
Unidade juiz-forana aguarda chegada de equipamentos e instalação de robôs (Fernando Priamo/23-07-14)
Protegida pela garantia do nível de emprego até junho de 2016, a planta juiz-forana da Mercedes-Benz não deve ser afetada pelas mais recentes medidas anunciadas pela montadora para São Bernardo do Campo. Os cerca de sete mil trabalhadores da produção no ABC paulista voltam a entrar em licença remunerada entre os dias 7 e 21 deste mês. É a segunda pausa na produção nos últimos 20 dias. Lá, também podem acontecer demissões a partir de 1º de setembro.
Conforme o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos Fernando Rocha, ao contrário de São Bernardo, em Juiz de Fora foi fechado o acordo coletivo deste ano, daí a expectativa de que as medidas não sejam estendidas para a cidade. “Não tivemos um pronunciamento da empresa se vai impactar a produção de Juiz de Fora. Eu creio que não deve afetar.” Na cidade, 75 funcionários estão em lay-off desde julho. A suspensão temporária dos contratos segue até novembro.
Segundo o diretor, a planta local está sendo modificada para centralizar a produção de cabinas e pintura a partir de 2016. As alterações estão concentradas nos prédios de montagem bruta e pintura. É aguardada a chegada de equipamentos e instalação de robôs. Pelos cálculos do sindicato, a Mercedes deve fechar o ano com sete mil caminhões produzidos no município. A meta inicial seria entre nove e dez mil.
A montadora, por meio de sua assessoria, afirmou que Juiz de Fora está em uma situação mais “confortável” e “tranquila”, já que os trabalhadores contam com manutenção do nível de emprego. A informação é que as medidas adotadas em São Bernardo não se encaixam na cidade, embora o município não esteja imune ao contexto de queda nas vendas de veículos comerciais verificado no mercado.
Adesão da Grammer ao PPE não abrange JF
Primeira empresa do país a aderir ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE), a Grammer informou à Tribuna, na última quinta-feira (30), que a medida não abrange os funcionários em Juiz de Fora. Fornecedora de assentos para os veículos da Mercedes-Benz, a empresa possui apenas quatro colaboradores na cidade, que atuam dentro do parque da montadora e seguem as diretrizes da mesma.
Procurada pela reportagem, a assessoria da Mercedes declarou que a fábrica não possui interesse em aderir ao PPE. “Já firmamos acordo com o sindicato para a manutenção dos empregos em Juiz de Fora até 2016”, reiterou. O acordo garante o nível de empregabilidade, o pagamento parcelado de R$ 5 mil a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e a realização do lay-off em dois grupos de colaboradores.
O PPE, por sua vez, permite a redução de até 30% da jornada de trabalho com diminuição proporcional no salário. Com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), o Governo complementa a renda do trabalhador em 15%. Na prática, o funcionário ganha estabilidade por até um ano, mas perde 15% do salário. O programa foi apresentado como alternativa para conter custos de forma a evitar demissões.

