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Apesar de novas medidas, serviço de táxi não avança

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Apesar das melhorias no serviço de táxi implementadas pela Settra nos últimos meses, como disponibilização de linhas exclusivas para solicitação de carros para pessoas com dificuldade de locomoção, destinação de pontos livres para os veículos e criação de linhas telefônicas para reclamações de usuários, os juiz-foranos continuam enfrentando problemas. A situação é mais grave para quem precisa de táxis adaptados. O público reclama que é difícil conseguir um carro, principalmente nos fins de semana, e os próprios taxistas confirmam que o sistema não é eficaz.

Já os usuários de carros comuns sofrem com as linhas de teletáxis sempre ocupadas. A Setrra, em contrapartida, não aponta mudanças na área. Nas ruas, o número de táxis continua sendo um agravante por não dar conta de atender à população, provocando filas nos pontos que já se tornaram comuns em qualquer dia da semana e em vários horários.

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A cidade conta com 545 táxis, sendo dez deles adaptados para atender pessoas com deficiência. Quatro destes começaram a circular em julho. De acordo com a subsecretária Operacional de Transporte e Trânsito, Roberta Ruhena Vieira, o uso do táxi adaptado aumentou 37% em agosto, passando de 251 para 345 utilizações. Entre agosto e setembro, a utilização cresceu apenas 3% (356 atendimentos). A informação é baseada no relatório mensal que começou a ser exigido dos permissionários sobre os atendimentos prestados por cada carro, uma das medidas adotadas pela pasta visando a avanços no sistema.

 

Agendamento

Em julho, foram disponibilizadas três linhas de telefone exclusivas para agendamento de corridas para aumentar a eficiência do serviço especializado. O Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência realizou ainda um curso com os motoristas de táxis adaptados, abordando princípios básicos relativos às pessoas com deficiência, buscando auxiliar o trato dos taxistas com os usuários.

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Mas nem isso amenizou os problemas. De acordo com a presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, Valéria Andrade, há muitas reclamações de que nos finais de semana a situação é ainda mais complicada para conseguir carros adaptados. "Queremos saber o que está acontecendo. Os taxistas já fizeram propostas, a Prefeitura atendeu, acordamos um monitoramento de funcionamento dos carros. Se não estão atendendo é porque não querem. Já se esgotaram todas as possibilidades de acordo", ressalta. Valéria lembra que a recusa ao atendimento é considerado crime, e que o Conselho está atento. "A orientação é que o passageiro que tiver problema registre a reclamação junto à Settra , se possível, com número do motorista, placa do carro e horário da chamada. Com essa queixa, o conselho pode oficiar ao promotor dos direitos da pessoas com deficiência sobre a recusa. É uma violação do direito."

 

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Serviço adaptado não é satisfatório

Mãe de uma jovem de 18 anos, que é cadeirante, Berenice Maciel conta que sofre por antecipação quando sabe que vai precisar utilizar o táxi adaptado. "Começo a ligar mais de uma hora antes porque é difícil conseguir. Teve uma vez que quase perdemos a viagem. Por sorte, um motorista de táxi comum aceitou me pegar e seguir com o porta-malas aberto para caber a cadeira de rodas", relata.

A assistente social do Instituto Bruno Gabriela Lawall, onde são atendidas pessoas surdocegas com múltiplas deficiências, diz que muitas vezes os assistidos precisam do veículo adaptado para o deslocamento de casa para a entidade e até mesmo para solicitações de urgência, e enfrentam dificuldades. "O carro nunca pode ser de pronto-atendimento. No mês passado, uma família precisou ir a uma consulta, e o táxi demorou. O médico ainda deu tolerância de 20 minutos, mas eles não chegaram. Foi preciso remarcar", conta.

O Sindicato dos Taxistas assume que o serviço dos carros adaptados não é satisfatório. "Infelizmente, a gente ainda não conseguiu atender com prioridade os deficientes", diz o presidente da entidade, Aparecido Fagundes. Como os táxis adaptados não são exclusivos desse sistema e a tarifa também não é diferenciada, segundo Fagundes as queixas são referentes ao gasto na locomoção para buscar os passageiros, que muitas vezes não compensa. Ele concorda que deve haver fiscalização do setor. "Esses taxistas precisam atender ao objetivo do sistema. Deveria haver punição para quem descumprisse isso", reforça.

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Para a Associação dos Taxistas, o sistema de táxi adaptados não deu certo. "Quando o movimento está ruim na rua, o taxista acaba atendendo o pedido feito via rádio. Mas, com movimento no ponto, como (o taxista) vai atender o pedido do rádio", questiona o vice-presidente da associação, Carlos Roberto da Silveira. Ele denuncia que alguns veículos adaptados estão até circulando sem rádio, o que impediria acionamento via telefone. De acordo com a Settra, a denúncia não procede. Entretanto, não há lei que obrigue a colocação dos rádios nos veículos. A pasta relatou ainda que faz um trabalho de conscientização junto aos taxistas.

 

 

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Sem mudança para teletáxis

A dificuldade para conseguir um táxi começa ao telefone. São três empresas que fazem o atendimento e, segundo usuários ouvidos pela Tribuna, o sistema fica constantemente indisponível. Apesar das queixas, a Settra informou que não há mudanças previstas para essa área. Segundo a assessoria de comunicação da pasta, o foco da secretaria era melhorar o sistema adaptado, onde foram realizadas as modificações para atender aos usuários.

Nas ruas, pontos de táxis com filas de passageiros aguardando a chegada dos carros são cenas corriqueiras. A Tribuna percorreu vários pontos no Centro em dias alternados, como terças e quintas-feiras. Na Rua Batista de Oliveira, esquina com a Rua Halfeld, em plena terça, por volta das 19h, a fila chegou a contar com até sete pessoas. "Depois desse horário, a situação fica complicada. Com o táxi está sendo a mesma dificuldade que enfrentamos com os ônibus. Ficamos na fila e esperando por muito tempo", diz a aposentada Sandra Dias. O contador Kelson André afirma que o serviço não melhorou em nada nos últimos tempos. "Está tudo igual. Agora, por exemplo, é horário de pico e já estou há mais de 15 minutos aguardando."

A aposentada Márcia Moreira da Costa aponta que o atendimento na Zona Norte é bastante complicado. Ela conta que tem um filho que mora no Bairro Jóquei Clube. "Nessa região, chamando eles vão. Às vezes saio, daqui do Centro e vou lá buscá-lo, já que tem também meu neto pequeno", relata. Sobre o atendimento pelo telefone, ela se queixa. "Parece que eles tiram do gancho porque vive ocupado. A saída tem sido combinar a corrida antes com um conhecido. Ligo na véspera e combino. Aí fico tranquila de não perder meus compromissos."

A Associação dos Taxistas alega que há um ponto fixo no Bairro Benfica que prioriza a região. "É complicado deslocar do Centro para atender aquela área. Lá existem de dez a 15 carros. Ficaria mais fácil se o passageiro acionasse os táxis deste ponto", pondera o vice-presidente Carlos Roberto da Silveira. A situação é reforçada pelo Sindicato dos Taxistas. "Se for chamado pela rádio-táxi, normalmente o motorista não vai. Para ir até lá, o taxista tem que fazer deslocamento de três a quatros quilômetros. E se o trajeto for dentro da Zona Norte, só vai percorrer um quilômetro, não compensa. O ideal é sempre chamar o carro do ponto mais próximo da residência", diz o presidente Aparecido Fagundes.

 

 

Usuários não registram reclamações

Apesar das queixas dos usuários, o número de reclamações formais é pequeno. De acordo com levantamento da Settra, as queixas registradas em agosto e setembro nas três linhas telefônicas disponibilizadas para este fim não chegaram a 30: foram 25 no Serviço de Orientação ao Usuário (SOU), duas no Procon Fone e somente uma no setor de agentes de trânsito.

"Ampliamos as linhas para favorecer o usuário mas, apesar da divulgação, não houve procura por parte dos consumidores", observa a subsecretária Operacional de Transporte e Trânsito, Roberta Ruhena Vieira. Entre os poucos registros, as principais queixas são referentes à recusa de atendimento. A subsecretária esclarece que, após a inscrição no sistema, as reclamações são repassadas para o setor de fiscalização de transporte. O taxista é acionado pela Settra e, de acordo com a queixa, poderá sofrer advertência, inclusive com pagamento de multa.

"Não conheço esse sistema, nunca ouvi falar", diz a assistente-administrativo Elizabeth de Fátima Terra, que usa o serviço de táxi com frequência. "Se eu soubesse da existência do serviço já teria reclamado. Não só pela demora dos carros, mas pelo tratamento dos taxistas. Outro dia, um deles pegou um passageiro fora da fila, antes do ponto. Quando ele passou, fui reclamar. Ele me respondeu que o táxi era dele e que pegava o passageiro que quisesse", diz a usuária Márcia Moreira da Costa.

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