
Os alimentos continuam pressionando a inflação este início de ano. Em Juiz de Fora, o consumidor está pagando até 53% a mais, conforme levantamento feito pela Tribuna com base no comportamento de itens da cesta básica e hortifrutigranjeiros desde janeiro até agora (ver quadro). Dos 27 itens pesquisados, 13 sofreram aumento, sendo cinco deles frutas, nove tiveram queda de preços e cinco permaneceram com custo inalterado. Foram consideradas as pesquisas da Cesta Básica da Secretaria de Abastecimento e Agropecuária (SAA) dos dias 5 de janeiro e 29 de março e os preços da Ceasa Minas referentes a Juiz de Fora nos dias 3 de janeiro e 2 de abril.
Dentre os itens cesta básica, as maiores altas foram encontradas no feijão preto (22,7%) e no açúcar cristal (12,16%). Entre as hortaliças, a cebolinha (28,5%) e o agrião (25%) apresentaram os maiores aumentos. Melão (53,3%) e morango (41,6%) foram os recordistas entre as frutas. Nos supermercados, os consumidores comprovam esta realidade, com lista de compras em punho. A dona de casa Vanda Flores de Andrade anda com bloquinho e caneta na bolsa. Visita pelo menos três estabelecimentos, anota os melhores preços e só depois escolhe onde vai fazer as compras do mês. "Se sobra R$ 1 em um produto e R$ 0,50 em outro, já dá para comprar um terceiro", ensina. Vanda identifica alta nos preços em relação ao ano passado, especialmente nas frutas, um de seus alimentos preferidos.
Outra adepta das promoções é a pintora Suzana Assumpção Menezes de Moraes. "Pesquiso porque os preços subiram muito." Suzana identifica alta de carne, leite e derivados este ano. No início do mês, a pintora compra os itens básicos. Os supérfluos, segundo ela, mais caros, são adquiridos de acordo com as ofertas dos supermercados. Para ela, a comparação de custo faz diferença no final do mês, para o orçamento doméstico da família. "Vale a pena pesquisar." A Associação Mineira de Supermercados (Amis) foi procurada, mas não se posicionou sobre o assunto.
Para o presidente da Associação dos Produtores Rurais de Juiz de Fora, Domingos Frederico Netto, a inflação dos alimentos só poderá ser revertida em 2013, a partir do resultado da próxima safra. Na deste ano, avalia, houve queda na colheita de soja, milho e feijão por influência climática. "O estoque está muito baixo no mundo inteiro, e a reserva mundial de alimentos é pequena. A tendência de alta dos preços continua." De acordo com Domingos, a região não é produtora de grãos, mas o consumidor paga por falta e alta do alimento.
Previsão
O coordenador de pesquisas da Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA), Júlio Alvarenga, aposta em estabilidade de preços ainda este ano, a menos que algum fator "force uma variação alta" de produtos como tomate, batata inglesa e banana, altamente suscetíveis a intempéries. Prova disso, segundo ele, é que a oscilação do valor da cesta básica é pequena. Na pesquisa referente ao dia 29 de março, o custo total era de R$ 203,89, redução de 8,34% ante o valor praticado em 5 de janeiro (R$ 222,45).
Com a chegada do frio, no final de maio, a expectativa do coordenador é que produtos como a banana sejam afetados. A alta do alimento hoje é de 2,5% em comparação ao início do ano. "O único temor que tenho é em relação ao feijão. O Paraná e a Bahia produziram pouco, e o produto já subiu bastante de preço." Em janeiro, o quilo custava R$ 2. Agora é encontrado, em média, a R$ 2,48. A alta de 22,7% é a maior entre os 13 produtos da cesta.
"A situação que imaginava-se ser terrível não está sendo, pelo menos até agora", considera o chefe da Seção de Informação de Mercado da CeasaMinas, Ricardo Martins. Segundo ele, o preço médio do hortifrutigranjeiro teve alta de 1,6% em março ante fevereiro. As hortaliças apresentaram queda de 5,3%, e as frutas, aumento de 4%. Os ovos comportaram o maior reajuste (16%) em função do aquecimento da procura na Quaresma. Os dados referem-se ao cenário estadual, mas também refletem a realidade local, afirma o especialista.
Na avaliação de Martins, a pior época do ano para comercialização desses alimentos é entre janeiro e abril, em função do excesso de chuvas, que compromete a produção e eleva os preços. "Começamos a caminhar para uma fase em que a oferta é mais regular e a qualidade melhora. A tendência é que os preços fiquem um pouco mais baixos."

