
Os juiz-foranos devem gastar quase R$ 3,4 bilhões ou 26% do seu potencial de consumo na manutenção do lar este ano, incluindo nesta conta o aluguel e as tarifas de água, luz e gás. Outras despesas, que vão de supérfluos, como salão de beleza, a impostos, pensão e tarifas bancárias, consomem mais R$ 2,6 bilhões ou 20% do bolo. A alimentação no domicílio está em terceiro lugar, respondendo por R$ 1,4 bilhão (10,8%). Em seguida estão gastos com material de construção (6%), medicamentos e outras despesas com saúde (5,9%), veículo próprio (4,67%) e alimentação fora do lar (4,41%).
O mapeamento integra o estudo IPC Maps, que mensura o share de consumo ou a participação de cada município nos gastos em potencial no país. É realizado pela IPC Marketing Editora e tem por base dados atualizados de fontes oficiais, como o IBGE, compilados em metodologia própria adotada há mais de 20 anos.
Na classe B, material de construção supera alimentação fora do lar
Apesar de a maioria dos domicílios juiz-foranos ser constituída pela classe C (50,5%), é a classe B que tem maior potencial de consumo na cidade. Enquadram-se nesta situação as famílias cuja renda média domiciliar varia de R$ 4.427,36 a cerca de R$ 20 mil. Elas respondem por 42,4% da capacidade de consumo municipal. Em seguida, está a classe C, com 35,9% de participação e ganhos que variam de R$ 1.446,24 a pouco mais de R$ 4 mil. No ano anterior, a classe B mantinha a liderança, em percentual maior, com 50%. Já a classe C permanecia na segunda posição, com menor participação, 24,6%.
Uma particularidade da classe B é que os gastos com material de construção, estimados em R$ 475 milhões ao ano, devem superar os com alimentação no domicílio – R$ 469 milhões em Juiz de Fora. As despesas com veículo próprio, calculadas em R$ 300 milhões, também ganham destaque no potencial de consumo desta categoria, seguido pela alimentação fora do lar (R$ 238 milhões). Já na classe C, a alimentação fora do domicílio, orçada em R$ 218,8 milhões, só perde para a manutenção do lar, outras despesas e alimentação no domicílio, nesta ordem.
Embora o consumo de medicamentos e outras despesas com saúde esteja entre as prioridades de gastos dos juiz-foranos, o mesmo não acontece em relação à educação. Na pesquisa, o potencial de consumo com livros, material escolar, matrículas e mensalidades representa quase R$ 303 milhões no ano. Perde espaço, por exemplo, para a compra de peças do vestuário, que deve atrair R$ 432 milhões este ano, e gastos com transporte urbano, capaz de absorver outros R$ 307 milhões. Neste caso, considera-se a média verificada na cidade.
Com o potencial de consumo total calculado em R$ 13,2 bilhões, Juiz de Fora ocupa a quarta posição no ranking mineiro e a 37ª no nacional. Em 2014, o valor estimado para o município era de R$ 10,6 bilhões. Apesar do aumento de 24%, a cidade perdeu uma posição no estado – para Contagem – e recuperou outra à nível nacional. Em Minas, o desempenho também é inferior aos de Belo Horizonte e Uberlândia. O potencial per capita anual urbano é de R$ 23.909,06 e rural, de R$ 12.161,23.
Na opinião do responsável pelo estudo, Marcos Pazzini, apesar de ter perdido uma posição no ranking mineiro, o desempenho de Juiz de Fora é positivo. Em 2014, o IPC Maps foi de 0,32605 e em 2015 é de 0,35382. Na prática, isso significa que, para cada R$ 100 gastos no país, R$ 0,32 saíram do bolso do juiz-forano no ano passado. A estimativa é que, este ano, o valor suba para R$ 0,35. Além de ter aumentado a participação no cenário nacional, o ganho representa mais de R$ 1 bilhão no bolso da população local, explica.
Pazzini identifica, ainda, queda no potencial de consumo da classe A, movimento que não se repetiu nos outros segmentos econômicos. Outra constatação foi a redução na quantidade de domicílios das classes A e B. Em ambos os casos, o cenário é atribuído a mudanças do Critério Brasil, modelo de estratificação social atualizado em janeiro desse ano. Entre as principais diferenças adotadas estão substituição da renda declarada por variáveis indicadoras de renda permanente e o uso da Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE.
Interiorização do consumo e geração de renda
Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Emprego e Renda, André Zuchi, apesar da perda de posição para Contagem, o fato de Juiz de Fora se manter em destaque no interior mineiro – entre os três grandes centros de consumo – e figurar na lista das 50 primeiras cidades do país é positivo. Na avaliação de Zuchi, a interiorização do consumo já percebida no restante do país se reflete na cidade. Por sua condição polo, tem vantagem comparativa, avalia. “A tendência é melhorar com o novo shopping (Jardim Norte, previsto para ser inaugurado ainda este ano) e a chegada de grandes redes varejistas.” Conforme o secretário, o potencial de consumo é um indicador importante na atração de investimentos, que costuma ser levado em conta pelas empresas em expansão.
Na avaliação da professora da Faculdade de Economia da UFJF, Fernanda Finotti Perobelli, menos importante do que o Município ter potencial de consumo, é incentivar a geração de renda para a sua população. “Primeiro é preciso ter renda, para depois consumir.” A prioridade de gastos em relação a manutenção do lar e alimentação no domicílio comprovam, na sua opinião, a preocupação em atender às primeiras necessidades. “Nas famílias com menor renda não há espaço para gastos com saúde e educação, por exemplo. As famílias fazem escolhas e ainda bem que são nessa ordem”, comenta.

