
Feira na Praça do Riachuelo reúne 76 produtores de 16 municípios de MG
Inovadora alternativa de geração de trabalho e renda, além de importante ferramenta a favor da inclusão social, a economia solidária, que inclui artesanato e agroindústria familiar, tem se destacado no desenvolvimento regional da Zona da Mata. Em todo o estado, a Secretaria de Estado de Trabalho e Emprego (Sete) estima que o ramo de atividade seja responsável por aproximadamente 5% da economia mineira. Segundo o secretário-adjunto da Sete, Hélio Rabelo, esta estimativa é feita a partir de feiras realizadas no estado. "Estamos trabalhando em uma pesquisa para oficializar e colocar estes números no papel. A partir daí, vamos criar iniciativas para incentivar o segmento, que pode representar de 10% a 15% da nossa economia."
Para estimular essas ações, a Sete realiza em Juiz de Fora a Feira Regional da Economia Popular Solidária, que começou ontem e vai até amanhã. Quem comparecer à praça do Riachuelo (em frente ao Santa Cruz Shopping), até o próximo sábado, terá a oportunidade de conhecer o trabalho realizado por 76 produtores de 16 municípios do estado. A previsão do secretário adjunto é que a feira movimento uma média de R$ 1.500 por estande durante os três dias.
Segundo Rabelo, a economia solidária é hoje um dos segmentos que mais crescem no Brasil e no mundo. Para ele, as feiras são uma das formas de o Estado fomentar o setor, que é importante para a população de baixa renda. "Em geral, a maioria deste segmento é formado por mulheres de baixa renda que são arrimos de família."
Na cidade, somente a Associação de Produtores Rurais da Agroindústria Familiar de Juiz de Fora (Agrojuf) estima uma faturamento médio mensal de R$ 1.600 para cada um dos 38 produtores que integram o grupo. Segundo o presidente da Associação Regional de Produtores Rurais e Feirantes da Agroindústria Familiar Artesanal de Alimentos (Agrofar), Wander do Nascimento Ferraz, os produtores associados, que comercializam seus produtos na feira do Parque Halfeld (às quintas-feiras) e no espaço do Terminal Rodoviário Miguel Mansur obtiveram bom faturamento no ano passado com a comercialização nesses espaços. Uma das associadas é Rita Aparecida Resende de Oliveira, que atua na produção de pães, bolos, biscoitos e doces. Entre as novidades apresentadas na feira estão os alimentos de araruta. "Iniciamos o plantio da araruta no ano passado e este ano estamos utilizando na brevidade. A saída tem sido boa, e vamos criar também biscoitos de araruta."
Sustento para 120 famílias de JF e região
Segundo a coordenadora do Fórum Regional da Zona da Mata, Maria Geralda Souza Lopes, há representantes da Zona da Mata, além de Vertentes, Região Metropolitana de Belo Horizonte e Norte de Minas. "A economia solidária vem se mostrando como um importante vetor para o desenvolvimento regional em muitas localidades."
De acordo com o formador da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP/UFV), Heitor Alves de Oliveira, atualmente 120 famílias da Zona da Mata estão associadas à ITCP. "Em geral, a maioria dos cadastrados tem economia solidária sua fonte de sustento. Ainda segundo ele, as feiras são oportunidades para que os artesãos e produtores tenham maior visibilidade e façam contatos entre si. "Esses eventos acabam fortalecendo o associativismo e cooperativismo."
O Quiosque de Artes e Ofícios, que reúne 60 artesãos de Tabuleiro além de 50 alunos integrantes do programa Projovem no município, trouxe à feira doces, telas, panos de prato e colchas, entre outros produtos. Segundo a representante da associação, Rosilene dos Santos Batalha, os artesãos chegam a receber uma média de R$ 850 por mês com os itens vendidos. "Muitas famílias fazem do artesanato sua fonte de sustento." Para a associada ao Bangalô das Artes, Maria do Carmo Ferreira Borges, a maioria das oito famílias que integram a associação vivem do que recebem em feiras. "Participamos de eventos em Viçosa, Dona Eusébia, Astolfo Dutra. As vendas são sempre positivas."
A família de Rafael Carlos Portela, da associação Recriarte, de Recreio, consegue cerca de um salário mínimo por mês para complementar a renda que ele ganha como funcionários público na prefeitura do município. "Minha esposa e minha filha se dedicam ao trabalho e complementam a renda em casa." A Feira Regional da Economia Popular Solidária acontece até amanhã na Praça do Riachuelo (em frente o Santa Cruz Shopping). Hoje, o público poderá conferir os produtos entre 9h e 20. Amanhã, a feira funciona das 9h às 16h.

