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‘Lojas de R$ 1,99’ mudam perfil

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Elas surgiram juntamente com o Plano Real e foram símbolo do consumo em uma época em que o país começava a ingressar em um período de estabilidade econômica. Hoje, as chamadas lojas de R$ 1,99 inflacionaram, mudaram o perfil de seus produtos e também de seus clientes. Antes, o valor de R$ 1,99 representava quase a totalidade dos itens comercializados nestes estabelecimentos. Atualmente, apenas 10% dos produtos vendidos nesses locais têm preços até este valor.

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O gerente das Lojas Brasil, João Paulo Gonçalves Loures, confirma que os preços e o perfil dos itens vendidos mudaram consideravelmente nos últimos anos. Temos notado que o consumidor hoje procura mais produtos pela qualidade do que pelo preço. Para atender essa mudança, estamos investindo em produtos mais diferenciados. Segundo o gerente, na loja hoje é possível encontrar helicóptero de controle remoto com o preço de R$ 399 e conjunto de baixelas de inox por R$ 249. Mesmo com o valor mais alto, esses preços estão cerca de R$ 100 menores que os cobrados em grandes redes. Hoje temos condições de atender todas as classes, diz.

A proprietária da loja Cristy, Luciani Carmo Vieira, diz que quando lançou a loja, há 13 anos, 80% dos itens custavam até R$ 1,99. Hoje cerca de 10% têm até este preço. Segundo ela, os preços na loja variam de R$ 0,99 a R$ 174, como é o caso de um vaso de murano. Vendemos muitos produtos de decoração. As pessoas sabem que, se garimparem bem, terão condições de encontrar produtos baratos e de muito bom gosto. A possibilidade de parcelamento no cartão de crédito é um dos fatores que tem impulsionado a comercialização de itens de maior valor, segundo o proprietário da Cleonice Presentes, Leonardo Laguardia. Ele diz que os preços na loja podem chegar a R$ 200 e tenta desmistificar o antigo rótulo de loja de R$ 1,99. Ela nasceu como uma loja de produtos baratinhos, mas hoje é uma loja de utilidades em geral.

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O gerente da Big Space, Hudson Carlos Theodoro, também nota uma mudança no perfil dos consumidores, diante da oferta de produtos de maior qualidade e também do crescimento do poder aquisitivo da população. O preço e a variedade dos itens cresceu, pois houve um aumento da demanda do consumidor por esses produtos. Antes, nosso público-alvo era focado nas classes D e E. Hoje não há mais essa diferenciação, vendemos para todos. Segundo ele, a maior parte dos produtos vendidos são de valores entre R$ 0,60 e R$ 20. A enfermeira Fernanda Souto é cliente assídua. Estou começando a montar a minha casa e encontro aqui coisas que vejo em lojas caras de decoração. Sempre tem um jeito de a gente adaptar para não gastar muito.

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