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Espera por até 9 meses por serviços de energia

hotel entrou em operacao sem o segundo transformador solicitado no ano passado

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Hotel entrou em operação sem o segundo transformador, solicitado no ano passado
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Hotel entrou em operação sem o segundo transformador, solicitado no ano passado

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Em época de escassez de investimentos, atrasar a execução de novos empreendimentos por dificuldade de obter a ligação definitiva de energia elétrica parece inadmissível, mas é uma queixa recorrente do empresariado juiz-forano. Em condições normais – sem a necessidade de interferência ou obras por parte da Cemig na rede disponível -, a espera pode durar de 15 a 20 dias. Quando é necessária mais carga, além de equipamentos compatíveis com o maior consumo – situação comum nos setores imobiliário e industrial -, a demora média chegaria a nove meses podendo passar de um ano. O tempo é suficiente para comprometer o cronograma e o planejamento de qualquer negócio. Para a Fiemg, o problema seria a falta de disponibilidade de energia para atender o setor empresarial. Procurada, a Cemig, por meio de sua assessoria, reconheceu a necessidade de reduzir o prazo de atendimento para os consumidores na cidade e anunciou dois projetos para aumentar a capacidade de oferta de energia no município, com resultados esperados a partir do próximo ano.

O gerente de obras do Ibis Juiz de Fora, engenheiro Vinícius Juste, afirma que esperou quase um ano para contar com energia definitiva no hotel. O abastecimento foi disponibilizado na semana passada, poucos dias antes da inauguração, marcada para 17 de agosto. “Foi necessária muita pressão.” Conforme o gerente, depois de aguardar quase três meses por uma resposta e mediante o argumento de que a Cemig não teria recurso para fazer o investimento necessário na rede, o hotel arcou com parte dos custos para a oferta do serviço. Foram cerca de R$ 70 mil em equipamentos e material, como poste, transformador e cabeamento. O objetivo, disse, era “liberar a rede o mais rápido possível”. Ainda assim, observa Juste, foi necessária muita cobrança para que o serviço fosse concluído. “A demora não chegou a atrapalhar o cronograma de abertura, mas foi na risca.” Para o gerente, a origem do problema é a saturação na oferta de energia elétrica na cidade.

No Independência Trade Hotel, o entrave foi a necessidade de um segundo transformador, indisponível no município. Conforme o gerente geral José Carlos Branco, o empreendimento precisava de dois dispositivos. Devido à demora no atendimento da demanda, o hotel entrou em operação apenas com um equipamento. O segundo transformador só foi instalado há cerca de duas semanas. A solicitação, no entanto, foi feita em outubro do ano passado, disse. Neste período, afirma o gerente, houve ocorrências de oscilação de energia. Segundo Branco, a Cemig precisou realizar licitação para adquirir o equipamento em outro estado, postergando ainda mais o processo. “Demorou, atrapalhou, mas não impediu as operações.”

Além dos hotéis, a fábrica da Brafer Construções Metálicas, que está sendo erguida no Distrito Industrial e tem previsão de inauguração no segundo semestre, também teria tido problemas com a Cemig. A planta, orçada em R$ 89 milhões, teria conseguido ligação para iniciar o período de testes da produção, que não seria suficiente para comportar a atividade plena de fabricação de perfis metálicos. A empresa foi procurada e, por meio de sua assessoria, afirmou que “não conseguirá responder, dessa vez, sobre os problemas com a companhia de energia”.

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“Quase um parto”

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Conforme o inspetor chefe do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia em Juiz de Fora (Crea-MG), o engenheiro eletricista Flávio Vianna, mediante a necessidade de intervenção na rede elétrica disponível na cidade – tendo em vista o perfil do negócio, o porte, o material a ser usado e a localização – o tempo médio de espera pela ligação definitiva de imóveis era de 90 dias. O prazo aumentou gradativamente para 180 dias e, há cerca de um ano, não costuma ser inferior a 270 dias, em média. “É quase um parto.” Além disso, observa, a participação financeira do empreendedor, necessária em alguns casos, exige aportes que podem variar de R$ 5 mil a R$ 500 mil. Sabendo disso, adverte, o empresário precisa formalizar o pedido o quanto antes e verificar se o orçamento disponível é suficiente para pagar os custos previstos. O pior, na sua opinião, é lançar o empreendimento e correr o risco de arcar com indenização de contratos comerciais, já que o atraso na conclusão do processo pode interferir no início das operações do negócio.

Fiemg aponta escassez de energia

“A grande realidade é que não há energia para venda, por isso não existe interesse em instalar mais ligações. Não existe disponibilidade de energia para atender o setor industrial em Minas hoje”, sentencia o presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Francisco Campolina. Ele destaca que este é um problema grave e antigo, “que está explodindo agora”. “O que a Fiemg tem feito é uma gestão particular junto à diretoria da Cemig, para tentar antecipar o atendimento às indústrias em fase adiantada de instalação.”

Para Campolina, a demanda contratada hoje seria “quase igual” à oferta. Em função disso, a saída adotada pela Cemig seria colocar os novos pedidos na fila, levando a uma espera que pode se estender por mais de ano. Outra dificuldade é para aumentar a demanda contratada, levando muitas empresas a implementarem geradores à óleo diesel, diz. “Os empresários sabem que, se precisarem de mais energia, não vão ter.” Diante deste cenário, o presidente destaca a importância de investimentos em infraestrutura, linhas de transmissão e fontes de energia, para que o problema seja equacionado. “É o nosso calcanhar de Aquiles.”

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O presidente do Sindicato da Indústria de Construção Civil de Juiz de Fora (Sinduscon/JF), Aurélio Marangon, tem conhecimento de empresas que não conseguiram iniciar a operação em função da dificuldade de obter a ligação definitiva. Entre as construtoras que contam com orientação de engenheiros para projetos elétricos, a saída tem sido pedir a ligação com a máxima antecedência possível, para minimizar transtornos, disse. Conforme Marangon, o problema verificado na cidade aconteceria em todo o estado. “Todo lugar que vou, os empresários reclamam da espera média de 270 dias”, diz.

“Este é um problema seriíssimo, que emperra muitos investimentos”, confirma o presidente da Associação Comercial de Juiz de Fora, Aloísio Vasconcelos, que costuma receber várias reclamações neste sentido. Muitas vezes, comenta, os empreendimentos iniciam as operações de forma precária, por falta de uma ligação definitiva. “Quando se pressiona muito, consegue-se uma ligação provisória, que não é a solução para o problema.” Na sua opinião, é preciso realizar uma força-tarefa para minimizar o “prejuízo incalculável” ao setor empresarial. O assunto está previsto para entrar em pauta no Café Parlamentar, encontro promovido pela entidade para debater assuntos de interesse da cidade. Outro objetivo é agendar uma reunião com a Cemig para tratar do assunto. “A classe empresarial precisa se manifestar e cobrar uma posição urgente.” Para Aloísio, mediante o custo “altíssimo” do insumo, era necessário que a sua implementação fosse menos problemática.

 

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Outro lado

De acordo com a assessoria da Cemig, “para atender a forte expansão de novas demandas de energia em Juiz de Fora, bem acima das médias históricas verificadas e da necessidade de atendimento aos consumidores em um prazo menor”, a companhia iniciou projetos para instalação de uma nova subestação com potência de 25MVA no município. A previsão é de início de operação em agosto de 2016. Além deste empreendimento, a Cemig planeja a construção de outra subestação com capacidade de 80MVA. “Este empreendimento encontra-se em fase de elaboração de projeto básico e viabilização de recursos financeiros para sua execução e sua implantação está prevista para o ciclo tarifário 2018-2022”.

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