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Nas ruas, proporção da inflação cresce

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Se economistas e o Governo têm tido motivos para se preocupar com os índices de inflação no Brasil, mais razões, ainda, têm os consumidores. Nas ruas de Juiz de Fora, são muitas as queixas acerca das despesas com supermercado, farmácia e combustível,que encareceram nos últimos meses, inclusive, em proporções bem acima das apontadas pelas estatísticas oficiais. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atingiu a marca de 6,5% no acumulado dos últimos 12 meses, de maio de 2012 a maio de 2013. Só este ano, o patamar inflacionário chega a 2,88%. Os especialistas, porém, confirmam que a chamada "inflação real" é muito mais alta e recai, principalmente, nos ombros da classe média.

Os números registrados em 2013 já fizeram o Banco Central (BC) elevar, de 5,7% para 6% ao ano, a estimativa oficial de inflação. Em maio (medição mais recente), os dados do IBGE mostram alta de 0,37% no IPCA, percentual abaixo da taxa de 0,55% registrada em abril. Quando comparado com o mês de janeiro, em que a inflação ficou em 0,86%, a redução é ainda mais acentuada. Segundo o instituto, os gastos com alimentação, saúde, transporte, despesas pessoais, artigos de residência e educação apresentaram taxas mais baixas em maio e tiveram influência direta na desaceleração do IPCA. Mas o taxista Rogério Lopes, 31 anos, relata viu sua conta no supermercado encarecer 25% desde janeiro. "No início do ano, eu gastava em torno de R$ 400, agora a despesa chega a R$ 500." Já a dona de casa Solimar Moreira Bicalho, 51 anos, teve um susto com os preços dos medicamentos. Para ela, a conta da farmácia saltou 50% em relação a janeiro deste ano. "Os remédios estão só subindo de preço", afirmou. "Faço uso contínuo de medicação. No início do ano, conseguia gastar em torno de R$ 200 na farmácia, hoje minha despesa não sai por menos de R$ 300 por mês." Já a estudante Suzana Alvim, 21 anos, diz que os gastos com transporte tem sido sua principal dor de cabeça. "O preço da gasolina aumentou muito. Encho o tanque duas vezes por mês e considero meu carro econômico, mas mesmo assim as contas estão altas."

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O economista Guilherme Ventura explica porque o índice de "inflação real" é tão diferente do índice oficial. "O cálculo do IPCA considera uma média ponderada entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados. Enquanto alguns sofreram retração das taxas, outros aumentaram." De acordo com o IBGE, habitação, vestuário e educação estão entre os itens que mantiveram preços crescentes em maio.

 

Classe média

Ventura afirma que a classe média é a que mais sofre com os efeitos da inflação. "Essa faixa de consumidores é a que tem maior demanda de serviços. Como os preços deste segmento andaram na frente da inflação nos últimos anos, é a classe que vai sofrer mais impacto." O economista da Ordem dos Economistas do Brasil (OEB) José Tiacci Kirsten concorda e apresenta outros motivos que fazem da classe média a principal afetada pelos reflexos da alta de preços. "A classe alta tem mais patrimônio e não sente este peso. As classes mais baixas, por sua vez, recebem proteção de programas do Governo", afirma. "Então, quem paga as contas da inflação é, sem dúvida, a classe média."

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Preocupada com o retorno da inflação, a OEB retomou o cálculo do Índice de Custo de Vida da Classe Média (ICVM). "É um índice que retrata a classe média paulista, que tem renda entre R$ 6.870 a R$ 26.442, e corresponde a 20% da população da cidade de São Paulo", explica Kirsten. O índice indica a realidade de capitais brasileiras, mas também serve de parâmetro para o movimento que vem acontecendo em todo o país. "Habitação, alimentação, transporte, despesas pessoais, saúde, educação e vestuário representam, nesta ordem, os principais gastos dessa classe média." Sozinha, a alimentação acumula alta de 13,38% nos 12 meses encerrados em abril. Despesas pessoais (7,69%) e educação (7,67%) também registram índices acima da média do ICVM no período, fixado em 5,63%.

 

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Alternativa

Como alternativa à alta de preços, os consumidores juiz-foranos optam por aproveitar promoções e pesquisar os preços. "Tudo encareceu. No supermercado, o preço de legumes e verduras é o que mais pesa. A minha solução tem sido fazer compras diárias, gastando o que posso gastar", relata o militar reformado Getúlio das Neves Botelho, 71 anos. "Compro apenas o que vou consumir no dia seguinte e gasto, em média, R$ 70."

A aposentada Sueli Rocha, 57 anos, visita vários estabelecimentos antes de comprar. "Vou toda semana ao supermercado e aproveito as promoções. Na farmácia, faço pesquisa de preços." Para evitar repassar a alta de preços aos consumidores, os comerciantes Rodrigo Dutra, 35 anos, e Elissa Antunes, 29 anos, por vezes deixaram de comprar alguns itens. "Na época em que o tomate estava muito caro, oferecíamos aos clientes a salada incompleta, pois não teria como cobrir os gastos", diz ela.

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