Ícone do site Tribuna de Minas

Inadimplência avança 3,9% de janeiro a maio

3737311091

3737311091

Alta da Selic e aumento da inflação, segundo a CDL, impactaram comércio
PUBLICIDADE

Alta da Selic e aumento da inflação, segundo a CDL, impactaram comércio

PUBLICIDADE

O volume de endividados no comércio local cresceu 3,9% no ano, segundo levantamento realizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Juiz de Fora (CDL/JF), junto ao banco de dados do SPC na cidade. No país, o aumento foi de 3,6% no mesmo período. O levantamento mostra ainda que os registros de endividados na cidade subiu 1,9% na comparação com o mês anterior, e 4,2% em relação ao mesmo mês do último ano. No país, o registros caíram 0,27% em maio na comparação com abril, e cresceram 8,21% em relação ao mesmo mês de 2010.

Para o superintendente da CDL/JF, Carlos Fernandes, um dos motivos para esse crescimento é o endividamento da população com o cartão de crédito. "As pessoas adquiriram muitos bens duráveis e não se planejaram muito, o que causou um comprometimento da renda muito alto." Ainda segundo Fernandes, com o aumento da taxa de juros e a dificuldade maior para se conseguir crédito junto aos bancos impactou ainda mais a situação. "Os gastos de início de ano estão tendo um reflexo maior agora. E as pessoas com renda mais apertada começaram a lançar mão do crédito rotativo do cartão."

No comércio, os efeitos já estão sendo sentidos. Segundo o gerente de uma loja de calçados que preferiu não se identificar, além de o movimento estar bem menor que nos últimos anos, as pessoas também estão com mais dificuldades de honrar suas dívidas. "Maio e junho sempre são bons meses, pois as pessoas costumam comprar calçados para o inverno. Este ano, parece que elas optaram por usar os mesmos do ano passado." O auxiliar financeiro da Kika, Jonathan Rodrigues, diz que a saída para conter o endividamento foi restringir o recebimento de cheques nas lojas. "Podemos dizer que a inadimplência caiu 90%, mas as pessoas estão se endividando no cartão, o que, indiretamente, tira as pessoas do mercado."

De acordo com o presidente da CDL/JF, Vandir Domingos, medidas como a alta da Selic e também o aumento da inflação já impactaram o comércio em Juiz de Fora. "Quem não se planeja, vai pagar mais caro. E isso reflete na queda das vendas", avalia.

PUBLICIDADE

Pesquisa

A taxa de juros do Brasil consumiu R$ 129,3 bilhões em 2010 e, até abril de 2011, outros R$ 55,1 bilhões. Os dados desse montante, que poderia ter sido utilizado para movimentar a economia brasileira fazem parte da "Radiografia do endividamento das famílias nas capitais brasileiras", pesquisa inédita realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomercio).

PUBLICIDADE

Segundo a assessoria técnica da Fecomercio, o sistemático aumento na oferta de crédito nos últimos anos aliado ao crescimento real da renda, principalmente nas classes de menor poder aquisitivo, motivou o expressivo crescimento vivenciado em 2010. Contudo, as medidas tomadas pelo Governo desde o último trimestre de 2010 tiveram grande responsabilidade no aumento das dívidas e consequente arrefecimento da economia. A pesquisa ainda apontou que o nível de comprometimento médio da renda mensal das famílias brasileiras é de 29%.

 

Sair da versão mobile