Ícone do site Tribuna de Minas

Cidade participará de estudo antropométrico

2670902093

2670902093

2670902093
PUBLICIDADE

Juiz de Fora está entre os municípios mineiros que serão base do estudo antropométrico realizado pelo Senai Modatec de Belo Horizonte, em parceria com o Senai Centro de Formação Profissional e Centro Tecnológico de Alimentos (Cetal), para a criação de um padrão brasileiro de peças de roupa (ver quadro). Entre 6 e 16 de setembro, técnicos estarão na cidade para coletar medidas de voluntários que servirão para a pesquisa dos biotipos masculino e feminino acima de 18 anos. "Estaremos no Shopping Independência com uma máquina capaz de fazer cem medições em um minuto. Assim, teremos informações que são fundamentais para que a indústria têxtil possa desenvolver uma modelagem de acordo com os nossos padrões", explica o diretor do Senai Modatec, Jorge Peixoto.

O estudo, que vem sendo desenvolvido em outras cidades polo de confecções do estado, pode ser a solução para os consumidores que têm dificuldades em encontrar o tamanho das roupas na hora da compra. Este é o caso da dona de casa Maria Aparecida Martins, 46 anos, e das duas filhas Maria Clara e Tainá, de 15 e 16 anos, respectivamente. "A numeração nunca é a mesma nas lojas. Temos que experimentar peça por peça até encontrar algo que fique melhor e, ainda assim, mandar ajustar", conta a dona de casa. Segundo ela, em algumas situações, os custos representam quase 50% do preço pago nos produtos. "Gasto em torno de R$ 30 para fazer bainha e mandar apertar uma calça."

PUBLICIDADE

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Vestuários (Abravest), Roberto Chadad, a dificuldade da família Martins é comum. "Isto acontece porque ainda não temos um padrão que contemple os biotipos brasileiros. Cada empresário faz um tamanho para a calça 40, e a blusa M muda conforme a loja que você entra." Os dados da entidade revelam que o setor de vestuário e meias movimenta em torno de R$ 94 bilhões por ano. Chadad acredita que a modelagem nacional pode contribuir para alavancar os números.

Em Minas Gerais, o Sindicato das Indústrias do Vestuário (Sincovest) contabiliza a movimentação de R$ 1,4 bilhão por ano e tem as camisas de malha e a moda jeans como carros-chefe. Para o presidente da entidade, Michel Abourachid, a identificação do padrão nacional irá impactar diretamente a concorrência com os importados. "Melhorar a modelagem é investir em qualidade e design dos produtos, que são os grandes diferenciais do vestuário brasileiro em relação aos modelos chineses."

Atendimento

Além da indústria de vestuário, varejo e consumidores também aprovam a iniciativa. O superintendente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Juiz de Fora (CDL), Carlos Fernandes, acredita que o atendimento ao consumidor será mais rápido e personalizado. "Os balconistas terão mais informações para atender o cliente, que perderá menos tempo nas cabines. Melhorando o processo de atendimento, com certeza melhoraremos as vendas." A opinião é compartilhada pela professora Carmem de Fátima Nosdei, 52 anos. "Vai facilitar a hora da compra e tornar a situação menos desgastante. É muito ruim não encontrar a roupa que precisamos."

PUBLICIDADE

Já o auxiliar administrativo Wadson da Cruz Sampaio, 28, teme que o padrão aumente o preço das peças de vestuário. "A ideia é muito boa, só espero que o custo não fique maior." De acordo com o diretor do Senai Modatec, Jorge Peixoto, o efeito pode ser contrário, pois as indústrias economizarão em tecido.

Sair da versão mobile