Parque Jardim da Serra, com restabelecimento após uma hora e 14 minutos de corte. A causa foi queda de árvores sobre a rede elétrica durante a chuva que caiu sobre Juiz de Fora. Sobre a interrupção em parte da área central, o motivo foi a queima do transformador da rede subterrânea. Conforme a companhia, o tempo de restabelecimento para 90% dos clientes foi de uma hora e 50 minutos.
Já em Mariano Procópio, Morro da Glória (parcial), Chalés do Imperador, Parque Imperial, Jardins Imperiais, Serro Azul e Granville, a quebra de cruzeta (peça de madeira que compõe a estrutura do poste e sustenta o cabeamento de alta tensão) provocou queda de energia, com duração média de uma hora e trinta minutos. A Cemig também identificou problemas em Avenida Getúlio Vargas, Rua Batista de Oliveira (parte baixa), Francisco Bernardino e Largo do Riachuelo, em função da quebra de outra cruzeta durante o temporal. Neste caso, a retomada aconteceu em duas horas e 40 minutos. Nos bairros São Pedro, Bosque do Imperador, Grota dos Brugger, Vina Del Mar e Spina Ville, a falta de energia, que durou cerca de três horas, foi provocada por queda de galhos de árvores sobre a rede elétrica durante a chuva. Já as localidades de Penido, Granjeamento Por do Sol, Toledos e zonas rurais tiveram seu restabelecimento em tempo médio de uma hora e 40 minutos. Lá, o problema foi a queda de árvores de grande porte sobre a rede elétrica, com rompimento de cabos.
Em relação ao problema relatado pela contadora Ivanir Duque, a companhia afirma que já existe uma reclamação formalizada em andamento. A informação é que, para ter atendimento priorizado, o cliente deve registrar, na concessionária, a existência de pessoas dependentes de equipamentos elétricos indispensáveis à vida.
* Colaborou Nathália Carvalho

