
Sem voos comerciais desde abril, Serrinha não possui perspectivas de atuação de uma nova companhia aérea
O aeroporto juiz-forano Francisco Álvares de Assis (Serrinha) foi apontado como 23º com maior potencial entre os 270 terminais do país que integram a lista do “Programa de investimento em logística: aeroportos” do Governo Federal. O ranking foi feito pela consultoria Urban Systems, empresa de inteligência em mercado, e considerou indicadores socioeconômicos, de infraestrutura e localização, demanda de transporte de passageiros e cargas, desenvolvimento imobiliário e receitas acessórias, indicando as melhores áreas potenciais para investimento. O estudo foi elaborado para ser apresentado durante um evento nacional da aviação, realizado por uma empresa particular.
Apesar da boa colocação, o Serrinha segue há dez meses sem voos comerciais e não possui perspectivas de atuação de uma nova companhia aérea. Para a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), o cenário que se desenha mostra que o terminal juiz-forano irá funcionar de forma complementar ao Aeroporto Presidente Itamar Franco, localizado entre Goianá e Rio Novo, onde a Azul já opera voos para Campinas, e a Gol inicia, em março, linhas para Belo Horizonte e São Paulo.
De acordo com o estudo, apenas cem aeroportos que estão na lista do programa do Governo apresentaram potencial para o desenvolvimento, os outros 170 foram descartados por não possuírem condições mínimas para operação. “Fizemos a classificação considerando 17 indicadores e pesquisas feitas com órgãos oficiais e companhias aéreas”, explica o coordenador da Urban Systems, Willian Rigon. A partir do Índice de Qualidade Mercadológica (IQM), metodologia própria da empresa, os terminais foram ranqueados. Os primeiros vinte colocados são apontados com “potencial muito alto” para investimento, o 21º ao 40º possuem “índice alto”, do 41º ao 60º “potencial médio” e os demais “baixo”.
Na 23ª colocação, com IQM 34,91, o Serrinha integra a segunda leva de aeroportos que o Governo deve priorizar, conforme explica Rigon. “O terminal tem como melhor característica a demanda de transporte de passageiros. A cidade polariza a região e atrai muitos usuários.” Segundo ele, o desempenho mais fraco foi verificado no quesito transporte de cargas. “Não enxergamos grande potencial neste aspecto.” O aeroporto melhor colocado no estudo foi o de São José dos Campos (SP), com IQM de 71,87. O terminal de Botucatu (SP) ficou com a última colocação, com índice 18,56.
De acordo com Rigon, no final deste semestre será lançada a segunda parte do estudo que apresentará características mais detalhadas do aeroporto. Até o momento, várias prefeituras entraram em contato com a consultoria para iniciarem projetos de desenvolvimento.”O intuito não é desenvolver só o aeroporto, mas também essas cidades.”
Na análise do secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Emprego e Renda, André Zuchi, o futuro do terminal juiz-forano tende a ser uma atuação complementar ao aeroporto Itamar Franco. “Não temos que gerar uma competição entre os dois aeroportos. Temos que admitir que há questões operacionais que limitam o Serrinha, por isso, ele deve se voltar para a aviação executiva.” O secretário ressalta que a aviação regional de pequeno porte também é uma possibilidade para o terminal.
Zuchi afirma que a função de “aeroporto regional” ficará sob responsabilidade do Itamar Franco. “O aeroporto foi construído depois, com as condições necessárias para assumir esse papel. Ele será o vetor do desenvolvimento econômico da região, com voos de grande porte e conexões para todo país.” O secretário destaca, ainda, que o acesso até o Itamar é o único entrave para isso. “Mas com as obras da estrada, toda a região da Zona da Mata vai ganhar.”
Aviação regional
O “Programa de investimento em logística: aeroportos” prevê investimentos específicos para a aviação regional. A proposta é aumentar o número de frequências das rotas regionais operadas regularmente e, também, o número de cidades atendidas. O programa prevê ainda que o Governo poderá conceder subsídios para pagar parte dos custos das companhias aéreas com os voos regionais regulares de passageiros.
