
No grupo das carnes, cinco dos nove produtos pesquisados tiveram alta
Mais da metade dos produtos mais consumidos no Natal ficaram mais caros este ano. A Tribuna comparou os preços médios de 66 itens, entre frutas, carnes, bebidas e enlatados, praticados em Juiz de Fora e identificou que em 38 deles houve alta, que chega a 57,5%. A análise tem por base as primeiras pesquisas “Disque Natal” divulgadas pela Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA) em 2013 e 2014.
Dentre os cinco setores pesquisados, o de enlatados foi o que concentrou maior número de itens em alta, seis dos nove analisados. Em segundo lugar ficou “outros”, que inclui produtos como frutos (castanha, ameixa e nozes) e panetone, com 11 dos 17 itens mais caros. As carnes ficaram em terceiro lugar, com elevação de cinco dos nove itens pesquisados.
Na análise dos produtos, a ameixa preta seca sem caroço (200 gramas) apresentou a maior alta (57,5%), passando de R$ 3,30 em 2013 para R$ 5,20 este ano da marca mais barata. Em segundo lugar está a castanha portuguesa, que subiu 47,8%, de R$ 26,98 para R$ 39,90 o quilo da marca mais barata. A cereja em calda está na terceira posição, com elevação de 37,4%. Neste caso, o quilo da marca mais barata que custava R$ 31,10 no ano passado subiu para R$ 42,76 este ano.
Entre os 28 itens que apresentaram redução do preço, a maior queda foi verificada na amêndoa com casca (250 gramas da marca mais barata), cujo valor caiu de R$ 7,89 em 2013 para R$ 5,35 este ano (-32%). Em seguida estão as passas sem caroço (escuras), que custavam R$ 4,77 e caíram 27,4%, chegando a R$ 3,46 este ano. O valor considera 250 gramas da marca mais barata. O tender sem osso (quilo da marca mais barata) também entrou nesta lista. O preço caiu 25,7%, de R$ 30,82 para R$ 22,87 no período analisado.
Carnes em alta
As carnes, que já ocupam o terceiro lugar no ranking de altas entre os grupos mais consumidos nesta época do ano, continuam em alta. Segundo a coordenadora do Índice de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes, os alimentos foram os principais responsáveis pela inflação de novembro, e o produto que mais contribuiu para a alta foram as carnes, que ficaram 3,46% mais caras no mês. “As carnes têm um peso forte no orçamento das famílias, em torno de 3%”, avalia. Entre os motivos da alta, Eulina cita a pressão provocada pela seca e pelas exportações. Conforme a coordenadora, a Rússia tem importado carne do país, e o mercado interno apresenta menor oferta, em função da estiagem que prejudicou a alimentação dos rebanhos.
Segundo dados divulgados ontem pelo IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, ficou em 0,51% em novembro. No acumulado, as taxas são de 5,58% no ano e de 6,56% nos últimos 12 meses. O IPCA permanece um pouco acima do teto da meta estipulada pelo Governo (6,5%), apesar das últimas duas altas consecutivas da Selic, a taxa básica de juros da economia, que vai fechar o ano em 11,75% no ano.

