O uso de gás natural em Juiz de Fora caiu 60,6% nos últimos dez anos, segundo dados da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig). A diferença é provocada, sobretudo, pelos setores automotivo e industrial que, entre 2004 e 2013, apresentaram quedas bruscas no consumo do energético. Enquanto o primeiro diminuiu em 64,5% a utilização do produto, passando da média diária de 31.269 m³ para 11.083 m³, a indústria reduziu em 60,1%, declinando de 210.543 m³/dia para 83.900 m³/dia no mesmo período. Em uma escala menor, o comércio também diminuiu o consumo, com queda de 47%, indo de 1.999 m³/dia para 1.060 m³/dia. O encarecimento do produto é apontado por representantes dos setores como justificativa para a substituição do gás natural por outras fontes de energia.
Na avaliação do diretor regional do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), Carlos Alberto Jacometti, o Gás Natural Veicular (GNV) tornou-se inviável como alternativa de combustível. A alta de preços fez com que o gás deixasse de ser atrativo ao consumidor. O nosso estado não possui nenhum tipo de incentivo, o que encarece em até 30% o custo da produção com relação a outros estados, analisa. Desta forma, a tendência é que a procura pelo produto só diminua. Segundo a Gasmig, 11 postos comercializam o produto na cidade, e a demanda representa 14% do total registrado no estado.
Responsável por 62,3% do consumo de energia da cidade, conforme dados da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Regional Zona da Mata, as indústrias juiz-foranas têm substituído o gás natural pelo óleo ou lenha. O empresário verifica a relação de custo e benefício, afirma o presidente da entidade, Francisco Campolina. Quando a proposta do uso do gás natural chegou à cidade, tínhamos 25 indústrias que começaram a usar o produto. Algumas delas fecharam, outras deixaram de ter o setor que faz uso do gás natural e as outras buscaram alternativas para reduzir os gastos com energia, pois o produto encareceu de forma absurda. Hoje, a indústria consome 87,35% do gás natural vendido na cidade.
De acordo com a Gasmig, o preço médio do produto subiu 120% nos últimos dez anos. O aumento no preço do gás, neste período, foi impactado pelo custo do petróleo, que subiu 230%, e é uma das variáveis que compõem o custo do gás, incluindo também o dólar, afirmou em nota. Mesmo assim, a companhia se diz otimista com a recuperação do consumo juiz-forano nos setores automotivo e industrial. O mercado está em fase de maturação. Estamos adicionando estabelecimentos de pequeno porte à nossa rede de clientes. A assessoria da companhia lembrou que Juiz de Fora foi a primeira cidade do estado a contar com rede de distribuição de gás natural, em 1995.
Residencial
A conquista do mercado varejista juiz-forano também está entre os projetos da Gasmig. Concluindo negociações com uma construtora, a companhia pretende utilizar os 40 quilômetros de rede instalados na cidade para oferecer o gás natural canalizado em empreendimentos residenciais que serão construídos no município. De acordo com a negociação em andamento, o uso do energético nos edifícios incluirá cocção, aquecimento de água de banho, pias, banheiras e piscinas e a utilização em churrasqueiras, adiantou a assessoria.
A proposta é vista com bons olhos pelo presidente do Sindicato da Construção Civil (Sinduscon), Leomar Delgado, apesar das incertezas quanto à rede local. É uma questão a ser estudada, pois temos que verificar como será o atendimento diante da rede que existe hoje na cidade. Mas a ideia de oferecer o serviço é muito boa, pois representa praticidade e segurança aos consumidores, além de valorizar os imóveis. Ele destaca que o projeto segue a tendência de grandes cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo.
