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Ano começa mal para pequenas indústrias

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Depois de vencer um período de desaquecimento em que muito se falou sobre desindustrialização, a retomada do setor industrial agora é ameaçada pelo fantasma do racionamento de energia no país. Esta semana, a presidente Dilma Rousseff convocou reunião emergencial com o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico para discutir o assunto. Apesar de o Governo ter sido categórico em afastar essa possibilidade, os baixos níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas alertam para uma realidade preocupante. Se isso acontecer, enfrentaremos mais um período difícil, desabafa o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) Regional da Zona da Mata, Francisco Campolina.

Relatório divulgado na sexta pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aponta que os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste registraram aumento no nível de armazenamento de água, o primeiro desde o início do ano. De acordo com o relatório, as represas localizadas nas duas regiões, e que respondem por 70% da geração hidrelétrica do país, estavam na quinta-feira com as reservas em 28,67%. Esta é a primeira alta desde 1º de janeiro, quando os lagos registraram 28,9% da capacidade, depois de chegar a 28,8% em 31 de dezembro. De lá para cá, o nível de represamento de água no sistema Sudeste/Centro-Oeste caiu até 28,3%, registrado na última quarta-feira (9).

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Segundo ele, uma redução forçada do consumo de energia prejudicaria muito o setor. Sem energia, nós não produzimos. Sem produção não há vendas, e sem faturamento, não temos como manter postos de trabalho, diz. Racionamento em um país que visa ao crescimento é andar para trás, completa.

Para Campolina, a possibilidade de racionamento é uma preocupação maior para as pequenas e médias indústrias. Elas não possuem geradores como alternativa para a diminuição dos gastos com energia, justifica. Além disso, muitas pertencem a segmentos que enfrentaram um ano difícil em 2012, como é o caso do ramo de confecções. Ele lembra que a concorrência com produtos importados chineses tem colocado em xeque o crescimento e, até mesmo, a sobrevivência das 850 fábricas instaladas na cidade.

Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário, Antônio Nogueira Lucena, a situação é alarmante. Nossas fábricas não estão preparadas. Cerca de 95% usam energia da Cemig e não possuem geradores. Segundo ele, no ano passado, o crescimento do setor foi de quase zero, e as expectativas para 2013 são de avanço pequeno. Não podemos esperar muito, porque nenhuma medida mais consistente com relação à invasão dos produtos chineses em nosso mercado ainda foi tomada.

Lucena diz que agora é o momento em que as indústrias iniciam as novas coleções e, por isso, precisam utilizar ao máximo a capacidade de produção. Além das confecções, o setor moveleiro também enfrenta crise que tende a ser agravada caso a possibilidade de racionamento de energia se concretize.

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Segundo o Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Mobiliário de Ubá, desde dezembro até agora, duas mil demissões foram feitas em 300 empresas da região. Se o mercado continuar como está, estimamos mais dois mil cortes até março, alerta o presidente da entidade, Michel Henrique Pires.

Segundo ele, a crise internacional, o endividamento da população e o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) criaram um quadro complicado para o setor. As vendas estão muito baixas e, assim, tem sido impossível manter os postos de trabalho.

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Termelétricas vão continuar acionadas

No país, as usinas hidrelétricas correspondem a 71% da geração de energia, seguidas das termelétricas (28%) e eólicas (1%), conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com os baixos índices de armazenamento dos reservatórios das hidrelétricas, as termelétricas estão sendo acionadas. O sistema que temos para uma situação de emergência já está sendo gasto, afirma o presidente do Instituto Acende Brasil, Cláudio Sales.

A Usina Termelétrica (UTE) de Juiz de Fora foi uma das unidades acionadas pelo Operador Nacional do Sistema (ONS). A Tribuna solicitou à Petrobras balanço das operações da unidade em 2012. A assessoria de imprensa da estatal informou que a empresa adotou a postura de não divulgar informações desta natureza por enquanto.

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Os dados que o jornal teve acesso em novembro do ano passado mostravam que a UTE da cidade havia produzido mais de 165 mil megawatts/ hora (MW/h) em 11 meses, o que representava pelo menos seis vezes mais do que a energia gerada em 2011, quando se atingiu 24.397 MW/h. Em novembro, até o dia 21, a usina produziu 38.578 MWh de energia, o equivalente a 87% de sua capacidade. O motivo para a atuação próxima à capacidade total de produção seria, justamente, o baixo índice dos reservatórios das usinas hidrelétricas.

O uso das termelétricas também é motivo de preocupação para os consumidores de energia, pois os custos de operação destas usinas são mais altos e têm impacto direto na conta de luz. Segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, as usinas térmicas instaladas no país ainda podem aumentar o volume de energia produzida, garantindo assim o abastecimento.

Na última quarta-feira, o ministro fez questão de frisar que o corte de 20%, em média, na conta de luz – prometido pela presidente Dilma Rousseff em setembro do ano passado – está garantido a partir de fevereiro.

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