A crescente facilitação do crédito e o aumento do número de consumidores endividados foram destacados como principais fatores que levaram à realização do 1° Seminário de Estudos sobre Educação Financeira e Superendividamento, promovido, ontem, pela Agência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon). Defensores públicos, servidores do Procon e entidades ligadas aos direitos do idoso participaram do evento, que contou com palestras ministradas por especialistas em educação financeira, realizadas durante todo o dia no Centro de Formação do Professor, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas.
Segundo o superintendente do Procon, Eduardo Schröder, a iniciativa pretende capacitar os profissionais que trabalham diretamente com o público e dá base ao projeto de implantação de um núcleo permanente que trate de questões relacionadas ao endividamento, que deve começar a funcionar em janeiro. Precisamos enfrentar as mudanças sociais que ocorrem no país. O consumidor ainda tem que aprender a lidar com esse crédito farto e temos que diversificar nosso entendimento para atender a essas pessoas com vulnerabilidade financeira, avalia. O superindividamento faz parte da realidade de 9% dos brasileiros, de acordo com dados do Superior Tribunal de Justiça (STJ). As pessoas físicas devem, hoje, cerca de R$ 716 bilhões aos bancos e dados recentes do Banco Central apontam para o recorde de que cada brasileiro endividado acumula, atualmente, débitos que somam cerca de 42% da soma dos salários de um ano inteiro.
A palestra de abertura, ministrada pelo consultor da Bovespa, Carlos Alberto Barboza, abordou a importância da educação financeira. Para o especialista, os brasileiros estão cada vez mais atrelados ao que chamou de dinheiro de plástico, recursos que agregam juros, muitas vezes abusivos, e acarretam o crescente endividamento. A educação financeira não faz parte das grades curriculares nas escolas do país, como ocorre na Europa, Ásia e Estados Unidos. Aprendemos apenas a educação formal, enfatiza. O planejamento das finanças pessoais a partir de conceitos básicos e renúncias diárias, restritas ao que é necessário, são valores fundamentais que devem ser incentivados, segundo Barboza.
