
Com a queda nas vendas, comerciantes locais se viram obrigados a antecipar as promoções
As dívidas em atraso no país cresceram 19,1% no primeiro semestre de 2012 em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados do Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor, divulgados ontem. Em Juiz de Fora, entidades representativas do comércio apontam o grande número de devedores como um dos fatores responsáveis pela queda de até 40% no faturamento do setor entre janeiro e junho deste ano, frente a 2011. Com a quantidade de consumidores reduzida pelo acúmulo de dívidas e diante de um começo de inverno com temperaturas amenas, comerciantes locais se viram obrigados a antecipar as promoções, que já estão a todo vapor antes mesmo da chegada do frio.
"Enquanto o índice de devedores aumenta, o universo de clientes compradores diminui. Em consequência disso, o lojista vê seu horizonte de vendas sendo reduzido, enquanto precisa pagar pelas mercadorias de inverno, mais caras, que estocou. Percebendo uma venda não muito saudável, promove promoções", explica o superintendente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Carlos Leopoldo. Para ele, o grande vilão na luta contra a inadimplência é o cartão de crédito.
Presidente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio) de Juiz de Fora, Emerson Beloti atribui os altos índices de inadimplência à falta de planejamento orçamentário. Porém, ele concorda que a inadimplência no crédito – utilizado em 80% dos negócios – impacta, indiretamente, o faturamento das empresas. "A pessoa que está devendo não compra." Segundo Beloti, a queda dos lucros no comércio local no primeiro semestre chegaram a 40% em relação ao ano passado, sendo as lojas de vestuário as mais prejudicadas, já que também sofrem com a instabilidade das estações climáticas.
É o caso da empresa de Gustavo Feitosa, que estima redução entre 35% e 40% nos rendimentos no período. Dono de uma loja na Rua São João, ele cortou os preços em até 60% para esvaziar os estoques de casacos e roupas de inverno. Em promoção desde o último sábado, a firma viu a procura por peças das estação crescer 15% em poucos dias. "A liquidação é uma necessidade que acaba sendo interessante para o comerciante e para o cliente."
A loja de vestuário feminino gerenciada por Lidiane Fernandes também tem tido movimento 15% maior desde o final de junho, quando todas as peças foram colocadas à venda com 40% de desconto. A promoção atual estimula a compra de mais itens, oferecendo o terceiro produto gratuitamente para quem levar dois. "Estamos vendendo mais peças por compra, que costuma ser, em média, de R$ 280. O movimento estava meio fraco porque não fez frio, então agora as pessoas estão correndo para aproveitar os preços na expectativa de que ainda vá esfriar."

