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Juros desafiam o consumidor

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A taxa de juros ao consumidor pessoa física atingiu a média de 6,6% no mês de fevereiro, o maior índice desde novembro de 2011, conforme pesquisa realizada pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). O levantamento mostrou que as seis linhas de crédito mais utilizadas pelos brasileiros – cartão de crédito, cheque especial, empréstimo pessoal em bancos, empréstimo pessoal em financeiras, juros no comércio e Crédito Direto ao Consumidor (CDC – financiamento de automóveis) – tiveram os juros elevados no último mês. Especialistas orientam sobre as melhores maneiras para enfrentar os juros, já que a expectativa é que as taxas continuem aumentando.

O diretor executivo de estudos e pesquisas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, explica que o aumento dos juros é motivado pelo risco do crescimento da inadimplência no país. “Os bancos aumentam as taxas para compensar as prováveis perdas.” Ele alerta que, neste momento, o consumidor deve ficar muito atento para não perder o controle. Para quem já está endividado, ele orienta a renegociar as dívidas e reduzir os gastos.

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Já os consumidores que precisam tomar algum empréstimo, a atenção deve ser redobrada. Dentre as opções do mercado, os especialistas são unânimes em afirmar que o cartão de crédito e o cheque especial são as mais perigosas. “O uso de crédito nestas modalidades é proibitivo e só deveria ser uma opção em ocasiões inesperadas, como acidentes ou problemas de saúde. O uso desse recurso é uma maneira chique de se morrer pobre”, avalia o coordenador do curso de economia da Faculdade Makenzie Rio, Marcelo Anache.

No caso do cartão, a taxa média de juros é de 11,67% ao mês chegando a 276,04% no ano. A professora da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Fernanda Finotti Perobelli, salienta a diferença entre “compras no cartão” e “refinanciamento via cartão de crédito”. “Normalmente, a compra parcelada no cartão sai pelo mesmo valor da compra à vista, o que é bem interessante para o consumidor. O que não pode ocorrer jamais é o pagamento mínimo do cartão (refinanciamento), que nesses casos chega a juros abusivos.”

Consignado ainda é melhor opção

Unanimidade também entre os especialistas é que o crédito consignado é a alternativa mais viável nesse momento. “Se o crédito for para a quitação de dívidas, o consumidor que tiver acesso ao consignado, muito provavelmente encontrará juros menores do que no empréstimo pessoal”, orienta Anache. “Se não tiver acesso, o empréstimo pessoal em bancos seria a melhor opção, pois o consumidor pode se beneficiar de um relacionamento já existente com a instituição bancária.”

A recomendação de Perobelli é para que o consumidor procure o banco parceiro e negocie empréstimos bem definidos em termos de prazo e garantias.

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Anache alerta, ainda, que para evitar o superendividamento, não se deve deixar que as parcelas dos empréstimos ultrapassem 30% da renda mensal familiar. “Também é aconselhável optar pelo pagamento de menor quantidade de parcelas em um financiamento para evitar o pagamento de juros altos por um longo período.”

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