O Produto Interno Bruto (PIB) mineiro recuou 1,5% no segundo trimestre de 2015, pouco menos que o PIB nacional, que apresentou retração de 1,9% na comparação com os três primeiros meses deste ano. A indústria foi a atividade mais afetada pelo cenário recessivo da economia. Em Minas Gerais, o setor recuou 3%. Os serviços também apresentaram queda, mesmo em menor percentual: -1,3%. Ainda conforme o boletim informativo divulgado pela Fundação João Pinheiro (FJP) ontem, no primeiro semestre, o PIB mineiro recuou 4,1%. A retração foi resultado da queda de 7,9% na indústria e da variação negativa de 2,4% nos serviços. No país, no mesmo período avaliado, a retração do PIB também existiu, mas em menor percentual (-2,1%).
De acordo com o coordenador do Sistema de Contas Regionais da FJP, Raimundo Leal, um conjunto de fatores tem afetado negativamente as economias mineira e brasileira. Para ele, o quadro de ajuste fiscal e monetário em curso contribui para o arrefecimento dos indicadores de confiança de empresários e consumidores. “A elevação da taxa de juros entre abril de 2013 e abril de 2014 afetou o ritmo de crescimento da atividade econômica. Essa recessão, iniciada no segundo trimestre de 2014, foi agravada por um segundo ciclo de elevação da taxa de juros iniciado em outubro do ano passado. Em 2015, o programa de ajuste fiscal conduzido pelo Ministério da Fazenda causou corte de despesas que contribuiu, junto com o efeito dos juros, para o aprofundamento da recessão”, explicou.
Conforme a FJP, mesmo com cenário restritivo, o volume de valor adicionado pelo setor agropecuário mineiro cresceu 3,4% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. A performance da cafeicultura mineira, sobretudo na região da Zona da Mata, foi considerada determinante para o resultado positivo do setor. Outra constatação do estudo é que, no setor de serviços, a redução do nível de atividade econômica foi mais moderada, com queda de 1,3%. “Mesmo assim, dentro do setor, chama atenção a considerável redução ocorrida nas margens de comércio e de transporte”, observou o pesquisador da equipe de Contas Trimestrais, Caio Gonçalves. Conforme a FJP, os resultados são preliminares e estão sujeitos a revisão.
