
Receita, MP e polícias divulgam dados da operação
O empresário Luiz Ferreira Marangon Macedo, 62 anos, o filho dele, Bruno Quinet Macedo, 30, e José Maurício Macedo Teixeira da Fonseca, 59, deixaram o Ceresp no início da madrugada de ontem. De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), o juiz José Armando Pinheiro da Silveira expediu o alvará de soltura e decretou a prisão domiciliar dos três homens. Eles haviam sido detidos na manhã de terça, mediante mandados de prisão temporária válidos por até cinco dias, durante a operação "Bodas de Pérola" deflagrada pela Receita Estadual e Ministério Público, com apoio das polícias Civil e Militar. As ações visaram a desmontar suposto esquema de sonegação fiscal de mais de R$ 50 milhões, que envolveria nove empresas, entre elas a Viação Frotanobre e algumas já extintas.
Procurado pela Tribuna ontem, o advogado dos empresários, Áureo Fortuna, preferiu não dar detalhes da soltura de seus clientes. "Foi um aparato ridículo e covarde, não havia necessidade disso. Empresas passam por dificuldades, mas não existe isso de R$ 50 milhões", disse o advogado. Ele afirmou, ainda, estar acompanhando a investigação. "Por enquanto não tem defesa porque não há processo, tudo está sendo investigado. Criaram uma situação supostamente penal, que foi reparada a tempo, ontem mesmo."
Segundo o promotor Carlos Ari Brasil, coordenador da promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária da Zona da Mata, o MP irá dar sequência às investigações, a partir dos documentos apreendidos na terça. Ainda conforme Ari Brasil, começarão a ser ouvidas outras empresas que compõem o quadro societário entre as firmas investigadas. O promotor informou, ainda, que o Banco Central já realizou o bloqueio de todas as contas e investimentos de pessoas físicas e jurídicas envolvidas no esquema. "Todo o material será encaminhado ao laboratório de lavagem de dinheiro que temos em Belo Horizonte."
Durante a operação, deflagrada na última terça, foram apreendidos documentos e equipamentos de informática na sede de empresas e em três residências. A maior parte do trabalho ficou concentrada em Juiz de Fora, mas também houve diligência em um apartamento no Rio Janeiro. As buscas no imóvel carioca tiveram o apoio do MP, Receita e PM do Rio. Em Juiz de Fora, foram mobilizados 37 auditores fiscais, 27 policiais militares e quatro civis. Os dados colhidos na ação serão cruzados com as informações oficialmente prestadas pelas empresas, para que a Receita e o MP possam quantificar o real volume das operações financeiras.

