
AE – Odiado por uns, amado por outros, o horário de verão começará a vigorar a partir da 0h deste domingo (15), quando os relógios deverão ser adiantados em uma hora. A medida será adotada nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país até 19 de fevereiro de 2017. O objetivo da hora alternativa é estimular o uso da luminosidade natural e, consequentemente, a economia de energia elétrica durante os horários pico, das 18h às 21h. Neste ano, a expectativa do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é que haja uma economia de R$ 147,5 milhões. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste o racionamento deverá ser de 3,7%, enquanto o Sul deve poupar 4,8%.
A estimativa atual é menor do que o total do ano passado, quando foram racionados R$ 162 milhões. Segundo a ONS, a economia em 2015 foi maior porque não foi necessário maior uso da energia das usinas termelétricas. Em Minas Gerais, a Cemig estima que a redução de demanda em sua área de concessão seja equivalente a 340 MW, o que corresponde à demanda de pico de uma cidade com 800 mil habitantes. Em Minas Gerais, a economia de energia será de até 0,5%, ou 108 GWh, suficiente para abastecer Belo Horizonte por nove dias.
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, nos últimos dez anos, o horário de verão possibilitou uma redução média de 4,5% na demanda por energia no horário de maior consumo e uma economia de energia de 0,5%, o que equivale, em todo o período do horário de verão, aproximadamente ao consumo mensal de energia da cidade de Brasília, com 2,8 milhões de habitantes. De acordo com o engenheiro de planejamento do sistema elétrico Wilson Fernandes Lage, da Cemig, o horário de verão garantirá a redução do carregamento nas linhas de transmissão, transformadores, sistemas de distribuição e unidades geradoras de energia. “O grande benefício dessa redução é o aumento da confiabilidade e segurança da operação do sistema elétrico, reduzindo o risco de ocorrência de interrupções do fornecimento de energia”, afirma. Outra vantagem mencionada pelo engenheiro é o menor gasto de energia, principalmente nas classes comercial e residencial. “Isso ocorre devido ao menor tempo de utilização da iluminação artificial, que pode reduzir até 5% o consumo mensal dos clientes”, esclarece Wilson (ver quadro).
AE – O horário de verão, que começa neste domingo, sempre divide opiniões. Há quem não sinta os efeitos de adiantar o relógio em uma hora, mas outras pessoas reclamam dos efeitos da mudança, que podem incluir sonolência, desatenção e dificuldade para dormir ou acordar mais cedo. Pequenas alterações nos hábitos podem ajudar a enfrentar melhor os primeiros dias do período, que vai se encerrar em 19 de fevereiro de 2017.
“Existem vários tipos de ritmos de vigília e sono e cada pessoa tem um horário para dormir e acordar. O horário de verão funcionaria como uma mudança de fuso horário. Costuma ser mais difícil na entrada do que na saída”, explica a neurologista Dalva Poyares, presidente da Associação Brasileira de Medicina do Sono e especialista da Associação Brasileira do Sono.
Segundo Dalva, pessoas que desempenham melhor as atividades no período matutino tendem a se adaptar com mais facilidade do que as pessoas que se consideram noturnas. “Mudar o horário externo também muda o horário interno. Muda a hora de comer, de ir ao banheiro, mas a maioria das pessoas se adapta.”
A neurologista recomenda a exposição à luz solar durante a manhã e evitar o prolongamento da diversão após o trabalho. “Se você olhar, o movimento nas ruas e nos restaurantes é sempre maior. As pessoas não vão deixar de ter a happy hour, mas devem tomar cuidado para que isso não atrase a hora de ir para a cama.”
Transição
O neurologista Renan Barros Domingues, membro da Academia Brasileira de Neurologia, recomenda que a transição seja feita de forma gradual e que tanto no fim de semana quanto na primeira semana do novo horário. Ele diz que técnicas utilizadas para combater a insônia também podem ser utilizadas durante a fase de adaptação.
“As pessoas podem evitar tomar café depois das 15 horas, fazer atividades físicas durante a manhã, desligar eletrônicos duas horas antes de dormir e não fazer atividades estressantes na cama. Se a pessoa tiver dificuldade para dormir, também não deve brigar com o sono. Pode fazer uma coisa relaxante, como ouvir uma música tranquila.”
Domingues recomenda que as pessoas fiquem atentas com a qualidade do sono, não só no período. “Perda de concentração, irritabilidade, aumento do risco cardiovascular estão entre as consequências de não ter uma boa noite de sono. Independentemente do horário de verão, pessoas com dificuldade para dormir devem procurar ajuda médica, porque o sono é extremamente importante.”

