Pouco mais de um mês após assumir a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, a economista Elisabeth Jucá e Mello Jacometti falou à Tribuna sobre o desafio de assumir uma secretaria (quase) dividida. Depois do carnaval, chega à Câmara mensagem do Executivo que prevê a divisão da pasta, com a criação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Com a mudança, Jucá irá se dedicar a criação, implantação e consolidação de um modelo de gestão por resultados. A economista anuncia também a continuidade da política de atração de negócios e identifica a potencialidade do setor de logística na cidade. Ela assume ainda o objetivo de aumentar a arrecadação de ICMS, reconhece a necessidade de elevar os salários médios iniciais e divulga o interesse da Prefeitura na cogestão do Expominas.
Aos 52 anos, 30 deles dedicados à vida pública, Jucá, que já foi secretária de Saúde, controladora-geral do Município e subsecretária de Planejamento Institucional, afirma que o desafio, agora, é mudar o paradigma da administração pública. Em pouco mais de 20 minutos de conversa, ela não escondeu o orgulho de ter a trajetória profissional reconhecida por vários governos, se disse otimista e garantiu ser movida a desafios. "Cheguei à Prefeitura com 15 dias de formada. Entrei para ficar seis meses e estou aqui até hoje."
– Tribuna – Como será sua linha de ação e quais são os projetos para a pasta nos próximos quatro anos?
– Elisabeth Jucá – Aqui somos Planejamento e Desenvolvimento Econômico, e o prefeito Bruno (Siqueira – PMDB) está fazendo a separação. O desenvolvimento econômico está se desligando dessa pasta e vai se tornar uma secretaria. Estamos acabando o estudo para enviar uma mensagem à Câmara. O planejamento vai se tornar Secretaria de Planejamento e Gestão. Essa é a primeira grande mudança. Vamos cuidar do planejamento e de um modelo de gestão de acompanhamento de resultados, para conseguirmos realizar o plano de Governo. Teremos também uma área de planejamento institucional, orçamento e captação de recursos para toda a Prefeitura, que já existe e estamos fortalecendo. Essa parte não é finalística, é no meio da estrutura, mas queremos dar apoio a todas as secretarias de realização, para que os projetos sejam colocados o mais rápido possível à população. Diante da dificuldade de recursos, vamos tentar captar recursos externos para viabilizar todas as questões propostas no plano de Governo. O orçamento público é coordenado por aqui. O nosso outro viés é a tecnologia de informação, ferramenta de realização desse modelo. Hoje, para você gerir bem, tem que ter tecnologia. Também iniciamos estudo de uma estrutura fortalecida de planejamento urbano, que é uma demanda da sociedade. Já começamos a pensar nesse órgão, que será participativo. Dentro desse projeto há também, paralelamente, os planos diretores e os planos por setores. Com isso, já temos trabalho para quatro anos.
– Sobre a divisão das pastas, quando se consolidará?
– Está acabando de ser elaborada. A nossa intenção é que seja encaminhada, no mais tardar, após o recesso do Legislativo.
– Por enquanto, a senhora ainda responde tanto pelo planejamento, quanto pelo desenvolvimento econômico. Quais são seus objetivos nessas duas frentes?
– Meu objetivo primeiro é implementar esse modelo de gestão, que passa por uma mudança de paradigma da administração pública. Na realidade, é uma gestão por resultado. Vamos investir nisso, para dar melhor resultado para a sociedade. Estamos começando a estudar o modelo, implementar e sedimentar todo esse processo. É uma mudança de como se vê a administração pública voltada para o cidadão. Significa participação popular. Mudar os processo internos para dar mais agilidade e conseguir atender melhor o cidadão. Eu espero que, no primeiro ano, já consiga implementar o modelo. A fixação acontece no segundo. No terceiro ano, espero revisar e colher os resultados.
– Na prática, como o cidadão será beneficiado?
– Vamos acompanhar todos os projetos em execução. Vou te dar um exemplo. Começamos a construir uma unidade básica. O cronograma são dez meses. Vamos acompanhar e cobrar para que o projeto seja executado nesse prazo. Se não forem dez meses, lógico que há imprevistos, no máximo, em doze, para que possamos dar esse resultado o mais rápido possível à sociedade. O modelo é assim. A gente cobra, tem que cumprir os cronogramas, mas também damos apoio às dificuldades. Existe todo um problema de Poder Público que é a questão orçamentária e financeira. Temos restrições. A gente tenta racionalizar melhor o recurso. Uma obra é orçada em dez meses. Se for executada em 18 meses, fica mais cara. O que a gente quer é racionalizar. O objetivo é atender melhor a sociedade, com mais rapidez e menos recursos. É o meu grande desafio, porque muda o processo de trabalho interno da Prefeitura.
– Na gestão passada, houve uma política muito agressiva de atração de negócios e diversificação da economia. Esse foco continua?
– A política de atração continua, porque é um viés fundamental para todas as realizações da área social. Para aumentar a receita do Município, é preciso desenvolvimento econômico. Melhorar a atividade econômica gera valor adicional fiscal que volta para o Município na forma de ICMS. Dependendo do tipo de serviço, ISS também. É fundamental esse viés de desenvolvimento econômico, não só para cidade, emprego e renda, mas também para melhoria da nossa receita própria.
– Como será conduzida essa política de atração? Hoje temos uma lacuna que é a falta de área infraestruturada…
– Uma coisa que está se firmando em Juiz de Fora é logística. Os centros de distribuição que precisam de áreas, mas não são terrenos tão grandes como as de um processo industrial ou uma indústria automobilística. Isto está se fortalecendo aqui e gera muito recurso. Pode ser, no futuro, a característica da cidade: um centro logístico.
– A Prefeitura criará incentivos para as áreas de logística e de TI?
– Estamos estudando e revendo esses processos para continuar discutindo. É uma mudança de Governo, nós estamos revisando esses processos antigos, para dar continuidade.
– A arrecadação de ICMS no município caiu cerca de 13% no ano passado. Como a senhora vê essa queda e o que pode ser feito para revertê-la?
– Perdemos muito em função das áreas de mineração, que estão crescendo, mas precisamos recuperar isso. No estudo dos últimos PIBs, os cinco primeiros (municípios em MG) são áreas de mineradoras e estão na faixa de R$ 1 bilhão. Nós estamos na segunda faixa, de R$ 500 milhões. Nossa intenção, a princípio, é ser o primeiro dessa segunda faixa de arrecadação. Com a atração dessas novas empresas, a gente consegue. Com mineradora é difícil competir.
– Há interesse na atração de empresas de qual perfil?
– Temos que ver a tendência de centros logísticos e indústrias automobilística e de estruturas metálicas, que está sendo um perfil nosso. Quem vier, estamos conversando. Esse movimento não parou.
– O salário médio inicial em Juiz de Fora é de R$ 1.004,59, 11% menor do que a média nacional e 3,4% inferior que a média mineira. Como mudar esse quadro?
– As indústrias que chegaram à cidade até agora colocam salário em nível médio. Temos que investir também em indústrias de tecnologia, que elevam o salário. Temos um coordenador que está trabalhando junto com a UFJF para dar incremento ao Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região.
– Embora o Expominas seja administrado por um órgão estadual, é considerado um vetor de desenvolvimento local. O que o município pode fazer de concreto nesse sentido?
– Juiz de Fora é caracterizada pelo turismo de eventos. Para você ter turismo de eventos, passa pelo Expominas. A PJF está fazendo um estudo para ter uma ação junto ao Governo de Minas sobre uma possível cogestão. Desta forma, a gente consegue ter uma participação mais efetiva nesse processo e fortalecer o setor de turismo.
– Enfrentamos o problema do apagão da mão de obra, principalmente nos setores de metalurgia e siderurgia. Como suprir essa lacuna?
– Investindo em treinamento. A nova secretaria vai ter a parte de desenvolvimento econômico, turismo e emprego e renda. Emprego e renda olhando para o setor econômico em articulação com a área social. Articular para fortalecer treinamentos, usando principalmente o Sistema S, como Sesc, Senai e Senac. Hoje já temos essa parceria, queremos fortalecê-la.
