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Prejuízos de até R$ 6,3 bi para a agricultura da região de JF

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A microrregião de JF, que engloba 33 municípios, poderá sofrer prejuízos de  até R$ 6,3 bi
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A microrregião de JF, que engloba 33 municípios, poderá sofrer prejuízos de até R$ 6,3 bi

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A microrregião de Juiz de Fora, que engloba 33 municípios, poderá sofrer prejuízos econômicos entre R$ 2,46 bilhões e R$ 6,32 bilhões nos próximos 40 anos em decorrência das mudanças climáticas. O setor agropecuário é o mais propenso a sofrer com as variações de temperatura e quantidade de chuva em todo o estado. Com isso, a estimativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) da região tenha sua participação na economia estadual reduzida em até 1,78%, em relação à previsão feita em 2008 anos para 2050. Na Zona da Mata, as perdas podem chegar a R$ 12,39 bilhões no período. Os dados são da primeira "Avaliação de impactos de mudanças climáticas sobre a economia mineira", realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) de Minas Gerais.

De acordo com o professor do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Edson Domingues, que integra a equipe técnica do relatório, o percentual de perdas acumuladas ao longo das próximas décadas representa algo próximo a um ano de crescimento. Ou seja, é como se os efeitos dos fenômenos climáticos paralisassem o desenvolvimento econômico da microrregião (que tem 80% das suas atividades concentradas em Juiz de Fora) por um período de 12 meses. Isso sem considerar a possível ocorrência de eventos extremos, como inundações, secas e catástrofes, que podem comprometer ainda mais a economia local. "Historicamente, Juiz de Fora tem se mostrado pouco dinâmica em termos de crescimento, o que impõe mais um efeito negativo sobre o desenvolvimento microrregional", acrescenta Domingues.

Apesar dos números parecerem alarmantes, o impacto das mudanças do clima na atividade econômica local está abaixo da média do estado. Minas Gerais teve os prejuízos estimados entre R$ 155 bilhões e R$ 450 bilhões – redução de até 2,7% do PIB -, sendo as regiões Norte, Jequitinhonha e Vale do Mucuri as áreas mais afetadas. E mais: segundo o especialista, o efeito indireto da crise no estado pode provocar danos para a microrregião. "Embora as atividades de Juiz de Fora não estejam concentradas na agropecuária, estando mais voltadas para os setores de indústria e serviços, os impactos dos fenômenos climáticos no restante do estado podem influenciar os fluxos econômicos locais, já que ficará mais difícil vender para outras cidades o que se produz."

 

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Produtores rurais já sentem efeitos

Para os 1.300 produtores rurais locais, os efeitos das variações climáticas no campo e os consequentes prejuízos econômicos já aparecem. "Este ano, por exemplo, está atípico, porque estamos tendo chuvas em junho. O medo é que a seca aconteça mais tarde, e que, no momento que precisarmos de água, não tenha. Isso pode afetar a produção de leite, que predomina na cidade, já que, com o cultivo de grãos defasado, o produtor gastará mais com ração para a alimentação do gado e terá o desenvolvimento do pasto comprometido. Consequentemente, o lucro será inferior, e o consumidor também vai pagar mais pelo produto", analisa o presidente do Sindicato Rural, Domingos Frederico Netto.

Dono de uma propriedade em Humaitá, onde são produzidos 22 mil litros de leite por mês, José Mauro Ferreira Toledo diz que está difícil se prevenir contra os efeitos climáticos. "Cada ano apresenta uma situação diferente. A gente começa a se preparar na época das chuvas, mas, na verdade, tem que ir tentando remediar as coisas conforme os meses vão passando. Nos preparamos para a seca agora, mas com a chuva fria e a criação de lama no pasto, o rendimento do leite está sendo prejudicado."

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Segundo o professor da UFMG, Edson Domingues, "as mudanças climáticas previstas para até 2050 são praticamente irreversíveis". Então, é preciso desenvolver técnicas que propiciem culturas mais robustas, que não sejam tão afetadas pelo clima. "A implantação de políticas de aumento de produtividade e melhorias de cultivo podem ser capazes de neutralizar esses impactos."

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