Apesar de alguns postos já estarem cobrando mais de R$ 3 pelo litro da gasolina em Juiz de Fora, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) identificou que o preço médio praticado na cidade é de R$ 2,869. Para o levantamento, foram consultados 30 estabelecimentos, cujo litro varia de R$ 2,730 a R$ 2,899. Só no mês de março, o combustível subiu 4,3%. Considerando o início do ano, a alta chega a 10,4%. Em janeiro, o valor cobrado era de R$ 2,598.
A mais recente pesquisa de mercado, realizada no sábado, apontou, ainda, que o álcool continua em escalada, atingindo a marca de R$ 2,378, 19% a mais ante a média de janeiro (R$ 1,995). O combustível custa hoje 82,8% do valor médio da gasolina. Para ser vantajoso, o álcool precisa representar, no máximo, 70% do custo do concorrente.
No país, a relação entre o preço médio do etanol e o da gasolina atingiu a marca de 78,10% em março, a maior da série histórica do Índice de Preços ao Consumidor (IPV), iniciada em janeiro de 2003. Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), álcool e gasolina lideraram o ranking de pressões de alta do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no mês passado. O etanol representou 0,06 ponto percentual da taxa de 0,35% de março. A gasolina, 0,05 ponto percentual.
O coordenador do IPC, Antonio Evaldo Comune, acredita na desaceleração dos preços desses combustíveis este mês, por conta da proximidade do início da safra da cana-de-açúcar. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro) aposta em estabilidade e início de queda de preços a partir de maio. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) espera para as próximas semanas o início dos trabalhos na safra 2011/2012.
Para o ministro de Minas e Energia, Édson Lobão, a escalada do etanol é uma questão de mercado. Não tivemos aumentos (de preço) declarados pelo Governo há dois anos, nem de gasolina, nem de nada. A última alteração que houve, por meio da Petrobras, foi há dois anos, e essa alteração foi para baixo, não para cima, disse à Agência Brasil. De acordo com a Minaspetro, a procura pelo álcool já caiu 50% nos postos mineiros. A demanda pela gasolina permanece inalterada.
A entressafra da cana-de-açúcar, a preferência dos produtores pelo açúcar e a valorização do produto no mercado externo são os principais motivos atribuídos à escalada do álcool. No caso da gasolina, impacta o fato de o anidro representar 25% de sua composição.
