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Caminhoneiros param na BR-040

a tarde interdicao da via durou cerca de duas horas terminando por volta das 17h leonardo costa09 11 15

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À tarde, interdição da via durou cerca de duas horas, terminando por volta das 17h (LEONARDO COSTA/09-11-15)
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Seguindo uma convocação surgida nas redes sociais, que mobilizou manifestantes em todo o país, um grupo de caminhoneiros realizou dois protestos ontem na BR-040, na altura do km 807, no município de Simão Pereira. No primeiro deles, à tarde, vários veículos de carga ficaram parados no acostamento e em meia pista da rodovia por cerca de duas horas. Com bandeiras difusas e pleitos por menores preços nos pedágios e do diesel, o ato não impediu totalmente o fluxo de veículos leves e coletivos, sem formar engarrafamentos. Os manifestantes não estimaram o tamanho da mobilização, que, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) se estendeu por até 1,5 quilômetro nos dois sentidos da via. Por volta das 20h30, a ação se repetiu nos mesmos moldes e no mesmo trecho da estrada que liga Juiz de Fora ao Rio de Janeiro e à Brasília.

À tarde, a restrição do trânsito em meia via durou até pouco antes das 17h. Após diálogo amistoso com integrantes da PRF, que argumentaram que o objetivo dos caminhoneiros de chamar a atenção para seus pleitos havia sido atingido, os manifestantes liberaram as duas faixas da via tanto no sentido Rio de Janeiro, quanto na pista que leva a Belo Horizonte. “Em momento algum eles impediram totalmente o trânsito, e as conversas tiveram objetivo de garantir a fluidez da pista. Até porque, um grande número de veículos parados na via é um risco para a segurança de todos”, explicou o inspetor e chefe de policiamento da PRF, José Márcio Gomes. Concessionária responsável pela administração do trecho JF-Rio, a Concer reforçou que não houve prejuízos ao trânsito na via. “A manifestação interditou parcialmente os dois sentidos da rodovia, mas sem gerar retenções ao tráfego”, afirmou em nota.

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No âmbito nacional, as manifestações agendadas pela internet foram pautadas por um viés anti-Governo federal e por pleitos contra o valor de combustíveis e outras tarifas que impactam o cotidiano dos caminhoneiros. Além das pautas que integraram os protestos convocados pelo Comando Nacional do Transporte, grupo que se declara autônomo e independente de vinculações sindicais, o ato em Simão Pereira levantou questionamentos pertinentes à realidade da região, como o valor do pedágio no trecho Juiz de Fora-Rio – que, em agosto, aumentou 24,44%, chegando a R$ 11,20 por eixo – e a restrição do trânsito de caminhões de três ou mais eixos na subida da Serra de Petrópolis – que passa por obras – às sextas-feiras, das 16h às 22h, e aos sábados, das 8h às 14h.

“Os preços do pedágio estão abusivos”, reclama o caminhoneiro, Lúcio Flávio dos Santos, 34 anos, de Matias Barbosa. Também da mesma cidade da Zona da Mata, o chefe de transportes Afonso Henrique Barra, 20, reforça as reclamações do colega. Ele ressalta ainda que a mobilização não tem qualquer relação com sindicatos. “Aliás, este também é um dos nossos pleitos, pois queremos uma melhor representatividade.” De fato, o caráter informal dos atos foi reforçado por posicionamentos da Confederação Nacional dos Transportes Autônomos (CNTA), da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), que se disseram contrárias aos bloqueios.

Movimento impacta gasolina e GLP

Logo no primeiro dia de greve dos caminhoneiros, os juiz-foranos já começam a sentir os reflexos da paralisação nacional. Além da ameaça de desabastecimento nos postos – provocando corrida e, em alguns casos, até estoque de combustível entre consumidores -, alguns distribuidores do gás liquefeito de petróleo (GLP) para uso residencial começam a repassar altas às revendas, usando a paralisação como justificativa. No mercado, há o dilema se o custo adicional – de até R$ 10 por botijão – será repassado ao consumidor final ou absorvido, para evitar queda nas vendas.

Em setembro, os juiz-foranos foram surpreendidos com o reajuste médio de 15% anunciado pela Petrobras no preço do gás praticado pelas refinarias e o aumento das distribuidoras que, em alguns casos, chegou a 8%. Com isso, o preço médio do botijão de 13 quilos que era de R$ 48,80, antes do aumento, chegou perto de R$ 60. Hoje, com a acomodação do mercado, é vendido, em média a R$ 54,83, conforme pesquisa mais recente da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) referente a 4 de novembro. “Fomos comunicados de mais este reajuste, mas, até o momento, não repassamos ao consumidor final. Não sabemos até quando vai dar para segurar o preço, pois estamos na iminência de faltar gás”, ressalta Mary Gonçalves, proprietária de uma revenda Ultragaz no Bairro Democrata, região Nordeste. Lá, o botijão custa R$ 60.

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Em outra revenda da mesma bandeira, no Marilândia, na Cidade Alta, o valor já foi repassado ao consumidor desde o último sábado (7), passando de R$ 55 para R$ 65. “Repomos nosso estoque semanalmente, mas, como há uma especulação de que pode faltar gás nesta semana, comprei o equivalente para duas semanas. Infelizmente não tem como não repassar, se não, ficamos no prejuízo”, afirma Camila Monteiro, proprietária da unidade.

No Bandeirantes, Zona Nordeste, uma revendedora Supergasbras ainda não recebeu o comunicado. “Ainda não fomos informados por nossos fornecedores. Pode ser que a nota amanhã venha com valor diferente”, ressalta Gilmar Jones, dono da revenda. No estabelecimento, o botijão sai a R$ 65. A Tribuna não conseguiu contato com a direção do Sindicato do Comércio Varejista Transportador e Revendedor de GLP do Estado de Minas Gerais (Sirtgas-MG) ontem para falar sobre o assunto.

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Nas bombas

Conforme a Tribuna noticiou na sexta-feira, Juiz de Fora pode ser atingida pelo desabastecimento dos postos de gasolina. Em função disso, há uma certa corrida aos postos. Frentistas de alguns estabelecimentos afirmam que há motoristas estocando combustível. A greve dos petroleiros, que completa 13 dias hoje, reduziu em mais de 20% a produção em todo o país, conforme dados da Federação Única dos Petroleiros (FUP). A paralisação dos caminhoneiros agrava a situação. Mesmo sem estipular números, o presidente regional do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), Carlos Alberto Jacometti avalia que, pelo fato de a reposição ser feita quase diariamente, já há alguns postos com problemas na composição do estoque, mas não pode-se falar de falta de combustível na cidade.

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