Juiz de Fora pode ser atingida pelo desabastecimento dos postos de gasolina a partir da próxima semana. A greve dos petroleiros, que completa dez dias hoje, reduziu em mais de 20% a produção em todo o país, conforme dados da Federação Única dos Petroleiros (FUP). Paralelo a isso, ocorre a ameaça de paralisação dos caminhoneiros na segunda-feira, dia 9, o que pode impedir que os combustíveis, já em menor quantidade, cheguem aos seus destinos. A possibilidade preocupa o setor, que enfrenta dificuldades com as sucessivas altas de preço e a escassez do etanol, que está em período de entressafra.
O presidente regional do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), Carlos Alberto Jacometti, explica que os combustíveis utilizados nos postos de Juiz de Fora chegam de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. “Por enquanto, o movimento dos petroleiros ainda não impactou a distribuição para os postos da cidade, mas a possibilidade de greve dos caminhoneiros nos preocupa bastante. No ano retrasado, quando ocorreu, os produtos ficaram retidos na BR-040”, relembra.
Segundo Jacometti, a possibilidade de desabastecimento agrava um cenário que já se mostra complicado. Ele relata que os empresários foram pegos de surpresa com o último reajuste da gasolina e do diesel, anunciado pela Petrobras em outubro. Em contrapartida, o etanol também vem sofrendo altas por conta do período de entressafra. “Os aumentos de preço sempre impactam a demanda”, destaca. “No caso do etanol, a situação é ainda mais difícil porque o produto está se tornando escasso no mercado. É possível que aconteça uma disparada nos custos que faça com que, em breve, ele deixe de ser vantajoso em comparação com a gasolina.” O valor do álcool é considerado competitivo quando equivale a até 70% do preço da gasolina.
Balanço
De acordo com a assessoria da FUP, a greve dos petroleiros atingiu os estados de Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Paraíba, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. A mobilização, segundo a entidade, reduziu a produção de 450 mil barris de petróleo por dia, o correspondente a 21% do total. Os trabalhadores reivindicam aumento salarial de 10% e manutenção dos direitos trabalhistas. A Petrobras, por meio de sua assessoria, afirmou que o impacto foi de 270 mil barris e declarou que “está tomando as medidas jurídicas cabíveis para resguardar seus direitos” e garantir a manutenção de suas atividades.
Em nota enviada à imprensa, o Sindicato dos Petroleiros de Duque de Caxias (Sindipetro) previu falta de combustível na semana que vem, caso a paralisação continue. A estimativa é de que na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), a redução da produção implique em prejuízo de R$ 1 milhão por dia. Em Betim, os trabalhadores da Refinaria Gabriel Passos (Regap) também aderiram ao movimento. Não foram informados os impactos na produção.
Nas redes sociais
A paralisação dos caminhoneiros está senda organizada nas redes sociais pelo Comando Nacional do Transporte (CNT) e não possui vínculo sindical. A principal reivindicação dos organizadores é com relação ao momento político que o país vivencia. A página no Facebook, criada por Ivar Luiz Schmidt, reúne mais de 31 mil seguidores.
