Uma reunião hoje em Brasília promete discutir o futuro da planta local da Mercedes-Benz. Articulada pela deputada Margarida Salomão (PT), a audiência deve reunir, além da parlamentar, o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges, o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) e representantes da Mercedes, da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg-Zona da Mata) e do Sindicato dos Metalúrgicos. Em seu Twitter, a parlamentar divulgou que a reunião será nesta quinta-feira, às 18, no gabinete do ministro. Conforme nota da assessoria de Margarida, Mauro Borges irá pedir à montadora que interrompa a transferência da produção de caminhões para São Bernardo do Campo (SP) enquanto as partes não voltem a negociar a situação da planta local. Amanhã, o Sindicato se reúne na cidade com o prefeito.
Ontem, segundo dia de paralisação das atividades na fábrica, cerca de 400 funcionários estiveram na Câmara Municipal para pedir apoio do Legislativo de forma a evitar o esvaziamento da unidade juiz-forana. Durante reunião com os vereadores, os trabalhadores, que lotaram o plenário e o saguão da casa, receberam com otimismo a notícia da criação de uma comissão especial formada por Rodrigo Mattos (PSDB), Roberto Cupolilo (Betão – PT), Nilton Militão (PTC) e Chico Evangelista (PP) para tratar do assunto.
Paralisação
O movimento dos metalúrgicos começou ontem às 6h da manhã, em frente à sede da empresa, onde as duas portarias foram interditadas. Funcionários diretos e indiretos da montadora aderiram à mobilização e seguiram em carreata para o Centro. Em frente à Câmara, eles esperaram o término da audiência pública que discutiu o aumento da tarifa da passagem de ônibus para se reunirem com os vereadores.
A paralisação das atividades na fábrica segue por prazo indeterminado. A decisão, segundo informações do sindicato, foi tomada diante do comunicado que teria sido feito pela diretoria da empresa, na última terça-feira, sobre a intenção de suspender a produção de caminhões. A planta juiz-forana ficaria responsável apenas pela montagem e pintura da estrutura de cabines dos veículos, o que reduziria em dois terços o número de trabalhadores. “O desenho que eles fazem sobre o futuro é o pior possível, com expectativa de esvaziamento total da fábrica em 2018”, afirma o presidente do sindicato, João César da Silva. “Nossa chance de reverter esse quadro é agora e, para isso, precisamos unir forças. O município investiu muito nessa empresa.”
De acordo com João César, a Mercedes teria afirmado que em 2016 será encerrada a produção do caminhão Accelo, principal produto da planta local. Atualmente são fabricados, em média, oito mil veículos deste modelo por ano. Já o Actros, que possui média anual de produção de mil unidades, deixaria de ser fabricado em 2018. “Os impactos negativos não são só para a nossa categoria, mas para a economia de Juiz de Fora. A Prefeitura já afirmou que a Mercedes é a principal arrecadadora de impostos na cidade.”
Procurada pela Tribuna, a assessoria da Mercedes declarou apenas que “não confirma as demissões na planta de Juiz de Fora, conforme está sendo divulgado”, e que, “em relação à paralisação, está aberta para ouvir o Sindicato e conversar com os trabalhadores”.
Ações
Reconhecendo a “gravidade da situação”, o presidente da Câmara, vereador Júlio Gasparette (PMDB), designou a criação de uma comissão especial para acompanhar o assunto. “Neste momento temos que fazer o máximo para garantir esses empregos. Até agora, nós fizemos mais por essa empresa do que ela por nós.” A comissão será responsável por encaminhar representação à Prefeitura, Assembleia Legislativa, Senado, Governo e Congresso. “Pretendemos agendar uma reunião com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Rogério Nery, na próxima semana. Também marcaremos uma audiência pública na segunda quinzena deste mês”, informou o presidente da comissão, Rodrigo Mattos.

