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Serviço é recordista de novas vagas de trabalho

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A expansão e o fortalecimento da prestação de serviços nos últimos cinco anos consolidaram o setor como matriz de empregos em Juiz de Fora. O segmento, tradicional empregador junto com o comércio, catapultou as contratações. Enquanto comércio, extrativa mineral, indústria de transformação, serviços industriais de utilidade pública, construção civil, administração pública e agropecuária somaram 9.536 novos postos formais de trabalho (com carteira assinada) entre 2008 e 2012, o segmento de serviços criou 18.459 vagas, 65% do total contabilizado no período – 27.995. Só no ano passado, dos 6.685 novos empregos, 82% foram gerados pelas empresas de serviços, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Diante do crescimento de oportunidades de emprego, verifica-se uma migração de mão de obra de outros setores, principalmente do comércio, em função da possibilidade de maiores salários e de jornada de trabalho mais flexível. A Tribuna levantou a remuneração das duas funções com maior oferta de vagas nos dois segmentos (serviço e comércio) – vendedor do comércio de varejo e auxiliar de escritório entre 2008 e 2011 na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do MTE. O salário de vendedor subiu 33%. Já o de auxiliar cresceu 58% (ver quadro).

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Para especialistas, a tendência é que esta realidade se acentue ainda mais nos próximos anos e que a média salarial do setor, atualmente em R$ 859,92, aumente com a atração de empresas que serão instaladas no Parque Científico e Tecnológico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Na análise do coordenador de projetos da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (SPDE), André Zuchi, a situação pode se concretizar em breve. "A renda do trabalhador do setor de serviços ainda é baixa, mas, com a instalação de empresas de base tecnológica, o valor será maior, já que este tipo de negócio tem demanda de mão de obra mais qualificada."

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio-JF), entidade que representa ambos os setores, Emerson Beloti, a diferença salarial é responsável pela migração de colaboradores. "A prestação de serviços tem crescido em todo o país, e nossa cidade segue esse fluxo. Já o nosso comércio tem enfrentado momentos difíceis."

O economista Guilherme Ventura não acredita que o comércio viva um período de crise, apenas tem crescido de forma mais lenta em comparação com o setor de serviços. "O aumento da classe média no país tem representado impulso importante para os dois setores", avalia. Para ele, a prestação de serviços continuará crescendo. "Mas, é importante que o setor tenha condições de prosperar através de segmentos de alto valor adicionado, demandando pessoal mais qualificado e gerando empregos de maior média salarial."

 

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Troca

Cinara Pacheco, 29 anos, está entre os trabalhadores que foram buscar novas oportunidades. Depois de dez anos trabalhando no comércio, decidiu se especializar na área de serviços de beleza, e hoje atua como cabeleireira num salão. "Queria me profissionalizar, pois acredito que o trabalho no comércio é por tempo determinado." Segundo ela, a escolha, feita há nove meses, foi motivada por vários fatores. "Optei por algo que eu gostasse de fazer e que também fosse mais lucrativo. A jornada de trabalho é semelhante, mas ganho pela hora trabalhada. No final, a fatia do bolo é muito maior", destaca.

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Depois de cinco anos trabalhando como vendedora no comércio, Juliana Grezel, 30 anos, também migrou para uma empresa de serviços. Hoje, atua como recepcionista em uma academia de ginástica. "As vantagens são maiores. Não trabalho todos os finais de semana, o salário é fixo e o desgaste é menor. No comércio, a remuneração é baixa, a pressão é grande e você mesmo se cobra para bater as metas de comissão. É uma rotina sacrificante."

 

Segmento atrai pequenos empresários

O baixo custo inicial de investimento, a demanda crescente de clientes e a flexibilidade da jornada de trabalho têm atraído novos empreendedores para o setor de serviços. Atualmente, a cidade conta com 3.500 estabelecimentos de prestação de serviços, segundo estatísticas do Sindicomércio-JF.

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Dentre os novos microempresários está a costureira Maria das Graças Brinati, 61 anos. Formada em contabilidade, ela conta que atuou na área por 19 anos. Depois de se aposentar, começou a fazer reparos e consertos de roupas, em casa. "Era uma tarefa que eu gostava e ajudava a passar o tempo. Mas, de repente, os clientes foram surgindo, e enxerguei a possibilidade de ter meu próprio negócio." Desde novembro do ano passado, ela é sócia do Ateliê Medida Certa e garante que o negócio é lucrativo. "É raro um dia que não atendemos um cliente novo." Segundo ela, a carga horária é puxada. "Trabalho aos sábados, mas porque quero atender minha clientela e as horas trabalhadas são remuneradas. Além disso, se eu quiser redefinir minha jornada de trabalho, eu posso."

A crescente demanda pela prestação de serviços também impulsionou o administrador Marcel Toledo de Mattos, 28 anos, a se tornar empresário. Após dez anos atuando como empregado de financeiras, ele conta que decidiu ser sócio da Estação Cred, que faz empréstimos consignados. "Quando tomei a iniciativa, fiquei receoso. Mas, o setor está em expansão." Segundo ele, a diferença de salários nas funções de patrão e empregado é grande. "É possível ganhar uma remuneração até quatro vezes maior do que a que tinha", avalia. Mattos diz que a loja, inaugurada há seis meses, já triplicou o número de clientes.

 

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Comércio passa por fase difícil

Depois de um 2012 difícil, a redução do número de novos postos de trabalho no comércio é um dos desafios do setor, que amarga perda de 7% no faturamento no primeiro trimestre de 2013, segundo dados do Sindicomércio-JF. No ano passado, o segmento, que foi responsável por criar 37% dos postos de trabalho na cidade em 2008 (1.985), teve o pior resultado na geração de emprego em cinco anos, com 708 oportunidades. "Não acreditamos em crise, os empresários do ramo são otimistas. Mas, vivemos momentos de dificuldade. Esperamos que a situação melhore nos próximos meses, pois o período de janeiro a março é tradicionalmente fraco para as vendas", afirma o presidente da entidade, Emerson Beloti.

Segundo Beloti, a queda do faturamento não tem impedido novas contratações, mas impossibilita aos empresários competirem com os salários do setor de serviços. "Não tem como aumentar custo com mão de obra se não há vendas. Já tem sido difícil para os lojistas darem conta dos encargos tributários, que são muito altos", justifica. O presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Juiz de Fora (SEC-JF), Silas Batista da Silva, diz que, nos últimos tempos, a rotatividade do setor cresceu muito. "Os trabalhadores reclamam que há muita exigência do patrão e pouca contrapartida." Ele ressalta que, no ramo de supermercados, a situação é ainda pior. "Há dificuldade para contratar, pois a jornada é desgastante e não há comissão."

Para o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Vandir Domingos, o comércio não precisa se preocupar com a possibilidade de apagão de mão de obra. "Pessoas querendo trabalhar sempre vamos ter. O problema da alta rotatividade é a qualidade do atendimento, que fica prejudicada."

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