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‘O pequeno empresário, geralmente, é muito visceral’

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O empresário e business coach Juan Folch, mexicano radicado no Canadá, esteve em Juiz de Fora na semana passada para participar do workshop “As 4 decisões”, promovido pelo Colégio Apogeu, um de seus clientes no Brasil. Com a experiência de quase 30 anos dedicados a contribuir para o crescimento e o desenvolvimento de negócios mundo afora, Folch, que usa a metodologia “Mastering the Rockefeller habits”, cita a importância de ter bons profissionais como aliados, identifica o perfil visceral e intuitivo dos empresários brasileiros de pequenas e médias empresas e acredita na possibilidade real de crescimento sustentado, mesmo em um cenário econômico adverso, a partir de um plano organizado e da ajuda de mentoria profissional. O coach de 71 anos desenvolveu sua formação profissional inicialmente como engenheiro na Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne, na Suiça, e depois em instituições como Harvard Business School e University of Pittsburgh, nos Estados Unidos.

Tribuna – Qual o motivo da sua vinda a Juiz de Fora?
Juan Folch – O senhor Makerley (diretor geral do Colégio Apogeu) me convidou para compartilhar experiências do processo de coaching, com metodologia americana muito bem utilizada por ele sobre como fazer o negócio crescer e buscar longa sobrevida depois de cinco anos. A metodologia ajuda o empresário a fazer a mudança da pequena empresa para mediana, com o objetivo de crescer ainda mais.

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– Em que consiste esta metodologia e o que o empresário precisa ter ou fazer para conseguir crescer, mudar o perfil da sua empresa e avançar?
– O mais importante é ter postos definidos, e não só ter bons profissionais, mas assegurar que estão fazendo as coisas corretamente. Parece óbvio e fácil, mas não é. Desde o princípio, é preciso se cercar de pessoas engajadas. Se o empresário identifica que o trabalhador não é um bom profissional, é preciso mudar. Em uma empresa que está crescendo, muitas vezes, o dono faz tudo. Para crescer eficazmente, é muito importante ter uma definição simples, mas clara e motivadora, do que o negócio é. Depois é preciso dividir as tarefas progressivamente com uma boa equipe. Se ele não encontrar as pessoas certas, precisa desenvolver a formação adequada e contínua. Também, uma vez que se tenha mais de dez pessoas, é preciso implementar uma estrutura bem definida, com descrições claras de trabalho para cada posição, e sistemas, é disso que estamos falando.

– Além de saber demitir os que não estão engajados, como reter os talentos em uma empresa?
– É preciso manter o funcionário motivado e ter pessoas que tenham atitude de seguir aprendendo e se enriquecendo também como profissionais, ajudando a empresa a crescer. A empresa precisa ter um plano para ajudá-los neste processo de aprendizagem.

– Como o senhor avalia o empresário brasileiro? Quais são as suas particularidades?
– Os empresários brasileiros são corajosos e intuitivos, se lançam, mas nem sempre têm os sistemas ou o conhecimento para respaldar esse crescimento. Poucas pessoas têm uma visão clara para onde querem ir ou como. O problema principal é a falta de um plano organizado para o futuro do negócio. O pequeno empresário, geralmente, é muito visceral, isso é uma vantagem e uma desvantagem. O lado bom é que ele vai lá e faz. Se a equipe não entender a missão do empreendedor, cria um certo caos à medida em que a empresa vai crescendo. O crescimento de uma empresa é um período difícil. Poucos empresários sabem fazer essa transição de dez a quinze funcionários para 30 a 40 e depois para cem. Essas duas etapas são muito difíceis para o empresário. Por ser muito visceral, os empresários, em geral, no mundo, incluindo os brasileiros, nem sempre planificam isso.

– Estamos vivendo um momento muito particular na economia brasileira, de estabilidade caminhando para a retração econômica. Os investidores estão cautelosos. É possível sobreviver – e crescer – mesmo em um cenário econômico adverso?
– Sim, se o empresário tomar os passos necessários. Para a empresa que tem um bom produto ou um bom serviço é momento de encontrar as melhores pessoas para o negócio, já que há disponibilidade de mão de obra e bons profissionais no mercado, e estabelecer melhores sistemas para fazer o crescimento efetivo. O momento acaba se tornando uma oportunidade e não uma desvantagem.

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– Como coach, como o senhor se sente quando percebe que um empresário deixa de ser tão visceral e passa a ser mais organizado?
– É muito satisfatório ver o empresário, sobretudo o jovem (menos de 45 anos), crescer. Tive clientes que, em três anos, conseguiram triplicar o negócio. Você percebe que está contribuindo para que eles sejam bem-sucedidos. É preciso haver receptividade. Escolho muito cuidadosamente os clientes, porque eles precisam ter a atitude de aprender e crescer com ajuda externa. O coach é um mentor, só ajuda o empresário a encontrar suas próprias soluções para que elas sejam sustentáveis. O trabalho é do empresário.

 

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