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Escassez eleva salário de domésticas

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Após 5 anos, Nair aceitou proposta de R$ 1 mil
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Após 5 anos, Nair aceitou proposta de R$ 1 mil

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Se, há algum tempo, era comum encontrar mulheres batendo na porta das casas perguntando se a família não estava precisando de empregada doméstica, agora a situação se inverteu. Hoje em dia, quem questiona a empregada da vizinha se ela conhece alguém para trabalhar em sua casa é a empregadora. A escassez desse tipo de profissional em Juiz de Fora tem elevado os salários, que chegam a até R$ 1.200. O valor se aproxima da média salarial paga no município – R$ 1.346,96, segundo balanço municipal da Relatório Anual de Informações Sociais 2010 (Rais).

De acordo com a diretora da agência de recrutamento Kanguruh, Cláudia Guimarães Frota, a demanda por empregadas domésticas é altíssima. "Abri a empresa, que é especializada na seleção desse tipo de mão de obra, na cidade há cinco meses, justamente por perceber esta necessidade. Temos muitos clientes na fila, a maioria das classes A e B. São casais que trabalham fora e têm filhos". Segundo ela, os empregadores pagam, em média, entre R$ 600 e R$ 800. "Mas muitos, para não perderem a funcionária, acabam fazendo concessões, como flexibilização de horário, e também aumentam o salário, que pode chegar a R$ 1.200 com bonificações", relata.

Foi o que aconteceu com Nair Cristina dos Santos, 53 anos. Após cinco anos atuando como faxineira, ela resolveu aceitar a proposta de uma de suas clientes para trabalhar em sua casa. "Ela sempre me oferecia uma quantia que não valia a pena. Com a faxina, conseguia tirar, em média, R$ 800 por mês. Mas agora vou ganhar R$ 1 mil, com os benefícios da carteira assinada, vale-transporte e direito a hora extra. E o melhor: não vou trabalhar sábados nem feriados. Nesta quarta-feira (feriado de 7 de setembro), vou descansar", comemora.

Reajustes

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A escassez de mão de obra tem pesado mais nas negociações do que a inflação mais alta e o crescimento econômico menor previsto para este ano na hora de negociar salários. Categorias mais fortes, como metalúrgicos, bancários, petroleiros e químicos, costumam obter ganhos reais maiores que as menos organizadas. Entretanto, mesmo categorias historicamente pouco sindicalizadas ou ligadas à informalidade obtiveram reajustes acima da inflação neste ano, segundo informações da Agência Estado.

O economista da LCA Consultores, Fabio Romão, destaca o rendimento das empregadas domésticas como um dos exemplos desse fenômeno. Ele cita dados da mais recente Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostra que o rendimento das empregadas domésticas cresceu 5,9% em julho na comparação com o mesmo mês de 2010, praticamente dois pontos percentuais acima da média do país.

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"A empregada doméstica tem o rendimento muito relacionado ao salário-mínimo, mas mesmo em um ano em que o mínimo não teve aumento real, a categoria obteve um rendimento acima da média", afirmou. "Isso ocorre por causa da escassez de mão de obra: parte das domésticas migrou para o comércio e os serviços, e os patrões preferem dar um aumento maior para não perder a empregada." De acordo com pesquisa do Data Popular, instituto de pesquisa e consultoria em São Paulo, a renda de trabalhadoras domésticas teve crescimento acima da média nacional de 2002 para cá. Enquanto a renda do brasileiro médio aumentou 25%, a das domésticas subiu 43,5%.

A assessora de comunicação Telma Elisa da Silva Souza mora num condomínio no Bairro São Pedro e está à procura de uma empregada desde fevereiro. Casada e mãe de dois filhos, ela conta que tem encontrado bastante dificuldade para contratar, e não por falta de tentativas. "Já fiz vários contatos com empregadas aqui na vizinhança para ver se me indicam uma pessoa que goste de crianças para trabalhar aqui em casa. Sondei até no Facebook, com amigos", relata. Desde a última segunda-feira, diz que mudou seu horário de trabalho para poder ficar com a filha mais nova. "Um estuda pela manhã e a outra, à tarde. Preciso de alguém para me ajudar com as crianças. Mas agora estou na dúvida se não contrato somente uma faxineira em função do custo", pondera.

 

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Só 27% têm carteira assinada

A melhoria sócio-econômica da população brasileira nos últimos anos, segundo o presidente do Portal Doméstica Legal (www.domesticalegal.org.br), com sede no Rio de Janeiro, Mario Avelino, reduziu o estoque de mão de obra para emprego doméstico, principalmente da faixa etária até 26 anos. "Antes, a filha da doméstica seguia os passos da mãe. Com a diminuição da desigualdade, os filhos destas domésticas estão estudando e querem melhores oportunidades de trabalho, já que a função é considerada subemprego", ressalta.

Avelino destaca ainda que, apesar da melhoria nos ganhos, a informalidade no setor é muito grande. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2009, apontam que o país tem 7,2 milhões de empregadas domésticas. Desse total, apenas 27,62% (1,9 milhão) têm carteira assinada. Para ele, além da cultura de desvalorização da função, os altos custos para o empregador estimulam o trabalho informal.

Para melhorar as condições do emprego doméstico, a ong mantém a campanha "Legalize sua doméstica e pague menos INSS", que inclui projetos de lei atualmente em tramitação no Senado e na Câmara dos Deputados. Um deles propõe o fim da multa de 40% sobre o saldo do FGTS para o empregador doméstico que optar em depositar o benefício. Outro define que diarista é a profissional que trabalha no máximo dois dias por semana para a mesma pessoa, recebe no dia da diária e não tem vínculo empregatício. Há também projeto que reduz o INSS do empregador de 12% para 6% (seis por cento), e prevê alíquota única de 6% para a doméstica. "O empregador é um gerador de trabalho e renda, é preciso reduzir os custos para que ele possa manter a empregada", defende.

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