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Novo patamar do dólar eleva custos ao consumidor

batata e tomate ja estao chegando mais caros do produtor marcelo ribeiro02 10 15

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Batata e tomate já estão chegando mais caros do produtor (Marcelo Ribeiro/02-10-15)
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Batata e tomate já estão chegando mais caros do produtor (Marcelo Ribeiro/02-10-15)

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A alta do dólar, que ultrapassou a máxima histórica de R$ 4 no dia 22 de setembro e, desde então, opera na faixa de R$ 3,90 e R$ 4, traz efeitos diretos para o bolso do consumidor. Alimentos, medicamentos e artigos de higiene e beleza já estão mais caros. Ontem a moeda americana fechou em R$ 3,90. Sem previsão de recuo, a expectativa é que a elevação de preços atinja outros segmentos até o final do ano, como padarias, açougues e lojas de vestuário. A situação preocupa o varejo, que não tem alcançado bom desempenho ao longo do ano e teme o cenário que será desenhado para 2016.

No entreposto da CeasaMinas em Juiz de Fora, alguns alimentos encareceram até 25% no intervalo de quatro semanas. Este foi o caso da batata, do limão e do jiló. Já o tomate aumentou 16,6% e a laranja, 6%. A comparação foi feita entre os valores praticados nos dias 27 de agosto e 28 de setembro. O reflexo pode ser verificado nas gôndolas dos supermercados, onde os hortifrutis também subiram de preço. Mas esta não não é a única categoria afetada. Bebidas, peixes e massas estão mais caros. “Os alimentos perecíveis não permitem ser estocados, por isso, sentem de imediato a variação cambial”, pontua o superintendente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), Adilson Rodrigues. “Já os demais produtos encarecem de acordo com o estoque e a negociação de cada estabelecimento com seu fornecedor.”

Sem repasse

O pão francês é outro produto impactado pelas oscilações do dólar. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados (Abimapi), houve aumento de 5% nos custos da produção. Por enquanto, o Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria de Juiz de Fora (Sindipan-JF) tem mantido os preços para não perder as vendas. “Está muito difícil porque o trigo já subiu 10% por causa do dólar, além disso, outros produtos, como o açúcar, também sofrem interferência. Faremos uma reunião amanhã, no dia 7, para decidir como o setor irá se posicionar”, diz o presidente Heveraldo Lima.

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O economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Guilherme Almeida, explica que diante da retração econômica vivida este ano, os setores tentam segurar ao máximo o repasse do aumento de preços, mas em algumas situações não tem sido possível. “O setor de alimentos é um exemplo. Boa parte da farinha usada para a fabricação de pães e massas é importada. Cerca de 70% dos fertilizantes utilizados na produção de hortifrutis também vêm de fora. Se o insumo fica mais caro para o produtor, ele repassa para o fornecedor e logo chega ao consumidor final.”

Projeção

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Na análise do especialista, outros produtos sofrerão aumento de preços, caso a moeda americana continue em disparada. “O consumidor ainda não está sentindo os impactos da alta do dólar em sua magnitude. Setores que estão com grandes estoques, como o de veículos e até mesmo o vestuário, ainda trabalham com preços sem esta interferência.” A tendência é que, até dezembro, o milho, a soja e o café também encareçam. Apesar de serem produtos fabricados no país, a alta do dólar irá favorecer a exportação e, assim, valerá a lei da oferta e procura, fazendo com que os valores para o mercado interno também aumentem. O mesmo pode ocorrer com a carne, segundo avaliação do especialista.

Farmácia repassa alta aos poucos

Os consumidores também passaram a pagar mais caro pela conta da farmácia. O setor está entre os principais afetados pela alta do dólar, pois importa mais de 90% da matéria-prima. De acordo com a Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan), os laboratórios já repassaram o aumento de custos da produção para os estabelecimentos, mas a elevação de preços para o consumidor tem ocorrido de forma gradual.

O diretor executivo da Abradilan, Geraldo Monteiro, esclarece que existe uma regulamentação no país para que o reajuste dos remédios aconteça uma vez por ano. “Em março é estabelecido o teto do valor para os medicamentos. Quem estava praticando o preço abaixo deste valor está aproveitando para aumentar agora e reduzir os impactos da alta do dólar. Já as empresas que não podem reajustar, devem fazê-lo no próximo ano.”

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Xampu, condicionador, tinta para cabelo, sabonete, escova e creme dental, esmalte e batom também encareceram. O valor da cesta de produtos de higiene aumentou 6,3%, e o da cesta de artigos de beleza, 5%, segundo dados da Associação Nacional de Artigos de Higiene Pessoal e Beleza (Anabel). O presidente Marcelo Paris de Mattos explica que, além de insumos, as embalagens dos produtos são importadas. “Com a alta do dólar, o mercado não vai conseguir segurar mais os reajustes”, avalia. “Conforme os estoques vão sendo renovados, os preços praticados para o consumidor final são alterados.”

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