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Pedido de demissão cresce 30%

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Enquanto o número de dispensas dos trabalhadores com carteira assinada cresceu 4,75%, os pedidos por demissão subiram 30% em Juiz de Fora, considerando o primeiro quadrimestre deste ano ante o mesmo período de 2011. Dos 23.143 desligamentos contabilizados na cidade pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) entre janeiro e abril deste ano, 28,64% ou 6.630 foram reivindicados pelos próprios funcionários. Os dados constam no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e refletem uma realidade nacional: a alta rotatividade no mercado de trabalho.

Em entrevista à Tribuna, a diretora de Programas da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, Diana Grosner, avalia que o sonho do emprego com carteira assinada hoje perde espaço para o desafio de criar relações mais estáveis de trabalho formal. Segundo ela, mais da metade (57%) da rotatividade verificada no país envolve trabalhadores com renda de até dois salários mínimos, hoje R$ 1.244. Eles também são os principais alvos de corte nas empresas (82%). Os dados constam no último levantamento feito pela pasta, em 2010. "A rotatividade já é alta no Brasil e é ainda maior neste segmento. Estes trabalhadores conseguem entrar no mercado, mas sofrem com a instabilidade no emprego", considera.

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Em Juiz de Fora, a maioria dos pedidos de demissão partiu de funções cujos salários iniciais não chegam a dois mínimos, como vendedor do comércio varejista (613 pedidos e vencimento médio de admissão de R$ 782,08) e servente de obras (404 requerimentos e ganho médio inicial de R$ 754,60). Os dados são do Caged e também referem-se ao primeiro quadrimestre deste ano. No ranking das dez ocupações com maior demanda neste sentido, em alguns casos, as solicitações de dispensa pelo trabalhador representam mais da metade do total de demissões, como verifica-se entre os operadores de telemarketing ativo e receptivo (ver quadro).

De olho nesta realidade, a Secretaria de Assuntos Estratégicos planeja duas linhas de ação complementares: o Imposto de Renda Negativo e a formação continuada. No primeiro caso, a meta é oferecer subsídio ao funcionário. O Governo pagaria um valor mensal que seria debitado na fonte para garantir renda mínima àqueles que recebem até dois salários. "Seria uma espécie de incentivo ao trabalhador formal." Um profissional com dois filhos e renda de um mínimo poderia receber, a título de benefício, o equivalente a 20% de sua remuneração, exemplifica Diana.

No segundo caso, o objetivo é oferecer qualificação profissional a este mesmo público, a cada ano completado no posto de trabalho. "Com isso, melhoraríamos a produtividade e agregaríamos valor ao profissional, tornando-o mais valioso para a empresa." Segundo Diana, as duas propostas estão em estudo e têm por objetivo tornar mais interessante, para empregadores e empregados, a manutenção e a permanência no emprego, além de permitir acúmulo de capital e de conhecimento.

Para o economista Guilherme Ventura, professor do Centro de Ensino Superior (CES), a alta rotatividade implica em menor produtividade e maior custo para as empresas. "Os desligamentos possuem alto custo pelos encargos sociais, e as novas contratações demandam gastos com recrutamento, seleção e treinamento. Além disso, no início de um contrato de trabalho, naturalmente a produtividade é mais baixa." Criar boa ambiência e oferecer possibilidade de desenvolvimento dos profissionais no trabalho podem contribuir para a permanência no emprego, avalia ele. Para Ventura, o aumento nos pedidos de demissão pode ser explicado pelo aquecimento do mercado de trabalho, aumentando as chances de troca de ocupação com ganho salarial.

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Além das cifras

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"Há uma busca, por parte dos profissionais, por novos postos onde possam aplicar seus conhecimentos e serem reconhecidos e valorizados pelo que são capazes de desenvolver", avalia a psicóloga Maria Aparecida Frade Pires, consultora em Gestão de Pessoas da DRH – Desenvolvimento de Recursos Humanos. Na sua opinião, além das questões econômico-financeiras, há fatores sociais e comportamentais que influenciam a mudança de trabalho, como a busca por melhor qualidade de vida. "Se o atual emprego oferece objetivos que estão devidamente alinhados, propósitos claros e se existe uma consistência na gestão, vale a pena fazer parte deste grupo."

Para a consultora, mais importante do que os anos dedicados a uma mesma empresa ou a vasta relação de empregadores no currículo são a qualidade dos resultados apresentados no histórico profissional, os diferenciais, as habilidades e as competências oferecidas diante de desafios e a administração de conflitos do dia a dia. "O que realmente torna um emprego interessante é a qualidade das relações, sendo possível identificar, com clareza, aonde se pretende chegar e as reais possibilidades de alcançar os desafios propostos. A melhor relação é aquela em que ambos saem ganhando."

 

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Trabalhador experimenta setores diferentes

Uma particularidade verificada no mercado juiz-forano, tanto pelo comércio quanto pela indústria, é que o trabalhador, via de regra, não muda apenas de empresa, mas de ramo de atuação na cidade. O presidente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio), Emerson Beloti, identifica a migração dos funcionários do comércio para os serviços, especialmente aqueles que não atuam no segmento que gostariam e encontram no varejo a chance do primeiro emprego. A rotatividade, segundo ele, acontece em menos de três anos. "Com este período, o funcionário não cria vínculo afetivo com a empresa." Para Beloti, na hora da troca de emprego contam o salário, a jornada e os dias trabalhados. O presidente destaca os esforços dos empresários no sentido de oferecer cursos técnicos de qualificação para reter a mão de obra. "Deveria haver maior interesse das duas partes."

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Para o presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Francisco Campolina, com a crise econômica internacional, a indústria perdeu mão de obra para o comércio e os serviços. O "apagão" de mão de obra é atribuído a questões salariais. "A baixa remuneração não contribui para que os funcionários continuem na função que desempenham. A indústria tem que pensar diferente."

A construção civil é considerada uma exceção. Nos últimos dois anos, avalia Campolina, a falta de profissionais levou à sua valorização, com o aumento dos vencimentos. "Hoje não se contrata um mestre de obras por menos de R$ 3 mil e um pedreiro por menos de R$ 1.500. Isso faz com que a mão de obra fique estabelecida, não havendo tanta rotatividade." No caso do servente, que figura em segundo lugar na lista dos dez profissionais que mais pedem demissão em Juiz de Fora, é diferente. A baixa remuneração paga tem motivado a migração para os serviços, por exemplo.

Campolina destaca os esforços "exaustivos" dos empregadores para capacitar e requalificar os trabalhadores e a necessidade de aumentar a remuneração, conceder incentivos e oferecer treinamento. Só desta forma, avalia, é possível reduzir a rotatividade no ramo.

 

Nível de emprego

O diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT/JF) Oleg Abramov lembra da prática recorrente de manter o nível de emprego a partir da demissão de funcionários com mais tempo de casa e maior remuneração e a substituição por iniciantes, que recebem menos. O mesmo vale para a dispensa de profissionais mais qualificados e a contratação daqueles com formação básica. "É um mecanismo de precarização do trabalho." Na sua opinião, o trabalhador, quando encontra uma oportunidade com remuneração e condição de trabalho mais adequadas, migra. "A falta de investimento no funcionário é uma forma de tratá-lo como um escravo, ao invés de vê-lo como um capital."

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