Ícone do site Tribuna de Minas

Cervejaria cigana amplia potencial de mercado

em algumas fabricas locais 45 por cento da producao sao de cervejas ciganas fernando priamo

em-algumas-fabricas-locais-45-por-cento-da-producao-sao-de-cervejas-ciganas-fernando-priamo

Em algumas fábricas locais, 45%  da produção são de cervejas ciganas (Fernando Priamo)
PUBLICIDADE

Em algumas fábricas locais, 45% da produção são de cervejas ciganas (Fernando Priamo)

PUBLICIDADE

O empresário Mário Ângelo começou a estudar as técnicas de preparação da bebida em 2009. A visão sobre um mercado que estava crescendo impulsionou a criação da marca Timboo. “Comecei a produzir como cervejeiro caseiro, uma média de 20 a 30 litros por mês, mas sempre quis me profissionalizar.” Entre 2011 e 2012, ele participou de capacitação do Sebrae, mas ainda faltava o capital para investir em uma fábrica própria. O investimento para a criação de uma microcervejaria é de, pelo menos, R$ 300 mil, segundo a entidade.Atraídos por um mercado em franca expansão, que não se abalou com a crise econômica, pequenos fabricantes estão profissionalizando a produção de cerveja artesanal. Uma alternativa para quem tem uma boa receita, mas não conseguiu o capital necessário para investir em um estabelecimento próprio, tem sido a cervejaria cigana. A prática consiste em migrar a produção para o espaço de terceiros, onde é possível garantir em maior escala. O acordo nestas parcerias varia em cada caso, mas ambas as partes saem ganhando. Enquanto os empreendedores têm menor custo para lançar o produto, as fábricas reduzem a capacidade ociosa. Em Juiz de Fora, duas marcas que se desenvolveram e consolidaram no mercado local como ciganas, a Timboo e a Profana, estão agora buscando novos consumidores.

A história de Mário Ângelo é parecida com a do empresário Cristiam Nazareno Rocha. Depois de alguns anos trabalhando na criação de receitas, ele decidiu profissionalizar e aumentar a produção da Profana. Sem uma empresa própria, o modelo de cervejaria cigana se tornou a alternativa ideal. “É muito difícil conseguir, pois são poucas as fábricas que oferecem esta possibilidade. Em Juiz de Fora, ainda é um modelo de produção recente.”

A primeira fábrica a abrir as portas para a produção das cervejas ciganas foi a Arthorius. Localizada no Bairro Santa Cruz, na Zona Norte, a empresa tem capacidade para produzir até 1.200 litros por mês. A decisão de abrigar novas marcas foi motivada pelo entendimento da dificuldade que os novos cervejeiros têm para se lançar no mercado, conforme relata o proprietário Arthur Fernandes Gouvea. “É muito burocrático conseguir o registro e abrir a empresa. A contabilidade é mais complexa, pois não nos enquadramos no Simples. Além disso, os equipamentos são caros. Eu enfrentei todas essas dificuldades e sei como é.”

Parcerias

PUBLICIDADE

Em Juiz de Fora, além da Arthorius, apenas a Antuérpia também cede espaço aos ciganos. “Falta visão de negócio, muitos acreditam que você está colocando um concorrente em casa. Na verdade, a situação é outra. É uma forma de difundir a cultura da cerveja artesanal e de despertar o interesse de mais bares para se tornarem pontos de venda”, avalia Arthur. O acordo comercial entre o produtor cigano e a fábrica é variável. Em alguns casos, o dono da marca da cigana investe em equipamentos para a empresa, em outros, paga pelo uso com parte do faturamento.

Na Antuérpia, 45% da produção são de cervejas ciganas, o que corresponde a cerca de 35 mil litros por mês. Outros 45% são da própria marca, lançada no mercado em 2009. “Cedemos espaço para a produção de 13 cervejas ciganas, sendo 11 do Rio de Janeiro e as duas de Juiz de Fora”, conta o diretor-comercial Saulo Oliveira. “É vantajoso para os dois lados. Reduzimos a nossa capacidade ociosa e, também, é uma oportunidade de estar em contato com outras receitas e outros cervejeiros.”

PUBLICIDADE
Cristiam e Mário Ângelo conseguiram expandir negócios com nova modalidade de fabricação (Fernando Priamo)

Produção quadruplica em dois anos

Em 2013, Juiz de Fora já caminhava para se tornar polo do setor de produção de cerveja artesanal, conforme informações do Sebrae. Naquele ano, a cidade produziu 350 mil litros por meio de oito cervejarias aptas para a comercialização e entusiastas que faziam a fabricação caseira. Em dois anos, a cidade mais que quadruplicou a produção, passando para uma média de 140 mil litros por mês, o que totaliza quase 1,7 milhão de litros por ano. O número de cervejarias aumentou para 15, metade do total verificado em Minas Gerais, e o de cervejeiros, entre profissionais e caseiros, ultrapassou cem.

Os novos dados são da recém-criada Associação dos Cervejeiros Artesanais da Zona da Mata Mineira e mostram que, mesmo com a crise econômica, o setor segue em expansão. A própria ideia da criação da entidade se deu em vista deste crescimento. “A Acerva da Zona da Mata começou suas atividades em 2014 com encontros de especialistas e cervejeiros caseiros. Com a adesão crescente a cada reunião quinzenal, para a troca de experiências e degustação das próprias marcas, ela foi formalizada em janeiro deste ano”, diz o cervejeiro e assessor da associação, Sandro Massafera.

Suporte

PUBLICIDADE

Com a formalização, além de ganhar representatividade, a região recebe estímulo para seguir com a expansão do setor. “Temos o objetivo de difundir e aprimorar o estudo das particularidades da cultura relacionada à cerveja e sua produção artesanal, de promover integração entre os interessados por essa cultura e, também, facilitar a aquisição de insumos, equipamentos e literatura de suporte”, explica o vice-presidente Fabrício Costa. Dentre as ações previstas estão a realização de capacitações, concursos e uma agenda anual de eventos.

Para ele, a cidade tem condições para se tornar polo de cerveja artesanal. “Juiz de Fora tem potencial turístico e recebe apoio de bares, restaurantes e empórios interessados a vender estas cervejas. Temos produtores de muita qualidade e, principalmente, consumidores que cada vez mais entendem do assunto e estão dispostos a degustar este tipo de cerveja.” Sobre a prática da cervejaria cigana, o diretor técnico da associação e mestre cervejeiro Giancarlo Vitale Nicola acredita que “é a melhor alternativa para viabilizar o crescimento dos cervejeiros caseiros e transformar o hobby do homebrew em um excelente negócio”.

Em Minas

PUBLICIDADE

Entre 2013 e 2015, a produção de cerveja artesanal em Minas Gerais triplicou e chegou a marca de 14,4 milhões de litros por ano , segundo a Acerva Mineira. O presidente Kelvin Azevedo destaca que além da expansão, o setor mineiro vive um momento de profissionalização, o que contribuiu para que sobressaísse à crise. “A cerveja artesanal não é modismo, veio para ficar e já faz parte do paladar e do gosto do mineiro.”

Sair da versão mobile