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Vale a pena investir no Tesouro Reserva? Economista compara rendimentos e aponta vantagens

Tesouro Reserva mira quem tem dinheiro parado na poupança ou na conta corrente com rendimento maior e acesso direto pelo app do banco.
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O Tesouro Reserva foi anunciado em maio, pelo Governo Federal, como o novo título público para quem busca guardar dinheiro com segurança, simplicidade e acesso imediato. Entre as novidades está a negociação contínua, em que aplicações e resgates podem ser feitos 24 horas por dia, sete dias por semana, sem depender do horário tradicional do mercado financeiro. Também são permitidas movimentações via Pix. Mas o que mais despertou a curiosidade foi o baixo valor de entrada: apenas R$ 1.

Enquanto outros títulos do Tesouro exigem aportes maiores, o Tesouro Reserva permite aplicações a partir de R$ 1 e rende diariamente conforme a taxa Selic, fixada em 14,5% ao ano. O limite máximo é de R$ 500 mil por pessoa. Segundo o Governo, a medida busca atrair pessoas que ainda não investem ou mantêm dinheiro parado na conta corrente.

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A proposta é que o produto funcione como uma opção simples para reserva de emergência, ou seja, dinheiro guardado para despesas inesperadas, como problemas de saúde, desemprego e consertos. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, a ideia é aproximar o investimento público da experiência já oferecida pelos aplicativos bancários.

A novidade está disponível, neste primeiro momento, apenas para os cerca de 80 milhões de correntistas do Banco do Brasil. O Tesouro Nacional informou que negocia a ampliação para outras instituições financeiras.

O Tesouro Reserva surge como uma tentativa do governo de competir diretamente com produtos populares dos bancos e fintechs, como poupança, Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e as chamadas “caixinhas” digitais. A chegada do novo título, porém, levanta uma questão para o investidor: vale mais a pena?

Limites da poupança

Criada há mais de um século, a caderneta de poupança é a aplicação financeira mais usada no Brasil, conforme informações da  Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Isenta de Imposto de Renda, sem valor mínimo para começar e de baixo risco, a modalidade é acessível a qualquer perfil de investidor. No entanto, seu rendimento é limitado e calculado com base na taxa Selic.

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Com os juros básicos da economia em 14,5% ao ano, a caderneta rendeu 7,53% nos últimos 12 meses. O Tesouro Reserva, também atrelado à Selic, tende a render o dobro, mesmo após o desconto do Imposto de Renda. Simulações do próprio Tesouro Nacional mostram que R$ 1 mil aplicados no novo título renderiam R$ 1.101,82 em um ano. Na poupança, o mesmo valor chegaria a R$ 1.061,68.

Para o professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Weslem Rodrigues Faria, a isenção do Imposto de Renda não justifica manter o dinheiro na caderneta. “O Tesouro Reserva tem rendimento atrelado à Selic. Mesmo descontando o Imposto de Renda, o retorno fica bem mais alto do que o da poupança. Não compensa financeiramente aplicar na caderneta, não faz sentido nenhum”, avalia.

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CDB e caixinhas digitais

Outros dois produtos que o Tesouro Reserva enfrenta são os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e as chamadas “caixinhas” digitais. No CDB, a lógica se inverte: é o investidor quem empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca. O rendimento pode ser fixo ou acompanhar as taxas do mercado e, assim como no Tesouro Reserva, há desconto de Imposto de Renda sobre os ganhos.

A segurança do CDB é garantida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas com um limite de R$ 250 mil por CPF por banco. Para Faria, essa diferença é relevante. “O Tesouro Reserva é garantido pelo Tesouro Nacional. Se houver algum problema, o ressarcimento é garantido. No CDB, a qualidade do papel varia de acordo com o banco que o emite”, explica. O economista alerta ainda para um cuidado específico: “Não faz sentido aplicar em CDB de banco pouco conhecido, que não tem tradição de lançar papéis.”

Já as “caixinhas” digitais, populares em aplicativos como Nubank, Inter e PicPay, funcionam como um CDB ou título do Tesouro embrulhado em uma interface simples. A praticidade é semelhante à do Tesouro Reserva, mas algumas modalidades só contabilizam rendimento após 30 dias de aplicação e a garantia depende do produto que está relacionado.

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Endividado não investe

Antes de considerar qualquer modalidade de investimento, Faria faz um alerta para quem carrega dívidas. “Nenhum rendimento vai superar os juros do cheque especial ou do rotativo do cartão de crédito. Não faz sentido algum investir endividado. É preciso quitar a dívida primeiro, porque a diferença entre o retorno do investimento e os juros que se paga é muito grande.”

O conselho vale especialmente em um cenário de juros elevados, em que as taxas cobradas pelo crédito rotativo podem ultrapassar 400% ao ano, enquanto o melhor investimento de renda fixa rende cerca de 14,5% no mesmo período.

Acesso como obstáculo

Apesar das vantagens do Tesouro Reserva, Faria reconhece que barreiras práticas ainda afastam parte dos investidores. Segundo ele, o medo e o desconhecimento são os principais fatores que mantêm o brasileiro com aplicações na caderneta de poupança. “As pessoas não têm tempo de pesquisar, e o conteúdo disponível sobre investimentos, muitas vezes, é confuso e pouco confiável. A poupança oferece a certeza de que o dinheiro não vai desaparecer.”

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Com o Tesouro Reserva operando diretamente pelos aplicativos bancários e sem a necessidade de cadastros em corretoras, o governo aposta que ao menos parte dessas barreiras seja reduzida. Para os cerca de 3,4 milhões de investidores ativos no Tesouro Direto, a meta oficial é chegar a 10 milhões nos próximos anos.

*Estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli

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