Os trabalhadores dos Correios retomaram ontem seus trabalhos com uma média de 300 mil objetos represados na cidade, segundo estimativas do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Comunicação Postal, Telegráfica e Similares de Juiz de Fora e região (Sintect/JF). Os Correios não possuem número local e estimam que, no estado, cerca de quatro milhões de objetos postais simples (cartas) estavam retidos até ontem.
Os grevistas atenderam à decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que, além de determinar o fim do movimento, decidiu que o desconto será equivalente a sete dias de greve (os demais serão compensados com trabalho extra nos fins de semana). Segundo o presidente do Sintect/JF, João Ricardo Guedes, a decisão do TST desagradou os trabalhadores. "Ficamos decepcionados, pois a decisão julgou a greve legal, mas penalizou o trabalhado em relação ao pagamento dos dias parados. Quem deveria pagar pelo prejuízo é a ECT. Mas a avaliação da greve foi positiva, pois em momento algum nos submetemos às pressões da empresa."
Ainda segundo Guedes, a adesão havia chegado a 30% no final do movimento, sendo a maioria deles carteiros. Ele prevê que as entregas serão regularizadas em no máximo dez dias. Porém cobra da empresa a convocação dos 33 aprovados no último concurso público realizado pela empresa (15 carteiros, 12 atendentes e seis operadores de triagem e transbordo). "Em vários municípios os aprovados já estão trabalhando, mas ainda não começaram em Juiz de Fora."
Segundo a assessoria dos Correios, no estado as encomendas de modalidades qualificadas – como Sedex, malotes e cartas registradas – não tiveram retenção. Ainda conforme os Correios, serão necessários quatro dias para a regularização das entregas. Para isso, estão sendo adotadas medidas como "a compensação dos dias parados com trabalhos extraordinários – jornada estendida e mutirões aos fins de semana". A empresa não divulga os números específicos de Juiz de Fora.
No país, depois de 28 dias de paralisação dos funcionários dos Correios, mais de 185 milhões de cartas e encomendas ainda aguardam para serem entregues. A direção da empresa informou que serão necessários de sete a dez dias para normalizar as entregas. O secretário da questão racial da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), Robson Luiz Pereira Neves, disse que todos os funcionários voltaram ao trabalho.
O TST aprovou reajuste salarial de 6,87% a partir de agosto com aumento linear de R$ 80 em outubro, além de ticket-alimentação de R$ 25, vale-cesta de R$ 140 e vale extra de R$ 563,50.
