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Usuários à mercê de horário de taxistas

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 Juiz de Fora recebeu, nos últimos seis meses, 57 novos táxis, ampliando a frota local para 490 veículos. Nas ruas, porém, usuários de táxis permanecem com dificuldade em conseguir veículos, sobretudo nos horários de pico. Filas nos pontos e demora para a chegada de veículos são alguns dos problemas apontados pelos juiz-foranos. A situação é agravada pelas paradas dos taxistas para troca de turno, que chega a ultrapassar o prazo de 30 minutos, como a Tribuna flagrou durante dois dias em um dos principais pontos de rodízio.

A troca ocorre normalmente entre as 16h30 e 17h. A orientação das entidades que representam o setor, como o Sindicato dos Taxistas e a Associação dos Taxistas, é para que o motorista já chegue ao local com o veículo abastecido e com a quilometragem fechada, para não atrasar a saída do taxista do turno seguinte. Porém, a prática não é adotada por todos, o que faz faltarem taxistas em um dos momentos do dia em que há maior procura, devido à saída de alunos das escolas. O problema é agravado por brechas na legislação, que não determina o horário de prestação do serviço, muito menos o tempo máximo para as paradas de qualquer natureza, entre elas, a troca de turno.

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A Tribuna acompanhou, por dois dias, a movimentação em um dos pontos onde a prática é mais frequente, na Rua Mariano Procópio, bairro de mesmo nome. Na quinta-feira da última semana, entre 16h40 e 17h15, sete veículos ficaram parados por mais de 15 minutos, aguardando o motorista do turno seguinte. Destes, três ficaram parados, sem motoristas, por período superior a 35 minutos.

Já na última segunda-feira, no mesmo local, dos 16 carros acompanhados pela Tribuna, entre as 16h45 e 17h20, 12 ficaram parados por período superior a 15 minutos. Deste total, cinco ficaram estacionados esperando o motorista do turno seguinte por mais de meia hora. Enquanto isso, nos pontos de táxi, a procura era intensa, mesmo em um dia considerado como de menor demanda pelos motoristas. Às 17h25, no ponto da Rua Marechal Deodoro, em frente ao Fórum Benjamin Colucci, 13 pessoas aguardavam um veículo. Na quinta-feira, a Tribuna também percorreu os pontos e encontrou usuários revoltados. No ponto da Avenida Rio Branco, em frente ao Parque Halfeld, às 17h20, 11 pessoas esperavam por um veículo.

O principal entrave para a fiscalização do serviço para a população de Juiz de Fora é a falta de uma legislação que especifique como deve ser o funcionamento dos táxis no município. Na lei municipal 6.612/84, que normatiza a prestação do serviço na cidade, a única questão referente à frequência dos veículos na rua está no inciso V do artigo 9º. O texto diz que as permissões podem ser revogáveis caso o veículo deixe de "frequentar o ponto por cinco dias consecutivos e dez dias alternados, salvo por motivo de força maior, devidamente justificado perante a Settra". Porém, não determina sequer que o permissionário ou seu auxiliar trabalhem todos os dias, e não fixam um horário mínimo para a prestação do serviço.

Segundo o secretário de Transporte e Trânsito, Márcio Gomes Bastos, a Settra não tem mecanismos para fiscalizar este tipo de problema verificado nas ruas. Atualmente, nove agentes foram designados para fiscalizar trânsito e transportes, entre eles escolares, táxis e possíveis veículos clandestinos, entre 6h e 22h. Porém, não há dispositivos legais para embasar a autuação dos profissionais que ficam parados ou deixam de prestar o serviço em período inferior ao estabelecido no art. 9º, inciso V. "É uma questão que só o mercado tem como regular." Ainda de acordo com o secretário, no último ano, a Settra autuou 264 veículos. A maior parte deles por falta de uniformes e por problemas na padronização dos carros.

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Settra sugere planilha para facilitar fiscalização

 

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O supervisor de fiscalização do órgão, Eduardo Coletta, diz que uma das alternativas para auxiliar o trabalho de fiscalização seria o envio de uma planilha semanal ou mensal por parte dos permissionários, informando o nome do condutor e o horário de trabalho para auxiliar o trabalho.

A subsecretária Operacional de Transporte e Trânsito, Roberta Ruhena, diz que o problema da troca de turno foi diagnosticado por estudo realizado pela Fadepe/UFJF em 2009 para verificar o número necessário de táxis na última licitação. "O que fazemos é orientar nos cursos que promovemos." Ela também aposta no mercado para controlar o problema. "O taxista também vai ser prejudicado, pois deixará de atender em um horário em que há procura."

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Segundo o presidente do Sindicato dos Taxistas, Aparecido Fagundes, a orientação do órgão é para que os motoristas agilizem o processo de troca de turno. Ele diz que nos últimos anos o assunto chegou a ser discutido em reuniões na Settra, devido ao horário em que ocorre a substituição de motoristas. "Foi um impasse, pois, se largassem mais cedo, os motoristas perderiam parte do movimento do horário entre 16h30 e 17h. Se deixassem mais tarde, o do turno seguinte também seria penalizado, pois perderia parte desse público." Para ele, a solução é não ficar parado enquanto o outro motorista não chega. "A troca não deve levar mais de cinco minutos. No máximo dez." Para o presidente da Associação dos Taxistas, Luiz Gonzaga Nunes, a orientação aos colegas é para que já cheguem ao local de troca abastecidos e, se possível, com a quilometragem fechada. "É preciso que os taxistas tenham consciência para que a cidade não fique com veículos parados em um horário de grande demanda. Essa troca não demora mais que três minutos."

 

 

 

 

Juiz-foranos reclamam de filas e demora

 

 

A marchand Márcia Martins, diz que enfrenta o problema da espera por veículos diariamente. "Antigamente, só víamos filas nos pontos de Juiz de Fora às vésperas do Natal. Hoje, o problema é diário, e ocorre inclusive na segunda-feira." A funcionária pública Elaine Breder, com o pai cadeirante, também reclamava da longa espera na última segunda. "A cidade tem cinco carros adaptados, mas nunca consigo pegar nenhum. Eles estão sempre cheios, na maioria das vezes, com pessoas que não precisam andar nos carros adaptados."

Na quinta-feira da semana passada, a Tribuna também percorreu os pontos e encontrou usuários revoltados. No ponto da Avenida Rio Branco, em frente ao Parque Halfeld, às 17h20, 11 pessoas esperavam por um veículo. "Liguei para a central há 20 minutos e até agora nada. Vim de táxi para o Centro e esperei outros 35 minutos para que um carro chegasse até minha casa, no Aeroporto, para me trazer aqui", explicou a empresária Helena Grossi. A dona de casa Julimar de Souza Oliveira reclama do critério adotado por alguns motoristas. "Eles sabem que vai haver pessoas aguardando no ponto, mas param para qualquer um que levanta a mão antes do ponto. Enquanto isso, ficamos esperando em fila e a espera acaba sendo maior." Ela também reclama de locais em que os táxis se recusam a parar. "Na Floriano Peixoto, em frente ao supermercado, quase ninguém para. Quem faz compras e precisa de táxi fica ‘mofando’ lá."

No mesmo dia, no ponto da Rua São João, às 17h35, nove pessoas formavam fila à espera de um veículo. O advogado Fernando Araújo aguardou mais de 30 minutos pela chegada de um carro. "Como há carência de carros, os taxistas fazem o que querem." O advogado, que passou a andar de táxi após realizar uma cirurgia na perna, conta que já passou por situações complicadas. "Na hora de troca de turno, em frente ao Fórum (Benjamin Colucci), é muito comum ver filas de pessoas esperando e carros fechados, esperando motorista." Ainda de acordo com o advogado, há três meses a esposa era a nona da fila e esperou mais de meia hora até chegar sua vez. "Quando o táxi chegou, o motorista saiu do carro e foi tomar um café. Um amigo o chamou, e ele voltou, passando-o na frente da minha mulher. Ela foi questionar e ele disse: ‘anota a placa e joga no bicho.’"

 

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