A economia de Minas Gerais sofreu retração no primeiro trimestre deste ano, quando o Produto Interno Bruto (PIB) do estado registrou decréscimo de 0,7% em termos reais em comparação com o mesmo período de 2014. Os dados foram divulgados ontem pelo Centro de Estatísticas e Informação (CEI) da Fundação João Pinheiro. O levantamento mostra que a desaceleração da atividade econômica foi motivada pela queda do desempenho em todos os setores, incluindo agropecuária, serviços e indústria.
A estiagem, enfrentada sobretudo no mês de janeiro, foi apontada como principal motivo para o recuo de 0,8% do PIB da agropecuária. O setor sofreu prejuízo com as primeiras safras de feijão e milho. “Além disso, a produção mineira de silvicultura, fortemente articulada às cadeias produtivas locais de metalurgia e produção de celulose e papel, também contribuiu para o resultado negativo”, explica o coordenador do Sistema de Contas Regionais de Minas Gerais, Raimundo Leal Filho.
Já o setor de serviços teve decréscimo de 0,7% impulsionado pelo resultado do comércio. “A redução da ocupação no mercado de trabalho, em conjunto com a inflação, gerou queda da renda real dos consumidores, que impactou negativamente as atividades comerciais.”
A retração de 0,1% do setor industrial foi justificada pelo resultado negativo do segmento de transformação, que viveu período de ajuste de estoques em fábricas de veículos automotores, de produtos minerais não metálicos, têxteis, bebidas e fumo. O volume de produção e distribuição de eletricidade, água e saneamento também reduziu no período devido à diminuição do consumo e à contenção do uso de hidrelétricas.
A indústria da construção civil também registrou perda. “As últimas unidades construídas durante o boom estão sendo vendidas para os compradores finais, mas o ritmo de construção de novas unidades permanece em compasso de espera devido à deterioração das condições de financiamento.”
