São Paulo – A Mercedes-Benz pretende alcançar a marca de 100% de nacionalização do caminhão extrapesado Actros no segundo semestre de 2014. A meta foi anunciada na noite de terça-feira (3) pelo vice-presidente de Vendas e Marketing, Joachim Maier, durante evento de pré-lançamento da Fenatran, o Salão Internacional do Transporte, cuja edição deste ano acontece entre os dias 28 de outubro e 1º de novembro, em São Paulo. Atualmente, o Actros, modelo montado em Juiz de Fora, conta com 60% de peças nacionais. O segmento de extrapesado foi o que mais cresceu em termos de vendas no ano, em torno de 30%, segundo o executivo.
Embora a maior nacionalização sinalize para aumento do parque de fornecedores, a Mercedes não confirmou as especulações de que um centro de distribuição que está sendo erguido no Distrito Industrial, com área estimada em 30 mil metros quadrados, seja voltado para este fim. Informações de bastidores, porém, dão conta de que estão sendo investidos R$ 60 milhões para erguer o complexo, que deverá ser inaugurado ainda este ano. As especulações sobre a possível relação com a montadora deve-se à chegada da Ceva Logistics a Juiz de Fora, conforme anunciado em maio pela Tribuna. A multinacional, líder global do setor de logística, trabalha na gestão de processos da cadeia de suprimentos do setor automotivo. A empresa atuaria neste centro de distribuição.
O COO da Mercedes-Benz do Brasil, Wolfgang Hänle, confirma que a montadora trabalha com a Ceva, mas afirma que não há anúncios por fazer. Hänle, que também responde pelas plantas da montadora no país, comenta que a perspectiva de produção em Juiz de Fora, este ano, é de 13 mil unidades (Actros e Accelo), número que está dentro das expectativas. "É o maior volume para a planta", destacou. Sobre a possível transferência de outras linhas de produção para a cidade – a montadora produz mais quatro modelos no Brasil: Atron, Atego, Axor e Sprinter – o executivo destacou os estudos e os esforços para entender o futuro das duas plantas (a juiz-forana e a de São Bernardo do Campo) e de que forma elas podem contribuir para o crescimento do país. Em vários momentos do evento, foi destacado o trabalho integrado entre as duas fábricas, consideradas "altamente produtivas".
Sobre Juiz de Fora, o presidente da Mercedes-Benz no Brasil, Philipp Schiemer, afirmou que a capacidade instalada é de 40 mil unidades/ano. O executivo destacou os avanços na nacionalização, a demanda pelos dois modelos com linha de montagem na cidade e afirmou que, se houver expansão na produção de caminhões, Juiz de Fora terá seu papel. Schiemer explicou, ainda, que a linha de furgões Sprinter, embora não seja fabricada na cidade, é distribuída no país a partir da planta local. Hänle também lembrou que no município é realizado o pre-delivery inspection (PDI), conjunto de ações que visam a atender a legislação brasileira ou a demanda de mercado, necessárias nos veículos importados, antes da entrega para as concessionárias.
Protótipos
Durante o pré-lançamento da Fenatran, a Mercedes apresentou novos modelos semipesados da linha Atego, aumentando o portfólio para distribuição urbana e transporte rodoviário, e ampliou a linha Axor de caminhões extrapesados. O presidente da Mercedes-Benz no Brasil, Philipp Schiemer, destacou o impacto positivo do crescimento da economia brasileira na venda de veículos. Segundo ele, de janeiro a agosto, a alta chega a 10%. O vice-presidente de Vendas e Marketing, Joachim Maier, destacou ainda a meta de vender entre 145 e 150 mil caminhões este ano, elevando entre 10% a 15% os emplacamentos ante 2012. Para a Fenatran, ficou a promessa de anúncio do novo plano de investimentos da montadora, cujos detalhes não foram antecipados.
*A repórter viajou a convite da Mercedes-Benz.
