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Motoristas ameaçam parar

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Os trocadores e motoristas de ônibus podem cruzar os braços já na próxima semana em consequência da falta de avanço das negociações salariais. Na segunda-feira, será realizada mais uma rodada com representantes da Astransp, com o objetivo de ir além da reposição inflacionária oferecida até então. Na falta de acordo, ameaçam comprometer o funcionamento do serviço de transporte urbano oferecido à população. A última greve da categoria aconteceu em 2013.

Em comunicado divulgado ontem, a Astransp informou que, desde 1º de maio, tem repassado aos trabalhadores o aumento de 7,13% referente ao acumulado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), garantindo a data-base de fevereiro. “Para ir além desta prévia, as empresas não vislumbram grandes perspectivas de avanço, pois têm acumulando uma defasagem histórica entre despesas e receitas, agravada nos últimos anos.” O objetivo da nota era “sensibilizar a categoria profissional, visando à sobrevivência do sistema e a manutenção do serviço prestado dentro de níveis adequados”.

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Segundo o tesoureiro do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo Urbano (Sinttro), Carlos Alves, os trabalhadores não tinham conhecimento da nota e vão aguardar a reunião de segunda-feira para decidir como agir. “Se não avançar, com certeza vamos parar a cidade de novo.” A categoria reivindica 5% de ganho real, o que elevaria o reajuste para algo em torno de 12% este ano.

Equilíbrio financeiro

Na nota, a Astransp cita os ganhos reais concedidos nos últimos anos e os sucessivos aumentos dos combustíveis como impactos no equilíbrio financeiro das empresas. Entre as despesas administrativas, foram citados os custos de taxas e seguros, além de acréscimos no custo operacional com o incremento de linhas e horários após o último cálculo tarifário. “A Astransp reivindica ainda que, para a próxima discussão da planilha do transporte, passem a ser consideradas despesas que nunca tiveram contrapartida no cálculo da tarifa, como a responsabilidade com os custos do Sistema Apoio (14 kombis para transporte gratuito de pessoas com dificuldade de locomoção), além de alguns impostos e outros gastos para controle e modernização do transporte, como aferição de tacógrafos, manutenção de câmeras de segurança, dos validadores da bilhetagem eletrônica e do sistema de GPS.”

A entidade também destaca a necessidade de trocar 84 ônibus em julho, ao custo estimado de R$ 25 milhões. A medida, segundo a nota, visa a manutenção de carros com menos de dez anos de uso. “As empresas alertam que, dificilmente, isso será possível sem uma recomposição tarifária.”

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Procurada, a Secretaria de Transportes e Trânsito (Settra) garantiu que, até o momento, não há discussão dentro da Prefeitura em relação ao reajuste da tarifa do transporte coletivo urbano. O posicionamento é que a secretaria está cumprindo a determinação do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Em março, o TCE reafirmou que a tarifa não poderá ser reajustada até a conclusão da licitação do transporte público. O valor de R$ 2,25 só será alterado em condição excepcional, que deverá ser justificada e julgada pelo órgão. Conforme a Prefeitura, o edital de licitação está previsto para ser divulgado até o final de junho.

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