
Depois de sofrer fratura exposta, Carlos Alberto de Almeida só conseguiu marcar perícia para março (FERNANDO PRIAMO/14-12-15)
Depois de completar cem dias de paralisação no último domingo, a greve dos médicos peritos do INSS continua a oferecer transtornos aos usuários. Dados do próprio instituto apontam que cerca de um milhão de perícias deixaram de ser realizadas desde o início da paralisação, algumas inclusive agendadas para junho de 2016. Ontem, até o fechamento desta edição, eles ainda não tinham votado a proposta oferecida pelo Governo, que consiste no reajuste geral dado ao funcionalismo público e a criação de um comitê de reestruturação da carreira. A proposta, no entanto, não trata da efetivação da jornada de 30 horas e do fim da discussão da terceirização das perícias. Enquanto isso, 30% do efetivo atua no atendimento pericial das três agências em Juiz de Fora.
Ontem, a Tribuna esteve na agência do INSS na Avenida dos Andradas. A operadora de caixa Andreza Izolina, 20, relata que, por dores nas articulações dos braços, precisou se afastar das funções do supermercado onde trabalhava. Seu exame pericial, entretanto, só foi agendado para o dia 7 de julho do ano que vem. Segundo ela, a empresa a afastou durante os dias que lhe coube e agora ela precisa da licença pelo instituto. “Não vou receber durante os meses de espera”, lamenta.
Mecânico autônomo de caminhões, Carlos Alberto de Almeida, 47, mora em Valença (RJ) e teve o exame de perícia marcado apenas para março de 2016. Com um ferimento de fratura exposta no dedo da mão, ele deixou a agência da Avenida dos Andradas ontem preocupado com o agendamento, já que ficará sem receber durante o período, dependendo do parecer do médico que venha a lhe atender.
Também mecânico, Leandro Márcio Anacleto, 37, também tentava a perícia na agência do INSS ontem. O exame, agendado para 11 de março, irá avaliar a situação de seu braço, após um acidente de moto, além de problemas na pressão arterial. Morador do Bairro Ipiranga, na Zona Sul, ele tenta o afastamento do trabalho, mas terá de esperar o retorno dos médicos para receber os laudos.

