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Usuários insatisfeitos com viagens

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Wesley Camilo queixa-se de quebra de ônibus
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Wesley Camilo queixa-se de quebra de ônibus

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Para quem viaja com frequência entre cidades da região, a necessidade de embarcar em coletivos intermunicipais e interestaduais deixa de ser uma alternativa para se transformar em dor de cabeça em algumas ocasiões. Relatos de passageiros revelam que o serviço prestado por algumas empresas está aquém do esperado e acaba ocasionando atrasos, insegurança e surpresas durante o trajeto. Conforme dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável pela fiscalização dos interestaduais, em 2012 foram feitas cerca de 120 reclamações relativas a linhas que possuem seção em Juiz de Fora. A maioria diz respeito a problemas com funcionários, atraso de viagens e alteração do esquema operacional da linha. Já o Departamento Estadual de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), que fiscaliza os intermunicipais, computou apenas 11 queixas em 2012 e seis este ano, sendo que os principais motivos foram falta de higiene e conforto. O pequeno número de reclamações formalizadas nos órgãos competentes, no entanto, parece não condizer com a realidade denunciada pelos usuários dos coletivos, que não têm a opção de recorrer a outras empresas, dado o modelo de concessão do setor, que garante exploração exclusiva de cada trecho. Se, por desconhecimento ou descrédito, as reclamações oficiais não surpreendem, nas redes sociais os passageiros ganham voz e passam a denunciar com frequência os problemas enfrentados.

Isso é o que faz o turismólogo Alexandre Delgado, 30, que quase todos os finais de semana deixa Juiz de Fora rumo à Lima Duarte. Ele e um grupo de pessoas que fazem com frequência o trajeto usam a página "Acontece em Lima Duarte e região", no Facebook, para essa finalidade. Para ele, "não há nenhum elogio a ser feito" à Frotanobre, responsável pela linha entre os municípios. "Os carros são antigos e parece não haver manutenção, porque os problemas mecânicos são recorrentes. Em alguns, há sujeira, o estofamento está danificado, o cinto de segurança não funciona. Os atrasos também são comuns."

Usuários da linha Juiz de Fora/Matias Barbosa, também da Frotanobre, queixam-se da mesma situação. O estudante Wesley Camilo, 20, viaja semanalmente neste trecho. "Quando não há nenhum problema, a viagem dura 45 minutos. Mas, quando o ônibus quebra, pode levar mais de uma hora. Comigo, já aconteceu de quebrar no próprio ponto de saída de Matias Barbosa." A fiscal de loja Luciana Guedes, 37, diz ter recebido três advertências da empresa onde trabalha devido aos atrasos do coletivo. "Saio de Matias às 5h diariamente e posso dizer que é comum haver atraso. Quando ele não passa no horário, prejudica muito quem tem compromisso em Juiz de Fora, porque não há outra forma de vir. Outros problemas, como viajar com o carburador furado, precisando parar várias vezes para o motorista poder completar a água, também já ocorreram."

No caso dos passageiros que vêm de Recreio nos coletivos da Bassamar, a reclamação é outra. "De carro a viagem dura uma hora e 40 minutos, mas de ônibus são quatro horas, porque para em todo lugar. Não temos outra alternativa, porque não tem ônibus direto de Recreio para Juiz de Fora", reclama a costureira Uézia Marquito, 55. Já os usuários da Paraibuna, responsável pelo trajeto entre Belmiro Braga e Juiz de Fora, dizem que a dificuldade é a quantidade de passageiros. "O pior horário é o das 16h15, porque o ônibus fica muito cheio e nem todos conseguem colocar as bolsas no bagageiro. O jeito é viajar em pé", diz a servente escolar Mariana Dias, 56. Ela conta que também enfrentou problemas mecânicos com o ônibus. "Foi preciso esperar outro e trocar. Mas não acontece sempre. Fora esse problema da lotação, o serviço não é ruim."

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Falhas no trecho Rio X Juiz de Fora

Mas não são apenas os usuários das linhas intermunicipais que enfrentam dificuldades. Conforme o último relatório divulgado pela ouvidoria da ANTT, em 2011 houve 16.756 reclamações relativas ao transporte interestadual de passageiros no país. Os principais motivos de insatisfação são relativos a atrasos na partida dos coletivos, falta de estrutura nos prepostos, avaria mecânica e horário inadequado de funcionamento dos guichês. Entre as permissionárias que prestam serviço na cidade, a Viação Itapemerim foi a campeã de reclamações, com 1.172 registros junto à ANTT. Já a União Transporte Interestadual de Luxo (Util) computou 501, a Viação Cometa, 436, a Viação Riodoce,163, a Viação Progresso, 75, a Salutaris, 60, a Companhia Atual, 26, e a Frotanobre, 12.

Usuário frequente da linha Rio-Juiz de Fora, da Util, Thiago Souza conta que há poucos dias o ônibus em que estava ficou retido no pedágio porque não pagou as taxas, atrasando a viagem. A dentista Marta Bellini Lovisi, 53, já perdeu as contas das situações desagradáveis que enfrentou. "Já vi pequenas baratas várias vezes e até um grilo já caiu em cima de mim durante a viagem. Na semana passada, o cinto de segurança da passageira que estava ao meu lado não funcionou. Ainda que o uso seja obrigatório e que ela tenha informado ao motorista, nenhuma providência foi tomada. Já fiz várias reclamações aos fiscais da ANTT, que até multam, mas os problemas persistem."

O funcionário público Flávio Rodrigues, 46, viaja semanalmente na mesma linha. "Já ocorreu de o pneu furar. Era noite e o ônibus parou em um posto, uma situação perigosa na estrada. Outro ônibus passou e parte dos passageiros conseguiu prosseguir na viagem, mas, como não cabia todo mundo, o restante teve que aguardar no local. Também já ocorreu de sair da rodoviária com problema e parar na garagem para trocar de carro, atrasando a viagem em meia hora."

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O analista de sistemas Paulo Cesar Moraes, 46 anos, que integra uma comissão de usuários do transporte interestadual de passageiros, diz que uma série de falhas são percebidas. "Eu já enfrentei banheiro que não funciona adequadamente, porque não tinha água nem papel higiênico, quebra de veículo, ar condicionado com defeito e atrasos. Em relação ao desembarque na Praça da Estação, que foi uma grande conquista, existe um impasse quanto ao local exato da parada. A comissão tem conversado com os órgãos competentes para definir o ponto do desembarque, que, pelas demandas que recebemos, seria melhor na Avenida Francisco Bernardino do que dentro do terminal da Praça da Estação, porque é um local mais fácil para pegar táxi e evitaria que o ônibus desse volta."

 

 

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Fiscalização é rotina, dizem ANTT e DER

A ANTT e o DER-MG garantem que a fiscalização do transporte rodoviário de passageiros é feita rotineiramente nas garagens das empresas, nas rodoviárias e nas rodovias. No caso do atraso das viagens interestaduais, a Resolução 233/2003 da ANTT prevê multa à viação que praticar injustificadamente e, conforme a assessoria da agência, caso isso ocorra em terminal rodoviário onde exista equipe de fiscalização, o usuário deve procurar a unidade para que seja possível tomar as medidas cabíveis. Em outras circunstâncias, é possível acionar a ouvidoria do órgão. O DER-MG explica que o auxílio dos usuários é fundamental e que, caso seja comprovada infração às normas da Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop) ou do Decreto estadual 44.603/2007, a empresa responderá administrativamente.

Em relação à linha Recreio/Juiz de Fora, que não tem ônibus direto, a empresa Bassamar diz que falta de demanda. "São as paradas no caminho que tornam a viagem viável. A média diária é de apenas dois passageiros que fazem o trajeto inteiro. Se houvesse passageiros, com certeza haveria essa linha, porque é interesse da empresa", explica o sócio-gerente Marcio Campos Macedo. Ele também diz que a Bassamar não recebeu nenhum pedido formal sobre isso. Segundo a assessoria do DER-MG, as solicitações devem ser encaminhadas a partir das prefeituras ou da própria população à Setop e às empresas.

Quanto à reclamação referente à lotação dos veículos de Belmiro Braga, a Paraibuna diz não ter sido procurada pelos passageiros, mas que vai estudar o que tem ocorrido e avaliar a necessidade de alterar a quantidade de carros ou os horários. A Frotanobre garantiu que todos os veículos da empresa "têm autorização do DER-MG para circulação." A companhia informou que no segundo semestre haverá renovação da frota, e os carros mais antigos serão substituídos. O gerente regional da Útil no Rio de Janeiro, Luiz Carlos Jardim, declarou que todos os ônibus passam por auditorias internas de limpeza e manutenção preventiva, "mas é claro que podem ocorrer casos isolados." Segundo ele, a idade média da frota da Útil é de dois anos.

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