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Do ‘chão’ para as salas

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Os altos preços de aluguéis de imóveis comerciais localizados no Centro têm feito com que lojas tradicionais mudem de endereço e um novo tipo de comércio, instalado em edifícios, cresça na cidade. Há 99 anos estabelecida na Rua Halfeld, a Joalheria Meridiano se mudou, há poucos meses, para a Rua Marechal. A família proprietária decidiu aproveitar a valorização da região para alugar o imóvel. Percebemos que, para o nosso tipo de negócio, não era necessária uma loja tão grande, diz um dos herdeiros, Roberto Villela Vieira.

Outro estabelecimento tradicional que trocou de endereço foi a Dental Mineira. Dos 80 anos que a empresa está no mercado, 60 foram com sede na Rua Halfeld. Este ano, as proprietárias decidiram mudar a loja para o segundo piso do Braz Shopping, na Rua Braz Bernardino. O aluguel do imóvel encareceu e, como trabalhamos com um segmento específico, não vimos problemas em mudar. Continuamos numa área central, com mais facilidade de estacionamento e isso ajuda, principalmente, aos clientes que não são da cidade, explica a proprietária Míriam Bastos Batista de Oliveira.

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Segundo informações do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci), o valor da locação de uma loja de cem metros quadrados no Calçadão da Halfeld varia entre R$ 20 mil e R$ 40 mil por mês. O delegado da entidade, Ronaldo Tomaz, diz que este é o tamanho médio das lojas no local. O preço alto contribuiu para que houvesse uma diminuição na procura desses imóveis, mas, apesar disso, as lojas são muito visadas por conta do intenso fluxo de pedestres, diz.

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio-JF), Emerson Beloti, o centro comercial guarda características próprias que fazem com que a região seja supervalorizada. É uma área muito privilegiada que não encontramos em outras cidades. Possuímos galerias que sincronizam os quarteirões, fazendo do local um grande atrativo para os consumidores. Para ele, a cidade segue o movimento de aquecimento do setor imobiliário vivido em todo país. Os preços dos imóveis estão mais caros e, com isso, o comércio busca alternativas. Alguns se mudam, outros se adaptam. Para ele, é improvável que aconteça uma redução de preços.

Novos negócios

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Como alternativa aos preços altos de aluguéis das lojas no Centro, novos negócios surgem com uma proposta diferenciada. Muitos lojistas estão se instalando em salas, até então ocupadas, principalmente, pelo setor de serviços. A escolha pode representar uma grande economia, já que o preço médio do aluguel de uma sala de 30 metros quadrados na própria Rua Halfeld varia entre R$ 500 e R$ 800 mensais. O valor varia de acordo com a infraestrutura oferecida pelo prédio, ressalta o delegado do Creci, Ronaldo Tomaz.

O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Vandir Domingos, destaca que o aparecimento do comércio em salas sinaliza a realidade do crescimento do empreendedorismo.Cada vez mais, observamos que as pessoas querem montar o seu próprio negócio e buscam alternativas para isso. Além das salas, muitos empresários têm buscado imóveis nos bairros para fugir dos altos preços de aluguéis cobrados no Centro.

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Lojas migram para edifícios

Há seis meses, as sócias Débora Monte-Mór, Jéssica Cláudio da Silva e Inara Fagundes decidiram montar a Boemia Fashion. O investimento inicial não possibilitava o aluguel de uma loja e elas optaram por instalar o comércio de roupas femininas em uma sala no segundo andar da Galeria Epaminondas Braga.

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Somos a única loja no prédio. Os outros imóveis são ocupados por dentistas, costureiras, contadores, salões de beleza, conta Débora.

Entre as vantagens, além dos custos mais baixos, Jéssica destaca o relacionamento estabelecido com as clientes. Elas vêm até nós, mas trabalhamos, principalmente, levando as peças até as consumidoras. Elas experimentam em casa e escolhem o que vão comprar. Isso contribui para uma relação de fidelização.

A menor visibilidade é apontada como a principal desvantagem e, por isso, as sócias pretendem, futuramente, alugar uma loja no Centro. Trabalhamos nossa divulgação, mas na sala ficamos restritas às pessoas conhecidas. Na loja há um leque muito maior de possibilidades para a captação de novos clientes.

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Prós e contras

Quando decidiu criar o próprio negócio, há dois anos, Carla Vizeu imaginou uma loja de roupas femininas personalizada. A minha ideia era que ficasse parecida com um closet, explica. Para a proposta, a sala comercial localizada em um edifício da Avenida Rio Branco, antes ocupada por uma lanchonete, pareceu ideal.

Com a decoração, consegui criar um ambiente mais íntimo, aconchegante. Isto não seria possível em uma loja no chão, ressalta.

Segundo Carla, o tipo de imóvel garante características próprias ao negócio que são vantajosas para as consumidoras e, também, para ela. A sala não é grande e, por isso, trabalho com hora marcada, o que concede mais privacidade para as clientes. A escolha das peças pode ser feita com mais calma. Também há uma maior flexibilidade dos horários em relação ao comércio tradicional, o que é bom para mim e para elas.

No edifício em que está o estabelecimento Carla Vizeu, a maior parte das salas é ocupada por consultórios e escritórios. Para a proprietária, isto também é uma vantagem.

Os vizinhos acabam se tornando clientes ou indicando alguém. Certa vez, um senhor que esperava atendimento em uma das salas ao lado entrou para conhecer a loja e levou um presente para a esposa. Hoje, ela, as filhas, a mãe e as irmãs são minhas clientes.

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