A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses ultrapassou o limite superior da meta, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 12 meses encerrados em abril, a taxa chega a 6,51%, 0,21 ponto percentual superior ao índice dos 12 meses imediatamente anteriores.
A meta de inflação para o ano tem como centro 4,5% e limite superior de 6,5%. Apesar de ter passado do teto em 12 meses, a expectativa do mercado financeiro é que a inflação se reduza ao longo do ano e encerre 2011 em 6,37%.
Neste ano, o Banco Central (BC) já elevou a taxa básica de juros, Selic, usada como instrumento para controlar a inflação, em 0,50 ponto percentual em janeiro e março, e em 0,25 ponto percentual em abril. Atualmente, a Selic está em 12% ao ano.
Apesar da redução do ritmo de alta da Selic no mês passado, o BC indicou que o processo de elevação deve ser longo. O Copom [Comitê de Política Monetária do BC] entende, de forma unânime que, diante das incertezas quanto ao grau de persistência das pressões inflacionárias recentes, e da complexidade que envolve hoje o ambiente internacional, o ajuste total da taxa básica de juros deve ser, a partir desta reunião, suficientemente prolongado, diz a ata do Copom, divulgada em abril.
Em abril, o IPCA ficou em 0,77%, uma pequena redução em relação ao mês anterior (0,79%). Em abril de 2010, o índice ficou em 0,57%.
Entre janeiro e abril, a inflação oficial acumula alta de 3,23%. O resultado é 0,58 ponto percentual maior do que o do mesmo período do ano passado.
Inflação oficial encerra abril em 0,77%
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,77% em abril, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE. No mês anterior, a taxa tinha ficado em 0,79% e em abril de 2010, em 0,57%.
Entre janeiro e abril, a inflação oficial acumula alta de 3,23%. O resultado é 0,58 ponto percentual maior do que o do mesmo período do ano passado. Em 12 meses encerrados em abril, a inflação acumulada chega a 6,51%, 0,21 ponto percentual superior ao índice dos 12 meses imediatamente anteriores.
De acordo com o IBGE, pressionou inflação menor em abril a diminuição da taxa em cinco dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados.
Apontados nos meses anteriores como um dos fatores que vinham pressionando a inflação, os alimentos tiveram um índice menor no período, 0,58%, depois do aumentarem 0,75% em março. De um mês para o outro, caíram os preços do tomate (-18,69), do açúcar cristal (-2,68), do arroz (-2,13%) e das carnes (-0,20%). Os aumentos de destaque foram os da batata-inglesa (17,71%) e do feijão-carioca (9,79%).
Com impacto importante no cálculo do indicador, o grupo transporte teve a maior alta, 1,57%, com o aumento de 0,1 ponto percentual na comparação com março (1,56%). Influenciaram o resultado os preços do etanol, item que apresentou alta de 11,20% (e já acumula variação de 31,09% no ano) e da gasolina, que ficou 6,26% mais cara, após o aumento de 1,97% em março. No ano, a alta da gasolina soma 9,58%.
O grupo vestuário também registrou aumento nos preços, de 1,42%, com destaque para o reajuste em roupas infantis, que ficaram 1,97% mais caras de março de para abril.
No grupo saúde e cuidados pessoais, impactou o aumento de um grupo de remédios. Com isso, o índice passou de 0,45% em março para 0,98% em abril.
A inflação do grupo habitação (de 0,46% em março para 0,77% em abril) refletiu pressões de altas nos preços dos serviços de água e esgoto, que subiram de 0,66% para 1%, no período, além de altas de energia elétrica, de 0,34% para 0,94%.
O IPCA calcula a inflação para famílias com renda entre um e 40 salários mínimos e abrange nove regiões metropolitanas do país, além das cidades de Goiânia e Brasília.
Preço do etanol deve se normalizar na próxima semana
Os preços do etanol já estão normalizados nas usinas e na próxima semana os consumidores já devem pagar mais barato pelo produto. A garantia é do diretor-presidente da Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool (CBAA), José Pessoa de Queiroz Bisneto. Segundo ele, o álcool hidratado já está sendo vendido pelas usinas por cerca de R$ 1,10, que é o preço normal de mercado. Esse álcool já era para estar na bomba hoje por R$ 1,50, R$ 1,60, que é um preço atrativo, afirmou.
Na última quinta-fe9ira, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, também disse que, a partir da próxima semana, os preços do etanol devem ser regularizados no país, com uma queda substancial dos preços. Segundo levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o etanol custava em média R$ 1,89 em fevereiro, e passou para R$ 2,32 na última semana de abril.
Para Bisneto, o principal fator para o aumento dos preços registrado recentemente foi a rápida subida do consumo, por causa do aquecimento da economia brasileira, que afetou também outros setores. A produção de álcool no Brasil só vem crescendo, mas a economia cresceu mais que a produção, aí deu esse estresse de abastecimento. Segundo ele, o consumo de gasolina também aumentou, mas o consumidor não sentiu porque a Petrobras importou o produto.
A intenção do governo de aumentar a participação da Petrobras na cadeia de produção de etanol para regular o fornecimento e os preços do produto, não surtirá muito efeito, na visão de Bisneto. Segundo ele, o problema não está na produção, que vem aumentando a cada ano. O diretor acredita que o governo deveria adotar um programa de preços mínimos e máximos para o produto, para evitar quedas bruscas de preço e de consumo.
De acordo com o ministro Lobão, a Petrobras deverá aumentar sua participação na produção de etanol de 5% para 15% até o fim do mandato da presidenta Dilma Roussseff.
